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O Poços Já conversou com o secretário de Saúde de Poços de Caldas, Carlos Mosconi, sobre a pandemia de covid-19. O assunto é complexo e tem várias particularidades, como a prevenção, o atendimento aos pacientes de outras cidades, a retomada do turismo e a união de empresas e moradores locais para a melhoria desse cenário. Todos esses tópicos foram abordados na entrevista. Confira abaixo, na íntegra:

Poços Já: Em que momento da pandemia estamos hoje?

Mosconi: Acho que estamos em uma fase intermediária. Já estamos um pouco distantes do princípio, mas eu também acho que estamos distantes do fim. Estamos fazendo muitos testes na cidade, ultrapassando seis mil e vamos continuar fazendo. Temos uma ideia de como está a transmissão do vírus. Teve um trabalho feito pelo Instituto Federal, que mostrou que na Zona Leste e na Zona Sul existe uma incidência maior. É um fato, mas a população é muito maior nesses dois locais. Nós fazemos também os testes em nossos PSFs, são 37 ao longo da cidade. Então, não há nenhuma discrepância. As coisas aqui estão mais ou menos equilibradas, estamos tendo um aumento que é natural, não tem como não ter. Mas os casos graves não estão elevados, o nosso percentual de leitos de UTI ocupados é relativamente pequeno, dificilmente chega nos 30%. Nós ainda abrimos mais alguns leitos na Santa Casa, naquela ala das suítes.

Mosconi afirma que ambulatório exclusivo para covid-19 está próximo de começar a funcionar (fotos: Juliano Borges)

Poços Já: Quando o ambulatório exclusivo para covid-19 do hospital de campanha começa a funcionar?

Mosconi: Nós recebemos o contrato de terceirização de pessoal e queremos que ele funcione no comecinho de agosto. Vai funcionar, hoje já assinamos o contrato de terceirização de pessoal. Vai ser um fator a mais, porque vai ser um ambulatório especializado. Muitas vezes, temos mais problemas com os pacientes não-covid do que com os pacientes covid, porque o número de pacientes não-covid é maior. Se o paciente tem uma dor na coluna, problema  de estômago, gástrico, ginecológico, tem que ser atendido. Mas existe um certo receio desse paciente de ir para o atendimento, podendo estar ao lado de uma pessoa com covid. Então, nós queremos que o paciente com covid venha em local especializado.

Poços Já: O prefeito anunciou que iria instalar cabines de desinfecção em locais de maior aglomeração, mas isso não se concretizou. Qual o motivo?

Mosconi: Nós fizemos uma avaliação e não vimos necessidade, nem tivemos segurança em relação a essas cabines. Tivemos até algumas posições contrárias, da Anvisa, porque não está comprovado, não achamos necessário.

Poços Já: Considerando que Poços de Caldas atende pacientes de outras cidades e as decisões das administrações dos municípios vizinhos interfere diretamente no atendimento por aqui, seria interessante a criação de um comitê regional de enfrentamento à pandemia?

Mosconi: Seria bom, até importante. Os pacientes de outras cidades são enviados para cá e nós temos que receber da melhor maneira possível, é nossa obrigação e vamos fazer isso. Mas eu sinto que existe uma certa discrepância na abordagem do problema por algumas cidades que poderiam ter evoluído melhor. Muitas vezes é fácil falar “temos uma cidade polo que está dando uma atenção enorme, cresceu o atendimento, vai pra lá”. É mais cômodo. Isso não é uma boa política, na minha opinião. O covid está tendo muito recurso financeiro para esse tipo de atendimento. Precisa ter um certo equilíbrio, que no caso da nossa região não está havendo. Estamos muito à frente, nos preparamos muitíssimo bem. Não estou fazendo queixa, é uma realidade.

Poços Já: O atendimento regional pode comprometer o número de leitos em Poços?

Mosconi: Claro, sem dúvida. Se encher aqui, vamos fazer o quê? Pra onde vão os pacientes? Mas espero que isso não aconteça, vai dar certo, ficar tudo bem.

Hospital de campanha estadual pode ser implantado em caso de necessidade, segundo o secretário

Poços Já: Caso isso aconteça, há algum Plano B?

Mosconi: O plano B seria um hospital de campanha do governo do estado. Teve um representante, oficial da polícia militar, lá no começo, que veio conversar conosco sobre local para hospital de campanha do estado. Nós pensamos no Hospital da Zona Leste o no antigo Hospital Pedro Sanches. Eles foram ver o Pedro Sanches, mas acham que não tem mais condições, porque foi vendido para uma empresa, que vai derrubar e fazer um prédio. Acham que está deteriorado, que não tem jeito. Já no Hospital da Zona Leste eles acharam que poderia fazer. Mas isso não evoluiu muito. O governo de Minas nesse momento tem uma contribuição quase que virtual. O que recebemos do governo de Minas até agora foi um respirador. Não estou fazendo crítica, sei que está endividado, mas é isso. Já o governo federal, o Ministério da Saúde, nunca distribuiu tanto dinheiro para o sistema de saúde do Brasil como agora. Graças a Deus isso aconteceu, porque senão estaríamos em uma situação terrível aqui.

E claro que também precisamos valorizar nossa cidade, a generosidade foi fenomenal. Quando começou a pandemia várias empresas ligaram pra gente, perguntando o que poderiam fazer. Doaram muitas máscaras, EPIs, você vê que não falta. O hospital de campanha foi montado só com doação. Nós recebemos o hospital graciosamente do dr. Luciano Incrocci, logo em seguida a Alcoa ligou pedindo uma relação do que precisaria para o hospital de campanha. A PUC tem uma contrapartida conosco, em razão da faculdade, e propôs mudar a contrapartida para a pandemia. A Alcoa doou metade dos equipamentos do hospital e a PUC doou a outra metade, sendo que uma parte ainda ficou na Santa Casa. Nós compramos 15 respiradores novos, da Philips, especialmente para o covid. Sabe o preço dele? 28 mil reais. Você vê que o Rio de Janeiro comprou por duzentos mil, São Paulo também, e nós por 28 mil. Estão cinco no hospital de campanha, doamos cinco para a Santa Casa e cinco para o Santa Lúcia. Então, tivemos doações expressivas. A Votorantim nos doou, em uniformes, 400 mil reais. A Curimbaba doou um aparelho para fazer exame rápido e mais mil exames. As empreiteiras da cidade reformaram inteirinha a ala do hospital da Santa Casa, foi reinaugurada com equipamentos que conseguimos da Alcoa e da PUC. Tivemos pessoas como uma senhora, viúva, que veio aqui fazer uma doação. Doou um cheque de cinco mil reais.

Poços Já: Qual sua avaliação da flexibilização do comércio neste momento?

Mosconi: Os grupos que têm dado mais problemas são os bares. Muitos não seguem horário, não seguem o contingenciamento combinado, as pessoas ficam mais tempo. Então estamos agora começando a multar. As notificações não deram resultado, então agora tem multa. E se não der certo, vamos fechar. Não é brincadeira.

Poços Já: O Parque Municipal será reaberto?

Mosconi: O maior problema que temos com a transmissão do vírus é a aglomeração de pessoas. Se alguém faz caminhada na João Pinheiro, vai e volta e não aglomera com ninguém. Lá no Parque Municipal tem local para aglomeração, de encontro de pessoas, como grupos que têm costume de caminhar e se juntam lá no parque. Isso é um problema. Penso que daqui a pouco vamos caminhar para abrir, mas a aglomeração é um problema para nós.

Poços Já: E quanto a música ao vivo?

Mosconi: É agradável ir a um restaurante, bar, e ter música ao vivo, excelente, mas também é um fator de aglomeração. Agora, o pessoal da música ao vivo está na penúria, vive disso, como eles vão fazer? A gente fica constrangido de ouvi-los. Então, estamos resolvendo fazer uma espécie de contingenciamento para poder abrir também. Quando? Em agosto, depois da reabertura dos hotéis.

