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Então, o que é cidade?

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Nafar
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Acredito ser um consenso a definição de cidade. Talvez esse consenso esteja no campo de uma parte do território ocupada por pessoas, mas gostaria de ir além… Gostaria então de falar sobre um lugar ocupado por pessoas e para pessoas, mas principalmente como um lugar onde estas pessoas possam então fazer suas trocas. Trocas comerciais, trocas sociais, trocas urbanas. Esse espaço que chamamos de CHÃO. Um chão de todos que foi via na antiguidade e que dividido se transforma em calçamento, em calçada, aqui chamado de PASSEIO, organizando áreas para velocidades diferentes, diversas.

Mas mais que isso, talvez, seja a possibilidade de viver bem em comunidade. Ao se decidir viver em algum lugar se pensa: “um lugar bonito, saudável, em que eu possa andar, caminhar ate a padaria, cinema, açougue, mercado e lojas, ou simplesmente me sentar sem ser cobrado. Me sentar em lugar público e não precisar consumir. Sentar e observar, sentar e conversar, sentar e contemplar, cidade e natureza, mas todos com o conteúdo urbano. Da arborização urbanizada, diz-se paisagismo, da construção que encanta, que se estranha, às vezes, chamamos arquitetura. Talvez seja esse então um significado de cidade.

E o que vemos?  Carros. estruturas viárias mirabolantes em expansão, subsidiada pelo discurso “vamos aumentar as vias e diminuir os passeios. Tamparemos rios e criaremos novas pistas de rodagem rápida e então melhoraremos o fluxo viário.”

Trocas urbanas no sentido da definição tratada na publicação anterior que fala do território mexido, arado, desejado e planejado por mãos urbanas para o convívio e o ganho econômico.

Sendo assim, olho a cidade e vejo:

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  1. SÉCULO XIX: nas reformas das áreas centrais paulistanas, vejo estruturas viárias e pessoas;

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  1. século XX: a consolidação da metrópole paulistana: estruturas viárias complexas e carros

Os discursos se repetem a cada dia. A cada dia fica mais precária a caminhada, a ida a padaria ao ida ao mercado. É essa inversão que chamo de PERIGO. A inversão da cidade.

A inversão do lugar de encontros e trocas, o perigo de se passar a ser um lugar de fluxos de veículos, individuais, em bolhas que nos protegem a cada olhar, a cada troca com o outro. De dentro do carro posso tudo? Mesmo? Pensemos…

A inversão perigosa do lugar onde devem viver pessoas em comunidade, passa a ser cada dia um lugar da pressa, da impaciência com o sinal fechado, da intolerância com o outro mais lento, em veículo diverso ao seu ou, até mesmo, a intolerância com aquele estranho que de desloca SEM VEÍCULO, como pode?

Necessitamos então da REVERSÃO URBANA, do retorno ao Chão público, à concretização do espaço que se deseja ao uso e desfrute, de estar e de conviver, de se apropriar da cidade. De se apropriar e ter como sua aquela parcela do espaço público de vivência, de desejo e vitalidade.

Poços de Caldas, estância hidrotermal, procurada por muitos por seus espaços públicos de deleite, de desejos, uma cidade que se diferencia pelo caminhar é, ainda, apesar das inversões de valores públicos, onde a apropriação privada se ocupa de grande parte, ainda se reconhece um lugar do HUMANO no espaço URBANO, público e/ou coletivo.

O pedaço, a parte do todo da cidade, do sistema viário, pode se REVERTER e se transformar em lugar de troca, de sociabilidade, de disputa, de privatização e de percurso: um PASSEIO para a cidade de nossos dias tal qual foi concebida.

*Adriane Matthes é doutoranda em Urbanismo pelo programa POSURB da PUC Campinas e Bolsista pela CAPES. Graduada em Arquitetura e Urbanismo pela PUC Campinas, com Mestrado em Urbanismo pela PUC Campinas, atualmente é professora titular da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais.

 
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