Nafar
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Finalizando a prova cansado, mas com o desafio de dever cumprido (Foto: Luciano Santos/Mantiqueira)

Há pouco mais de três meses, quando a ideia do Repórter Fitness nasceu, em uma das sempre produtivas reuniões de pauta do Poços Já, não imaginava que em tão pouco tempo já estaria aqui contando sobre minha primeira corrida de rua. Logo eu, que nunca corri antes. Mas aconteceu e foi uma experiência fascinante, daquelas que fazem você entender por que tantas pessoas fazem do esporte sua vida.

A distância de 6 km pra quem já corre é mínima, mas pra quem não tem experiência chega a parecer uma maratona. Pelo menos assim eu pensava antes de aceitar o desafio há pouco mais de um mês. Mas, como relatei aqui, nesta série de reportagens, logo no início dos treinos percebi que era possível. Cheguei ao Ronaldão na noite do último sábado (12), local da largada da primeira edição da Corrida do Homem, sem a mínima noção do que me esperava.

Tinha na minha cabeça as dicas da psicóloga esportiva Adriana Barcelos, de idealizar meu objetivo, que no caso era terminar a prova. Sabia que meu maior adversário era meu joelho, no qual sinto dores, que é também o fator fundamental por eu ter optado por outros esportes. Mas, também, tinha a plena consciência de que não era isso que ia me impedir de completar o desafio.

A prova

A largada da Corrida do Homem estava marcada para as 19h, horário em que a temperatura estava perfeita para a prática de corrida. A sensação térmica era típica de final de inverno em Poços de Caldas, que seria considerada fria em outros lugares, mas para os poços-caldenses, acostumados a sofrer muito com o frio durante o inverno, já parecendo quase um verão.

O aquecimento com a atleta Giovana Martins fez corpo e mente entrarem no ritmo da corrida (Foto: Luciano Santos/Mantiqueira)

Cheguei uma hora antes da largada. Ainda não tinha pego o kit, nem imaginava o que vinha, e percebi que é uma parte muito bacana da prova. A hora que você pega o “equipamento” para a corrida. No kit vieram a camiseta, o número, com quatro alfinetes para grudar na roupa, e o chip, que se coloca no cadarço do tênis. A camiseta é muito bacana, tecido perfeito para correr. Já dá vontade de participar de outra prova, só para ganhar mais camisetas.

O ambiente dentro do Ronaldão era muito agradável, o grupo de pagode Mania em Preto e Branco dava o tom, um clima diferente que conheci cobrindo provas de rua como jornalista. O ambiente era muito descontraído, talvez por ser sábado a noite e os atletas saberem que ao final da prova a hidratação ia ser feita com chope artesanal Gonçalves, fato esse que confesso ter me dado ainda mais vontade de chegar ao final da corrida.

O aquecimento foi um capítulo à parte. Enquanto alguns corriam no gramado do estádio, tomando o lugar dos jogadores, que fizeram do Ronaldão um dos templos do futebol mineiro, outros se aqueceram com Giovana Martins, atleta de ponta, única brasileira bicampeã da Maratona da Disney, que já adotou Poços como sua terra. O aquecimento foi muito legal, alternando exercícios aeróbicos com alongamentos. Mais que aquecer o corpo, me deixou no clima da corrida, a vontade de largar já era imensa.

Porém, antes da largada pedi para Giovana Martins me dar uma dica, queria saber qual era o conselho de uma campeã para quem nunca tinha corrido. Ela me disse uma das coisas mais bacanas que já ouvi, ainda mais em momento tão importante quanto aquele.

“Saia em um ritmo mais controlado, sinta primeiro o percurso, tenha o controle da respiração, o controle da passada e no final é sebo nas canelas. Chegue com a emoção de um artista”, me disse a atleta do São Paulo Futebol Clube.

