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A Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara de Poços recebeu representantes do Hospital da Santa Casa de Poços de Caldas e do Círculo Materno, na última quinta-feira (09). O tema da reunião foi o cumprimento da Lei Municipal 9.134, de 16 de junho de 2016, que institui o Plano Municipal de Humanização do Parto e dispõe sobre a analgesia em partos naturais de gestantes do município.

O assunto foi levado pela presidente da comissão, vereadora Maria Cecília Figueiredo Opípari (PT), e após deliberação dos membros o convite foi realizado para tratar do assunto. A reunião contou com a presença dos seguintes convidados: dr. Alberto Volponi, diretor-técnico da Santa Casa; dr. Daniel Incrocci, coordenador da maternidade da Santa Casa; as plantonistas dra. Amandae Patrezzi, dra. Cristine Benetti e dra. Karla Coelho e a coordenadora do Círculo Materno, Eliza Sampaio Quinteiro.

Segundo a coordenadora do Círculo Materno, grupo de apoio ao parto, amamentação e à maternidade ativa em Poços de Caldas, algumas puérperas têm relatado sobre a não administração de analgesia em partos realizados pelo SUS, na Santa Casa de Poços. “O que a gente percebe com muita clareza é que as mulheres que têm a assistência privada ou pelo convênio recebem um tipo de atendimento e que as mulheres que são atendidas pelo SUS não têm o mesmo acesso,” disse.

Eliza comentou ainda sobre a dificuldade para que as gestantes do SUS tenham acesso a métodos não farmacológicos no pré-parto, como bolas, banheira e chuveiro. “A questão da analgesia realmente precisa ser bem indicada, a gente está falando de fármaco, e realmente existem as complicações e essas questões referentes ao uso da analgesia farmacológica nós trabalhamos muito com essas mulheres ao longo dos encontros e agora que não estamos tendo encontros, a gente continua fazendo essa educação por via remota. Ao longo desses anos, essa lei é de 2016, não foi feita nenhuma medida de alteração estrutural no pré parto do SUS para receber essas mulheres da mesma forma como as mulheres do convênio e da assistência particular são recebidas. Então, existe sim, uma diferença muito grande”, afirmou.

Dra. Cristine Benetti abordou as dificuldades das equipes e também enfatizou sobre a importância dos métodos não farmacológicos durante o pré parto. “Na maioria dos plantões que eu participo não existe má vontade por parte de nenhum dos profissionais em fazer analgesia de parto, na verdade, existe uma sobrecarga de serviço, tanto do obstetra, quanto do anestesista, para conseguir parar um período e fazer esse procedimento, porque é um procedimento que exige das duas equipes uma atenção por um tempo prolongado. Então, em um plantão sobrecarregado, cheio de partos, consultas, muitas vezes não conseguimos alinhar as equipes de forma que a gente consiga fazer esse procedimento, parar todo mundo e ficar ali. A meu ver, esse é o maior obstáculo, existe uma grande demanda. E, na verdade, a anestesia farmacológica, que é a anestesia peridural ou a peridural com a raqui, é um último patamar de analgesia, a analgesia começa a partir da liberdade de deambulação, variedade de posição, ajuda da água no chuveiro ou na banheira, a bola, poder ouvir música, receber uma massagem, depois de todos os passos terem sido tentados e falharem é que a gente começa a pensar em um método farmacológico.”

Dr. Alberto Volponi apontou que, mesmo com uma melhora gradativa da maternidade ao longo dos anos, que hoje realiza cerca de 200 partos por mês, sendo 150 pelo SUS, aproximadamente, ainda existem dificuldades com relação à estrutura, financiamento de custos e até com relação à equipe reduzida, já que, segundo o diretor técnico do hospital, em alguns horários apenas um anestesista fica disponível para atender toda a instituição. “O ideal seria a gente ter um anestesista específico para a maternidade, mas a gente não tem esse recurso, a gente não tem capacidade financeira para isso,” explicou.

“Como mulher, mãe, avó e bisavó, eu sei o quanto o momento do parto é importante e o quanto o parto humanizado é fundamental para esse momento tão divino na vida da mulher. Gostaríamos que a questão financeira não fosse empecilho para que mulheres tenham um atendimento digno. Seja pelo SUS, por convênio ou atendimento particular, todas as mulheres têm direito um parto humanizado, à anestesia e a todo o acompanhamento antes, durante e depois do parto”, finalizou a vereadora Lígia Podestá (DEM), vice-presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher.

Além das vereadoras Maria Cecília e Lígia Podestá, são membros da Comissão os seguintes vereadores: Álvaro Cagnani (PSDB), Lucas Arruda (Rede) e Pedro Magalhães Júnior (PRB).



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