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Olá pessoal, espero que estejam todos bem e saudáveis! Hoje vou falar um pouquinho sobre as mudanças sentidas nas relações familiares durante esse período de reclusão e quais os efeitos da intensificação e ampliação dessa convivência nos papéis de pais, mães e filhos. Vamos lá?

Analisando inicialmente o cenário, percebemos que a reclusão aumenta o tempo de contato entre os membros da família e ainda traz várias incertezas e problemas de adaptação a uma nova rotina. Logo, o nível de tensão e estresse de todos os membros tende a estar mais elevado, o que potencializa e traz à tona incômodos e conflitos que talvez estivessem camuflados e despercebidos anteriormente. As relações que já se encontravam desreguladas, fragilizadas e desequilibradas se tornam mais evidentes, podendo acirrar os conflitos.

Existe também o acúmulo de funções, que antes eram realizadas por outras pessoas, como a educação e o entretenimento dos filhos, os cuidados com a casa, somados às mudanças na forma de exercer e se relacionar no trabalho, que requerem novos aprendizados e desenvolvimento de habilidades. Tudo isso pode ocasionar uma sobrecarga física e emocional.

Em primeiro lugar é importante aceitar esse cenário e adotar uma postura resolutiva, de enfrentamento, descobrindo formas de lidar da melhor maneira possível com todas as mudanças impostas de rotina e de estados emocionas. A insegurança que paira e o cansaço despertam sentimentos que estavam camuflados e todo esse medo, instabilidade e estresse podem desencadear ansiedade.

Outro ponto importante a se abordar é que não fomos ensinados a sofrer e passar por grandes perdas, a maior parte das pessoas passou por poucos contextos de sofrimento ao longo da vida e de forma pontual. Então, essa experiência é completamente nova e não temos repertório comportamental desenvolvido de como passar por ela – aquilo que você aprende depois que passa por alguma situação diferente e te traz a confiança de que você vai superar e vai dar tudo certo.

Para lidar com os conflitos emergentes dessas situações é importante ter consciência de estratégias positivas na relação familiar, como manifestações de apoio e afeição, pedidos de desculpas e explicações aos filhos sobre os problemas dos pais. Evitando também, por outro lado, as estratégias destrutivas, que envolvem agressão ou violência (física ou verbal), isolamento, submissão, hostilidade, perseguição, ameaças e exposição das crianças aos conflitos.

Estudos feitos com famílias em situações de crise apontam que as famílias que conseguem passar por esses momentos de uma maneira mais saudável, tendo resultados melhores no gerenciamento das situações adversas e, consequentemente, obtendo ganhos com aprendizados – muitas vezes conseguindo até saírem mais fortalecidas e unidas após a crise – possuem as seguintes competências: organização, comunicação e fé.

A primeira competência se refere à capacidade de se organizar no caos, olhar racionalmente para a rotina e definir quais ações podem ser feitas para ajudar, percebendo as possibilidades que existem para reorganizar a vida.  Deve-se criar uma rotina prática do dia-a-dia e para isso é válido mobilizar e buscar recursos, informações e ideias para resolver os problemas que vieram,  é hora de se reinventar e olhar outras possibilidades. Lembrando que é um momento desafiador, novo e diferente que requer aprendizagem, tolerância e paciência consigo próprio e com as pessoas mais próximas que estão passando por isso junto com você.

A comunicação abrange duas esferas: comunicar-se consigo mesmo e com os demais. Para comunicar-se consigo mesmo é indispensável se observar e se conhecer para identificar suas emoções e suas dificuldades e, na sequência, se provocar para trazer o seu melhor na construção das soluções para suas demandas. Na comunicação interpessoal é essencial que os membros possam falar abertamente sobre as emoções e necessidades identificadas, criando um clima de envolvimento e troca entre as pessoas. Aqui é vantajoso fazer novos combinados e criar novas regras de convivência para atender às demandas de todos.

Por último, devemos ter fé, ativar nosso sistema de crenças positivas, cultivar a esperança e manter bons pensamentos, buscando memórias de momentos de superação e histórias de outras pessoas que passaram por momentos mais difíceis que esse e superaram.

Não podemos mudar essa situação mundial, mas podemos mudar a forma que escolhemos passar por ela.

* Daphne Rajab Cardia é psicóloga, formada na Universidade Vila Velha, MBA em Gestão de Pessoas pela FGV, Coach certificada pelo Instituto Brasileiro de Coaching, Consteladora Familiar Sistêmica formada pela Hellinger Schule Brasil, especialista em desenvolvimento pessoal e profissional. Tem como missão de vida ajudar as pessoas a tomar consciência de si mesmas e alcançar a vida plena.



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