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A jornalista Cristina Serra, autora do livro “Tragédia em Mariana”, participou do Festival Literário de Poços de Caldas (Flipoços), na noite de segunda-feira (29). Após apresentação que durou cerca de meia hora, ela resumiu a causa dos fatos como “a falta de dizer não”. “Às vezes é preciso muita coragem para dizer não. Muito ‘não’ deixou de ser dito e por isso essa barragem caiu”.

A autora cobriu a tragédia em 2015, para o Fantástico, e seguiu na Rede Globo até o início de 2018, quanto pediu demissão para se dedicar exclusivamente ao livro. A obra foca nas questões humanas, com o objetivo de contar histórias e relatar as dores de quem nem sempre está nos jornais. “A cena da devastação é muito impactante, assombrosa. A impressão que você tem é que caiu um meteoro e fez aquele estrago todo. Mas o que realmente me emocionou foi estar em contato com a dor das pessoas. Ao mesmo tempo, elas me despertaram essa admiração imensa pela capacidade de superação delas”, comentou a jornalista.

Cristina Serra (à direita) foi responsável pela palestra master de segunda-feira (foto: Juliano Borges/Poços Já)

Durante a palestra, Cristina também abordou questões técnicas, como a facilitação dos processos de licenciamento e as dificuldades de conseguir informações e entrevistas oficiais. Porém, ela sempre voltava em um personagem, que foi marcante nesta história: a cabeleireira Paula Geralda Alves, que conseguiu avisar moradores de Bento Rodrigues, a bordo da própria moto, sobre o rompimento da barragem. “A Paula foi a sirene que a Samarco não tinha”.

Na platéia estava a atriz e escritora Elisa Lucinda, que palestrou no domingo (28). Ela elogiou a coragem da autora e disse que assim ela deixa constrangidos outros profissionais, inclusive a nova geração de jornalistas. “Coisa rara no jornalismo que tenho visto por aí”, observou a atriz.

Ao responder perguntas do público, Cristina citou a falta de preservação da memória das vítimas. Segundo ela, o Ministério Público Estadual propôs que as ruínas dos povoados destruídos pela lama fossem preservadas para a criação de um memorial. Porém, o assunto não foi adiante e a empresa agora cobre os resquícios da tragédia com mato. Enquanto isso, as lembranças continuam soterradas. “Até hoje os pertences das pessoas estão lá nas casas, presos na lama endurecida”.



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