Publicidade
Eagle Motos
Publicidade
Eagle Motos
Publicidade
Eagle Motos
Publicidade
Eagle Motos
Publicidade

Azér Zenun Junqueira, ex-superintendente da Santa Casa de Poços de Caldas, se pronunciou na manhã desta quarta-feira (5) com relação à demissão do hospital. Ele disse, em entrevista coletiva, estar “muito triste e magoado” com a decisão. O caso vem sendo alvo de diversos posicionamentos, contrários ou favoráveis.

Publicidade
Nafar
Publicidade
Nafar
Publicidade
Nafar
Publicidade
Nafar
Publicidade

Durante a entrevista, Azér acusou o atual superintende interino, Marcos Carvalho Dias, de ter “mentido descaradamente”. O ex-superintende fala de seu início e das iniciativas no cargo, relembra como foi feita a demissão da superintende que o antecedeu e pede ao Ministério Público que investigue o que acontece dentro do hospital (leia abaixo a íntegra da nota encaminhada à imprensa).

“Eu fui chamado por três vezes na semana da minha demissão e o atual superintendente interino me disse para aceitar a contratação de três pessoas para cargos de diretoria e eu não aceitei por questões técnicas, foi então que as coisas ficaram difíceis”, alega.

Azer afirma que, dos R$ 15 milhões tomados como empréstimo, R$ 5 milhões foram usados para quitar dividas anteriores e o restante para pagar médicos e despesas. Ele conta ainda que em uma reunião em julho de 2019 o secretário de Saúde, Carlos Mosconi, informou à Santa Casa que os repasses municipais não seriam realizados em razão de dificuldades financeiras. Portanto, o valor extrapolado ficaria sem quitações. A diferença até dezembro, de R$ 4 milhões, serviria para cobrir as dívidas com fornecedores. “Isso de dizer que eu enterrei a Santa Casa com R$ 20 milhões é falsa, isso é uma dívida impagável junto ao DMAE, que poderia através de lei/projeto deixar de cobrar água da instituição”, explica.

Sobre os leitos não concluídos, ele explica que estão desativados há aproximadamente nove anos e que ao longo dos tempos outras questões foram priorizadas. Em seguida, cita a criação de um cargo para uma diretora, que considera ilegal. Azer também deixa claro que teme por sua segurança e de sua família. “Peço proteção policial, estamos correndo risco e tenho toda a documentação. Não fui ameaçado, mas a forma com que fui tratado me faz temer”, diz.

Azer confirma a criação de 96 cargos durante sua gestão e explica que a maioria são do setor de enfermagem, uma vez que a Santa Casa foi multada duas vezes por conta das horas extras. “Eu não criei nenhum cargo, todos foram determinados após passar pelo RH, administrativo, direção técnica e por último eu”, acrescenta.

Nota Santa Casa

A Santa Casa enviou uma nota à imprensa sobre o caso. Confira na íntegra:

AOS CIDADÃOS DE POÇOS DE CALDAS QUE VÊM DEMONSTRANDO SURPRESA COM A DEMISSÃO DE AZÉR ELIAS ZENUN JUNQUEIRA DA SUPERINTENDÊNCIA DA SANTA CASA

Desde 1983, portanto há 37 anos, coopero voluntariamente como membro ativo da Irmandade, já tendo acompanhado a gestão de diversas pessoas que por lá passaram, o último deles o Sr. Azér, um homem de bem, de boas intenções, amável no trato, habilidoso para administrar conflitos, porém, que não conseguiu obter êxito na resolutividade dos problemas recorrentes da Santa Casa. O número de empregados da instituição, nos dois anos de sua passagem por lá, aumentou em mais de 100. A Santa Casa acolheu grande número de pacientes de municípios vizinhos a quem não cabia e nem podia cuidar, pois não é remunerada para isso. Manteve regularmente dívidas com fornecedores e com prestadores de serviços, levando-a a novo endividamento quando, em dezembro de 2019, a Irmandade não viu outra alternativa que não autorizar empréstimo bancário de 15 milhões de reais destinados a saldar empréstimos anteriores, quitar dívidas com médicos e fornecedores, deixando ainda um saldo suficiente para a reforma de 16 leitos das suítes DESATIVADOS há mais de 3 anos. Entretanto, os R$15 milhões já foram utilizados, não há recurso para a reforma das suítes, o pagamento de fornecedores de material hospitalar hoje já está atrasado em aproximadamente R$2 milhões, estando a instituição novamente em déficit e sem solução ou qualquer projeto para corrigi-lo a curto prazo.

O porte dos serviços que a Santa Casa presta e para os quais se acha credenciada, que deveria gerar uma receita muito superior à atual, é muito abaixo do razoável. Ela fatura cerca de R$4 milhões/mês e gasta mais de R$5 milhões, gerando um déficit insanável. Para isso também o Sr. Azér foi contratado, pois essa situação já vem da Administração anterior e não foi solucionada nesta, bem como os custos não foram reduzidos. Os empregados só recebem em dia porque desde 2012 há uma ORDEM JUDICIAL nesse sentido: um só dia de atraso gera multa de R$2.000,00 por empregado! Desde então e com a colaboração do Município, o valor da folha é adiantado para antes do 5º dia útil, abatendo-se no restante dos recebimentos mensais do SUS.

Ou seja: o Sr. Azér, com toda sua capacidade diplomática e de relações humanas, com toda sua maneira agradável de ser, disponível e dedicado, NÃO EXERCEU UMA GESTÃO DE RESULTADOS. Quando eu lancei o projeto de um nome interno da Santa Casa para compor a Direção e imprimir um cunho mais profissional à área de assistência hospitalar propriamente dita, o Sr. Azér passou a desqualificar a pessoa indicada e a minar o projeto, colocando grande parte dos funcionários, dos médicos e de outras pessoas de fora da Santa Casa contra a ideia, sem ao menos se dispor a tentar que a mesma desse certo, criando uma situação insustentável que infelizmente culminou com sua saída.

A Santa Casa precisa de PROJETOS, sendo nosso dever lutar para a implantação de uma administração profissional e eficiente. Como eu que defendi a ideia – e continuo defendendo – estou sendo considerado autoritário e adversário da Santa Casa, instituição a que minha família e eu particularmente vimos honrando há mais de um século, com nossa dedicação incondicional sem nenhum interesse político-partidário, financeiro ou de fama e glória.

 Poços de Caldas, 02/02/2020

Marcos de Carvalho Dias

Nota secretários

O secretário municipal de Saúde, Carlos Mosconi, e o secretário-adjunto, Flávio Togni de Lima e Silva, também se pronunciaram. Leia a nota:

NOTA DE RECONHECIMENTO E AGRADECIMENTO

Nós, gestores da Saúde de Poços de Caldas, externamos nossos sinceros agradecimentos ao Doutor Azér Elias Zenun Junqueira, que esteve a frente da superintendência da Santa Casa de Misericórdia da nossa cidade, pelos últimos dois anos. Doutor Azér ingressou no Hospital por meio da comissão paritária, instituída em janeiro de 2018, com diversos objetivos, dentre eles, o de desenvolver melhorias na gestão. Na sequência, Doutor Azér foi convidado para assumir a superintendência do Hospital, cargo que deixou no último final de semana. Doutor Azér foi um profissional dedicado, comprometido e atuante, durante o seu tempo a frente do Hospital que figura entre os prestadores de saúde mais importantes da nossa região. Mais de 90% dos atendimentos prestados na Santa Casa de Poços de Caldas são via SUS. A Urgência/Emergência é referência regional e a oncologia atende pacientes de mais de 80 municípios do Sul de Minas. Por tudo isso, ficam aqui, o nosso reconhecimento e os nossos agradecimentos ao Doutor Azér, em nome também de toda a população atendida na Santa Casa de Misericórdia de Poços de Caldas.

 Poços de Caldas, 04 de fevereiro de 2020.

 CARLOS EDUARDO VENTURELLI MOSCONI

Secretário Municipal de Saúde

 FLÁVIO TOGNI DE LIMA E SILVA

Secretário Adjunto de Saúde

Publicidade