O projeto de implantação do Trem Turístico em Poços de Caldas está parado. Em 2015 o município conseguiu a cessão para uso gratuito do trecho da linha férrea entre a antiga Estação Mogyana Estação Bauxita, com o objetivo de que o trem volte a circular e estimule o turismo na cidade.

A administração municipal da época também conseguiu uma verba de R$ 10 milhões junto à Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemig) para a execução do projeto. Em março de 2016 a prefeitura executou algumas obras como contrapartida mas, com o fim do mandato os trabalhos foram paralisados e a cidade corre o risco de ficar sem o trem.

Esse problema levou o vereador Gustavo Bonafé (PSDB) a questionar a administração sobre o que tem sido feito. Mais do que declarações, ele quer documentos que comprovem os esforços.

“Temos vistos informações sobre o vencimento do convênio firmado com a Codemig e não temos um posicionamento claro e oficial da prefeitura. Quero saber quais foram as ações, desde o início da gestão, frente à Codemig, quem foram os responsáveis, e-mails trocados, visita à organização. Enfim, todo o detalhamento desses encontros para que a gente entenda o cenário e qual a predisposição da atual gestão em fazer acontecer este projeto”, explica.

Bonafé garante ainda que, caso o contrato já tenha vencido, vai cobrar para que não se perca o recurso e que se respeite a mobilização coletiva.

“Vários atores da sociedade civil se predispuseram, lutaram e foram atrás. Eles tiveram conquistas, e neste momento, encaram um cenário sem muito esclarecimento sobre o futuro. Em respeito a essa mobilização precisamos de informações”, relata.

Movimento Poços na Linha

O jornalista Rubens Caruso é uma dessas pessoas que trabalham na causa. Ele explica que o convênio n° 4252, assinado entre a Codemig e a Prefeitura de Poços de Caldas, em 25 de janeiro de 2016, previa a conclusão do projeto em 17 meses, ou seja, poderia ter sido concluído em junho deste ano.

Segundo Caruso, a Codemig informou que: ‘O termo não foi adiante, considerando que a prefeitura não concluiu o processo licitatório para contratação dos projetos necessários à implantação da iniciativa e não apresentou os documentos imprescindíveis ao andamento da ação’.

Para Caruso, está claro que o município perdeu o recurso. “Nesse momento, a prefeitura de Poços de Caldas perdeu o recurso. O que não quer dizer que o projeto de reconstrução da ferrovia e a implantação do Trem Turístico está enterrado”, comenta.

Como membro do Movimento Poços na Linha, Caruso está fazendo o que pode parar reaver a verba e viabilizar a reativação. “Tão logo tomamos conhecimento do fato, e não foi por meio da prefeitura, que ainda não tratou oficialmente do assunto, o Movimento Poços na Linha fez aquilo que a prefeitura aparentemente não fez, ou se fez não falou para ninguém: entramos em contato com a Codemig e com o Governo do Estado”, relata. “Importante ressaltar a facilidade que tivemos para iniciar essa conversa, o que parece não acontecer com a prefeitura, pelo menos é o que se depreende das falas de algumas autoridades municipais”, acrescenta.

Ele esclarece que a Codemig entende a qualidade e a importância do trem, não apenas para Poços, mas para a região, por ser um novo produto turístico que se caracteriza pela importância histórica-cultural, com influência econômica e social.

Assim foi pleiteado que a companhia seja não só a “patrocinadora” do projeto, mas que o execute. “Condições para tanto existem, basta pensar que recentemente a Codemig promoveu a restauração do Palace Casino e Thermas Antonio Carlos, obras nas quais foram investidos mais de R$ 20 milhões”.

Apesar das dificuldades, Caruso mantém a esperança. “Diante da receptividade que recebemos de BH, estamos otimistas com a possibilidade do projeto Poços na Linha ser levado adiante”.

Prefeitura

A reportagem do Poços Já Política entrou em contato com o secretário municipal de Turismo, Ricardo Fonseca Oliveira. Ele explicou que a administração aguarda informações oficiais para dizer se o município perdeu ou não os recursos para a implantação do projeto.

“O prefeito (Sérgio Azevedo) encaminhou ofício à Codemig solicitando informações oficiais sobre a questão. Então, neste momento a cidade não perdeu nada porque não temos nada oficial, precisamos aguardar essa resposta. O ofício pede ainda a prorrogação do convênio, que venceu em 31 de agosto”.

Questionado sobre o interesse da administração em dar continuidade, Ricardo informa que precisam ser confirmados os recursos, e, principalmente, a contrapartida. O contrato prevê um investimento de R$ 10 milhões por parte da Codemig e uma contrapartida de R$ 2 milhões do município. No entanto, essa contrapartida é em serviços e não em verba alocada. Ainda segundo o secretário, se for necessário algum investimento por parte da prefeitura o projeto passa a ser inviável, já que a cidade não dispõe de recursos para investimento.