O julgamento de Christopher Anthony Tavares Coelho e Letícia Lopes Fonseca, padrasto e mãe de Ana Lívia Lopes da Silva, morta aos três anos de idade em 2018, está ocorrendo nesta quinta-feira (4), no Cenacon, para garantir as medidas de prevenção à covid-19.

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Foram escolhidos sete jurados, sendo duas mulheres e cinco homens. A sessão é presidida pelo juiz José Henrique Mallmann e a acusação é feita pela promotora Luz Maria. Christopher está sendo defendido pelo defensor público Adhemar Della Torre e Letícia por Karla Felisberto dos Reis e Lucas Flausino.

A acusação feita pelo Ministério Público é de que o casal, nos dias 13 e 14 de junho de 2018, provocou a morte da menina, brutalmente espancada pelo padrasto e sem receber ajuda da mãe. Tudo isso porque ela teria desrespeitado um castigo após urinar na cama.

Em depoimento na fase de pronunciamento a júri, Christopher deu sua versão dos fatos. Ele diz que na noite anterior à morte da menina ele e Letícia a colocaram de castigo por brincar com a comida e que no dia seguinte, ao acordar para ir trabalhar, a menina estava dançando e com isso quebrava o castigo. Ele alega que deu apenas tapas na cabeça, seguidos de banho. A mãe teria acordado e gritado ao perceber a filha passando mal e desmaiando. O acusado diz que quis levar a menina ao hospital, mas a mãe achou melhor esperar. Ele alega que só percebeu que se excedeu nas agressões quando a menina morreu e disse estar arrependido.

Já Letícia afirma que a menina estava de castigo por ter feito xixi na cama e que, quando acordou, no dia do crime, Ana Lívia já tinha sido espancada. A agressão teria ocorrido à noite. Ela alega ainda que o então companheiro não deixou que prestasse socorro.

Os acusados devem prestar depoimento novamente mais no final da tarde. Os trabalhos desta manhã abriram com o depoimento das testemunhas de acusação. A primeira a falar foi a delegada Maria Cecília Gomes Flora, que cuidou do inquérito policial, seguida pela diretora da creche onde a menina estudava, Lilian Araci dos Santos, e da irmã do acusado, Patrícia Estefânia Tavares Coelho, responsável por levar a menina ao hospital.

O caso

Ana Lívia morreu no dia 15 de junho de 2018. As investigações apontaram que ela foi espancada pelo padrasto, Christopher, na manhã do dia 14. Letícia, mãe de Ana Lívia, teria passado o dia com ela, sem prestar socorro.

A vítima só foi para o hospital no final da tarde, quando uma irmã do acusado encontrou a criança desacordada, com dificuldades para respirar, inchada e com a pele roxa. Ela pegou Ana Lívia e correu para o hospital, que fica a aproximadamente 100 metros da casa onde ela estava.

A mãe foi presa na porta do hospital e o padrasto em casa. Letícia disse que não presenciou as agressões, enquanto Christopher confessou em um primeiro momento, mas depois se calou, não prestando depoimento formal. A mãe contou que a filha se sentia culpada, já que a motivação das agressões seria o fato dela ter feito xixi na cama.


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