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Sérgio venceu a disputa eleitoral com 48,88% dos votos.
Sérgio venceu a disputa eleitoral com 48,88% dos votos.

A entrevista com o futuro prefeito de Poços de Caldas, Sérgio Azevedo, foi uma das mais rápidas desta editoria. Em apenas 18 minutos, com respostas objetivas, o engenheiro falou sobre a campanha eleitoral, as principais mudanças que pretende fazer na prefeitura e o processo de transição.

Segundo ele, o principal desafio vai ser reorganizar as contas do município e conquistar capacidade de investimento. Sérgio está ciente que pode passar quatro anos sem nenhuma grande obra, mas quer deixar a marca de uma gestão próxima do povo.

Poços Já: Como você avalia o nível das campanhas eleitorais neste ano?

Sérgio Azevedo: A gente fez uma campanha limpa, ética, como a gente tinha proposto. Uma campanha propositiva para a cidade. Infelizmente houve muitos ataques, candidatos contratados para falar mal. Essa política antiga, velha, que o povo já tinha mostrado que não queria e mostrou novamente, desta vez, que não quer isso. Mas parece que tem pessoas que não aprendem.

Poços Já: Você era o candidato mais desconhecido, como fez para mudar isso?

Sérgio Azevedo: Eu nunca me preocupei com pesquisa, a última coisa que eu acho que deve preocupar é o lugar que você está em pesquisa. Pesquisa mede o grau de conhecimento da pessoa, quando está muito antes da campanha. Então vai aparecer sempre quem é mais conhecido. Eu tinha convicção de que, quando eu tivesse o mesmo grau de conhecimento dos outros, a gente passaria. E foi o que aconteceu. Quando foi chegando o final e todo mundo tinha o mesmo grau de conhecimento na cidade, a gente passou. Isso já era previsto, a gente planejou. A gente fez uma pesquisa inicialmente só entre quem conhecia os candidatos e eu já ganhava disparado.

Poços Já: Por que você acha que teve uma votação tão grande?

Sérgio Azevedo: Acreditaram no que a gente quer propor, uma política diferente, nova, mais técnica. Acabar com isso de amigos, correligionários, governar com partido. Eu quero governar para a cidade. Percorri a cidade inteira, conversei com inúmeros moradores, e a gente foi detectando vários problemas, vivenciando a dificuldade deles. Como a gente não tinha rejeição, a tendência era eles irem abraçando a candidatura. E foi o que aconteceu.

Poços Já: Por ter percorrido a cidade, você passou a conhecer uma realidade mais dura do que imaginava?

Sérgio Azevedo: Eu não esperava que tivesse tanto problema na saúde, porque a prefeitura vendia uma ideia de que a saúde estava maravilhosa. Quando eu comecei a rodar eu vi que não, que tinha muitos problemas. E não eram pontuais, eram generalizados, de exames, cirurgias e remédios. Até na Zona Rural, muito problema. Fora outros problemas, de cada bairro, que o morador chegava pra gente e dizia: “Isso faz 15 anos que não resolve”. Coisas que só não foram resolvidas porque ninguém foi ver. Faltou um contato maior do Executivo com a população para poder detectar esses probleminhas que poderiam ter sido resolvidos há muito tempo.

Poços Já: E como você pretende manter esse contato?

Sérgio Azevedo: Eu pretendo fazer um governo mais próximo da população, realmente como meta. Quero pelo menos três dias da semana para serem dias de rodar a cidade, cada dia em uma região, para a gente poder dar essa oportunidade da população de estar vivenciando a visita do prefeito nos locais e pedir as coisas, as necessidades básicas. E não são grandes, os pedidos da população na verdade são mínimos, mas que atrapalham.

Poços Já: A rejeição ao PT, que cresceu nacionalmente, também colaborou para a sua vitória.

Sérgio Azevedo: Com certeza, colaborou demais. O país não aguenta mais o governo do PT, queria realmente uma mudança. Só que nós tínhamos oito candidatos, uma eleição difícil. Essa onda anti-PT poderia ter ido para qualquer um, mas veio para a gente, porque a população acreditou nas nossas propostas.

Engenheiro civil, Sérgio é servidor da Secretaria de Obras.
Engenheiro civil, Sérgio é servidor da Secretaria de Obras.

Poços Já: No primeiro debate você passou mal, estava muito nervoso, mas nos debates seguintes mostrou mais segurança. Como foi esse processo? Houve um treinamento?

Sérgio Azevedo: Sim. Para o primeiro debate eu me preparei tecnicamente, mas não psicologicamente, porque eu não sou político. Eu não estava acostumado com aquele ambiente e achei que iria ser tranquilo, mas na verdade não foi. Eu acabei tendo um pico de estresse que juntou com a campanha, que vinha pesada, desde janeiro na pré-campanha, acordando cedo e dormindo tarde todo dia. Às vezes você não detecta que está com estresse. Mas a gente teve 20 dias depois para o segundo debate. Eu me preparei melhor, psicologicamente, com treinamento. A gente começou a ver como faria no debate, como deveria me portar. E mudou totalmente, nos outros três debates a gente participou com tranquilidade e ali eu conquistei a população. Hoje as pessoas me param na rua e dizem que votaram em mim por causa do debate. Então eu consegui me superar. Acharam que eu estaria morto no debate, e foi ali que eu cresci.

Poços Já: Como está sendo o início do processo de transição?

Sérgio Azevedo: Eu já tive uma reunião com o prefeito Eloísio e ele foi extremamente receptivo, já colocou a prefeitura à disposição para fornecer todos os dados. Acho que vai ser uma transição bem tranquila e democrática, como tem que ser.

Poços Já: Como vai ser a participação do Flávio Faria como vice-prefeito, já que ele é muito ligado à área de educação?

Sérgio Azevedo: Eu quero que ele seja um vice efetivo, atuante, então nós vamos ainda conversar em qual área que ele gostaria de trabalhar melhor, além da educação, que é a área dele. Para que ele seja um vice atuante, não quero vice decorativo. A gente precisa de um vice que realmente ajude o prefeito e ele tem todas as condições.

Poços Já: Qual vai ser a sua primeira medida como prefeito?

Sérgio Azevedo: A primeira é a redução do salário do prefeito. Essa é uma promessa da nossa campanha, compromisso. É até uma simbologia, de mostrar para a população que a administração veio para mudar, que precisa ser austera e para começar corta da própria carne.

Poços Já: E quanto ao piso salarial dos professores?

Sérgio Azevedo: É outro compromisso de campanha que a gente precisa cumprir, não é fácil. É o que eu falei no debate, lei não se discute. Lei se cumpre. Como vai cumprir? A gente vai ter que dar um jeito, até porque os professores merecem ser valorizados. Se a gente quer ter um bom ensino para as nossas crianças, acima de tudo nós temos que valorizar os professores.

Poços Já: Enquanto engenheiro e servidor da Secretaria de Obras, o que você vai mudar nessa área?

Sérgio Azevedo: Eu acho que falta prevenção. Esse ano nós tivemos três exemplos: as enchentes; problema lá no Dom Bosco, que estourou o tubo de aço; e problema na Monsenhor Alderige. Mas a gente já sabia que ia estourar, a Secretaria de Obras já sabe que está com a vida útil vencida, precisa trocar. Mas nenhum prefeito quer trocar, porque acha que é obra que não dá voto. Então nós vamos fazer preventivamente esses projetos, buscar verba federal, estadual, tentando trocar preventivamente. Tentando mudar o jeito que está, que é “estourou e trocou”, porque pode ter uma vítima.

Poços Já: O que você acredita que o Eloísio fez bem e que pode ser mantido?

Sérgio Azevedo: Uma das coisas que ele fez bem acho que foi o Distrito Industrial, está caminhando bem mas tem algumas coisas para melhorar. