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El Niño: onde estamos e para onde vamos?

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imagem ilustrativa

O fenômeno El Niño, caracterizado pelo aquecimento anômalo das águas superficiais do Oceano Pacífico na faixa equatorial, está plenamente configurado e em seu pico de intensidade. O desenvolvimento do El Niño iniciou ainda entre fevereiro e março de 2023, quando começaram a ser observados desvios muito positivos de temperatura na superfície do mar nas áreas costeiras do Peru e do Equador. No decorrer do outono de 2023, o aquecimento seguiu para outras áreas do Pacífico equatorial, até o El Niño se configurar de fato.

No boletim de 8 de junho de 2023, a NOAA anunciava que havia aquecimento consistente e que já persistia por alguns meses, e a atmosfera já estava respondendo a esta condição de águas mais quentes, decretando então o início oficial do El Niño. Nos meses seguintes, o fenômeno ficou mais intenso, se tornou forte durante a primavera, variando de forte a muito forte no início do verão.

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O El Niño traz mudanças no regime de chuvas e no padrão das temperaturas. Observamos, desde o inverno, estes efeitos bastante acentuados sobre quase todo o território nacional.

No Sul do país, o transporte de ar quente mais intenso favorecido pelo fenômeno, em contraste com o ar frio que avança de áreas mais ao sul do continente, contribuiu para a ocorrência de eventos de chuva muito expressivos, com acumulados muito altos e enormes transtornos, especialmente entre os meses de setembro e novembro. Para se ter uma ideia, a cidade de Passo Fundo, no norte gaúcho, registrou mais de 1400mm de chuva nestes três meses, valor quase 3 vezes maior do que a média climatológica deste período.

Já no Norte do país, a situação foi oposta. A chuva foi pouco frequente e pouco volumosa, e esta condição se deu sob temperaturas muito altas, contribuindo para a seca histórica que praticamente secou os rios da região Amazônica. O Rio Negro, em Manaus, registrou seu menor nível da história, com 12,7m no dia 26 outubro 2023, abaixo da antiga mínima histórica, que era de 13,6m em 24 de outubro de 2010. O calor também foi destaque; a temperatura ficou muito acima da média na região, com a cidade de Manaus quebrando sucessivos recordes de calor entre setembro e outubro. No dia 10 de outubro, a cidade registrou máxima de 40,0 °C, a maior temperatura de sua história. No mesmo período, Manaus ficou coberta por fumaça das queimadas na região, tornando-a uma das localidades mais poluídas do mundo em alguns dias.

Em porções mais centrais do país, apesar das chuvas terem retornado um pouco mais cedo – pancadas de chuva se espalharam entre o fim de agosto e início de setembro – ela não voltou com regularidade, prejudicando a instalação de diversas culturas no Matopiba e em Mato Grosso. Os volumes de chuva ficaram abaixo da média numa faixa entre o Norte e Sudeste do Brasil entre outubro e dezembro.

Durante toda a primavera, grandes massas de ar seco se estabeleceram em amplas áreas do país, provocando várias e intensas ondas de calor.

Chamou a atenção a onda de calor ocorrida em novembro, mês em que as chuvas normalmente ficam regulares em boa parte do país e o calor se torna mais moderado em decorrência da umidade mais alta. Neste evento, recordes de calor foram quebrados em várias capitais, como São Paulo, Belo Horizonte, Goiânia e Cuiabá. Entre setembro e novembro, as temperaturas ficaram entre 2 e 4 °C acima da média histórica em uma área muito ampla, que contempla as cinco regiões do país.

 

Perspectivas para o verão

O verão de 2024 começou com El Niño forte, em seu pico de intensidade. Ao longo de janeiro o fenômeno segue com forte intensidade, mas seu decaimento inicia em fevereiro, seguindo em março, e o mês deverá terminar com um fenômeno de intensidade fraca a moderada. Neste contexto, alguns de seus efeitos clássicos para o verão continuarão ser observados: as temperaturas seguirão mais altas que o normal na maior parte da estação e a região Amazônica segue com volumes de chuva abaixo da média histórica (mas é importante destacarmos que nos meses do verão, principalmente em março, os acumulados são bastante elevados sobre boa parte da região).

Na região Sul, no entanto, o efeito do fenômeno é mais marcado durante os meses da primavera e início do verão. Até o início de março, a região deverá ter chuvas mais irregulares, sem períodos muito prolongados de tempo seco, e com risco menor para chuvas muito volumosas e abrangentes. Mas atenção: risco menor não é risco inexistente! A partir da segunda quinzena de março, com as entradas de ar frio se tornando um pouco mais frequentes, este risco deverá aumentar novamente.

O norte da região Nordeste aguarda normalmente por menos chuva durante a quadra chuvosa, além de uma estação seca mais prolongada em anos de El Niño. Neste ano, por conta do Atlântico Tropical mais aquecido que o normal e sem diferenças muito grandes de temperatura em torno da faixa equatorial, o principal sistema modulador das chuvas na região – a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) – deverá ficar próximo de sua posição normal, levando mais umidade à costa norte e ao interior da região entre os meses de fevereiro e março. Mas a chuva deverá diminuir um pouco antes, já em abril, e provavelmente terá comportamento mais irregular em especial em áreas do interior dos estados do Ceará, Piauí e Maranhão.

 

Como fica a situação no outono e no inverno?

A expectativa é que o El Niño continue enfraquecendo no início do outono, passando para uma fase neutra ao longo da estação. Neste ponto, vários modelos de previsão de longo prazo indicam que o resfriamento de porções mais a leste do Pacífico equatorial (as chamadas regiões 1 + 2 e 3 do Niño) já começa em abril, e se propaga pelas demais regiões até próximo do fim do outono astronômico, no dia 21 de junho. Em sua última projeção, o IRI/CPC indica probabilidade de 73% de fase neutra entre os meses de abril e junho.

Hoje, temos este cenário como o mais provável: o outono começa com El Niño fraco e termina com neutralidade. Mas esta projeção requer acompanhamento, pois ocorre numa época em que a previsibilidade cai – a chamada “Spring Barrier” (em português, barreira da primavera), em referência a uma queda na acurácia de previsões feitas durante estações de transição, especificamente a primavera do Hemisfério Norte.

Vários modelos de mais longo prazo sugerem a instalação da fase oposta do El Niño, o La Niña, durante o inverno de 2024, e esta seguiria sendo a condição até o próximo verão, entre 2024 e 2025. Na projeção mais recente do IRI/CPC, a probabilidade de instalação da La Niña já é superior a 50% no trimestre julho/agosto/setembro. O histórico de dados nos dá respaldo para sustentar essa possibilidade, cada vez mais provável, já que em vários anos anteriores houve alternância entre El Niño forte e La Niña.

 

O que é La Niña e quais seus principais efeitos?

O La Niña é um fenômeno caracterizado pelo resfriamento anômalo das águas do Oceano Pacífico na faixa equatorial, o oposto do que ocorre com o El Niño. Da mesma forma que o El Niño, o La Niña mexe com toda a circulação atmosférica, no mundo todo.

No Brasil, as chuvas tendem a ficar mais volumosas que o normal no Norte e no Nordeste, e o tempo fica mais seco em amplas áreas do Centro-Sul do país, especialmente o Sul, que fica mais vulnerável a eventos de seca, que traz déficit hídrico no solo e acaba prejudicando algumas culturas.

Com relação às temperaturas, em geral, se associa condições de tempo mais ameno e frio com La Niña, o que não deixa de ser verdade, uma vez que há maior favorabilidade para a entrada de massas de ar frio de origem polar sobre o país, e geadas ocorrem com maior frequência em invernos sob La Niña, com maiores chances de até ocorrerem de forma tardia, já na primavera. Mas, na verdade, a temperatura passa a oscilar mais em decorrência de mais ar frio entrando. O tempo mais seco torna os extremos de temperatura, tanto os de frio quanto de calor, mais acentuados, e desta forma, ondas de calor também podem ocorrer sob La Niña. Podemos tomar como exemplo os últimos dois verões no Rio Grande do Sul, quando o tempo mais seco favoreceu temperaturas muito altas.

(Fonte: Climatempo)

 


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