Fotos: Felipe Konatu

“Os poemas que dancei pra você” foi um dos espetáculos vencedores do Prêmio de Incentivo à Dança de 2019 e teve sua estreia no último dia 17 dentro da Programação de 25 anos do Julho Fest.

Não foi o movimento dos corpos que abriu o espetáculo e sim o movimento da voz. Como ouvi uma vez de Nanda Dearo, atriz e musicista, “a voz também tem movimento”.

Ao abrir das cortinas e no acender das luzes víamos um palco que mais parecia uma instalação cênica, o fundo ao invés de rotunda branca ou preta era a própria parede do fundo do teatro com folhas coladas que me davam a impressão de serem os poemas citados no título do espetáculo.


O primeiro número feito pelos bailarinos já mostrava o que seria aquele espetáculo, um misto de sensualidade estampada nos primeiros figurinos, camisas sociais com um short preto para as mulheres e o peito nu e calça social preta para os homens.

A trama era embalada por corpos que dançavam, se encontravam e bailavam a conexão que só o amor é capaz de proporcionar. Bailarinos interpretavam a relação de casais heterossexuais e homossexuais. Disputas amorosas e conquistas também tiveram sua vez.
Cadeiras brancas com poemas escritos ganharam o palco algumas vezes para provocar e auxiliar os movimentos construídos, ou para ser obstáculo também na paixão de um casal.

As coreografias individuais me vieram como os poemas que eu mesma preciso escrever pra mim de vez em quando, afinal a maior e mais duradoura relação que construímos nesse mundo é com o nosso íntimo.

Também teve tango imponente e forte, teve partida de trem embalada pelo baixo acústico,  teve amor da vida real no palco, teve piano tocado ao vivo pra dar vida ao corpo, teve dança na chuva…teve encanto, teve envolvimento, teve amor que machuca, amor que distrai, amor que aconchega, amor que afasta.

Eu sou uma pessoa que assiste de tudo,mas confesso que espetáculos de dança eu fui em

poucos, e o que posso dizer aqui é que fiquei apaixonada por todos os movimentos que vi, desde os mais clássicos até os mais contemporâneos, as sensações foram inúmeras, foi lindo ver algo que não tenho costume de ver na cidade, foi inspirador ver amigos se aventurando no novo e por várias vezes senti vontade de dançar junto e de me entregar ao ritmo.

Se me perguntassem o que faltou eu diria que faltou uma unidade de grupo, em alguns momentos podíamos ver a diferença na desenvoltura dos corpos e não falo esteticamente pois acredito que cada corpo se movimenta de uma forma, falo da conexão de grupo ao observar o espetáculo como um corpo único.

Na trilha sonora tivemos, entre muitas outras vozes e composições, Oswaldo Montenegro, Elis Regina e Maria Betânia.

“Os poemas que dancei pra você” é uma grande produção de dança construída em Poços pelos artistas daqui. Que venham mais e mais prêmios de dança, que surjam mais e mais bailarinos querendo dar vida aos sentimentos através do corpo para que pessoas como eu e como você possam se emocionar e ter acesso as infinitas possibilidades que o corpo humano e a arte têm.

Ficha técnica

Direção Geral: Nando Gonçalves

Produção e Adereços: Aria Nery
Contrabaixo: Julha Montezano
Piano e Voz: Nanda Dearo
Sonoplastia: Victor Araujo
Iluminação: Antônio Molina

Coreografias: Nando Gonçalves, Ivan Soares, Kika de Souza

Bailarinos:

Gabriel Barros
Gabriel Solanno
Ivan Soares
Isabela Viana
Leidy Nara
Karina Silveira
Raphaela Ferreira
Nara Gomes
Fernanda Franz
Angélica Vianna
Kika de Souza
Carol Serena
Nando Gonçalves

*Rafaela Jacon Dutra é uma atriz empreendedora que vê o teatro como sinônimo de presença e transformação. @rafaelajacon rafaelajacondutra@gmail.com

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