Retomada gradual do turismo está planejada para começar em agosto, mas depende de pronunciamento do governador

Poços Já: Como será a retomada do turismo?

Mosconi: O governo de Minas criou o Minas Consciente e dias atrás o Ministério Público entrou com uma ação no Tribunal de Justiça pedindo o fechamento de tudo. No dia seguinte tivemos uma reunião com o promotor e falamos que não tínhamos razão para fechar. Nada grave que levasse a fechar, falta de leitos, nada disso. Aí o governo de Minas voltou atrás e resolveu fazer uma consulta pública e no dia 29 o governador vai anunciar o que deve ser feito em Minas Gerais. Todo nosso planejamento para abertura em agosto vai ficar de sobreaviso até sabermos o que ele vai exigir. Eu penso que já podemos pensar em abrir gradativamente. O pessoal está trabalhando muito em cima disso, contingenciamento dos hotéis, percentual de abertura, não abrirmos as barreiras. Os hóspedes vão chegar só com voucher, data de entrada e de saída. Sem reserva não entra. É isso que estamos pensando fazer.

Poços Já: Alguma previsão para reabertura das escolas?

Mosconi: Não vamos abrir no começo de agosto de jeito nenhum. O turismo vai devagar, não vai lotar. As crianças não apresentam sintomas do covid, é raríssimo, mas transmitem com a maior facilidade o vírus. Então vamos aguardar um pouco mais. Até a maioria do pessoal da educação não quer que abra, porque corre risco tendo contato com as crianças. Tem proposta de uma metade ter aula hoje, outra metade amanhã, de separação em diferentes locais. Mas vamos aguardar.

Poços Já: As empresas que ainda não estão incluídas na flexibilização, como fazem para solicitar a reabertura?

Mosconi: Através de uma associação ou sindicato, ou então um grupo, até mesmo individualmente, envia para nós uma solicitação. Nós do comitê fazemos três reuniões por semana, até mais, para avaliar esses casos e deliberar.

Poços Já: Qual sua previsão para o fim da pandemia?

Mosconi: Eu penso que a doença vai cair lá para o final do segundo semestre, mas o fator preponderante vai ser a vacina, o x da questão, para resolver o problema. Semana passada teve uma médica que, por incrível que pareça, é natural de Andradas e foi a primeira pessoa do Brasil a tomar a vacina. Eu tenho impressão que no final do segundo semestre vamos estar em outra situação. Primeiro que vamos ter conhecido muito melhor a pandemia, vamos ter um histórico e teremos adquirido alguns hábitos também, o uso de máscara será um deles. Ir em eventos, locais fechados, de grande aglomeração, as pessoas vão tomar muito cuidado para isso. Tenho impressão que vão mudar nossos hábitos.

Poços Já: Quando isso passar, surge outro problema, que á atender a demanda dos pacientes que não foram atendidos durante a pandemia.

Mosconi: Já estamos com essa preocupação agora, do não-covid. Temos que atender, porque senão fica um problema. As doenças continuam, tem AVC, infarto do miocárdio, dor na coluna, hérnia, colecistite aguda, não podemos deixar de atender essas pessoas. Houve um hiato, principalmente nas cirurgias, porque em um determinado momento faltou anestésico para entubar as pessoas que têm covid e as outras que precisam ser operadas. Fizemos um comunicado aos hospitais para suspenderem relativamente os procedimentos eletivos. Agora já retomou, mas essa preocupação existe. Está havendo uma boa parceria entre os hospitais, um ótimo diálogo e um nível de compreensão muito interessante. Eu quero louvar o pessoal que trabalha na Secretaria de Saúde, os profissionais de saúde, que estão dando um exemplo de dedicação inestimável. Isso vale muito, conta demais.

Poços Já: Todos os profissionais de saúde da prefeitura foram testados?

Mosconi: Todos, só um deu positivo, pra você ver que coisa doida. Só um do PSF, os outros todos negativos. Samu, UPA, Margarita Morales, PSFs, todos negativos.


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