Larguei mais para o final, pois sabia que meu ritmo seria diferente dos outros atletas (foto: Luciano Santos/Mantiqueira)

Os 6km

Larguei seguindo a dica da Giovana, já me posicionei mais para trás, entre os cerca de 300 atletas que estavam largando. Sabia que meu ritmo era outro, estava lá para terminar a prova. Nos treinamentos, no Parque Municipal Antônio Molinari, já conseguia fazer 6 km em 40 minutos cravados, mas sabia que durante a prova seria diferente, principalmente porque sabia que o percurso teria muitas subidas.

Saí do estádio junto com o pelotão e a última vez que o vi foi logo no começo. Seguimos em volta do Ginásio Poliesportivo Dr. Arthur de Mendonça Chaves, viramos na ponte da Rua Antônio Togni e seguimos pela Avenida Silvio Monteiro do Santos, por trás do Shopping Poços de Caldas. Nesse momento já estava correndo sozinho, muitos à minha frente e poucos deixados para trás, o clima era parecido com a tranquilidades dos meus treinamentos, os quais faço sempre sozinho.

Passando a parte urbana, em direção à Cascata das Antas, o breu tomou conta e a falta de luz fez com que o céu do sul de Minas Gerais se destacasse. Minha respiração acalmou, entrei no ritmo e comecei a sentir muito prazer na prova. Foi um momento fantástico, me senti entrando em comunhão comigo mesmo e com o universo.

Passando a entrada da Cascata das Antas, a corrida seguia até um pedaço da avenida, onde era feito o retorno. Por isso, comecei a dar de frente com os atletas mais adiantados e recebi muito incentivo daqueles que sabiam que aquela era minha primeira prova.

Após fazer o retorno, começaram as subidas. Momento delicado, em que precisei manter o foco. Foi quando senti meu joelho doendo e repeti para mim mesmo “isso não vai me impedir de terminar a prova” e, em pouco tempo, já não sentia dor alguma.

Fiz a curva e desci rumo à fazenda do Osório, estrada de terra, pouco iluminada, que achei bem perigosa. Diminuí muito meu ritmo para evitar uma queda. Um momento interessante desse trecho foi passar por uma ponte com iluminação de LED, alimentada por baterias carregadas por um sistema fotovoltaico. Obra da turma do curso de Engenharia Elétrica da PUC.

Parte interessante da prova. Ponte com iluminação de LED, alimentada por baterias carregadas por um sistema fotovoltaico (foto: divulgação)

Em seguida entrei no bairro Campo das Antas, onde logo na entrada recebi carinho de um grupo de crianças, o que me deixou muito feliz e animado para completar o percurso. Muitas pessoas estavam na porta de suas casas para acompanhar a corrida. Segui no meu ritmo, até avistar as luzes do Ronaldão. Achei que estava chegando, mas mal sabia que o pior estava por vir. Antes de chegar na Avenida Mansur Frayha, havia uma subida muito forte, daquelas que te fazem pensar em desistir. Mas, não era esse meu caso. Achei um ritmo, foquei na respiração e consegui chegar ao topo.

O final da corrida foi incrível. O trânsito estava parado por causa da prova e enquanto descia a avenida em direção ao estádio os carros buzinavam para os atletas. Aumentei meu ritmo, ali sabia que nada mais ia me impedir. Fiz a curva em direção aos portões do estádio, fiquei feliz em ver minha namorada Juliana e sua família me esperando para dar incentivo. Entrei no no estádio e lembrei de Giovana, que me disse para chegar com a emoção de um artista. Foi o que fiz, cruzei a linha de chegada mais emocionado do que cansado. Tinha conseguido.

A confraternização final foi muito bacana, recebi a medalha, me hidratei com o delicioso chope Gonçalves. Recebi muitos parabéns e tive a sensação clara que quero fazer isso para o resto da minha vida. O tempo não foi nada animador: 42min35seg13. Fiquei na 68ª colocação entre 75 atletas que correram os 6 km. Mas ficou a certeza de que eu posso melhorar. E que venham os próximos desafios do Repórter Fitness!  

Medalha e chope artesanal. Nada melhor para quem tinha acabado de terminar sua primeira prova (foto: Luciano Santos/Mantiqueira)
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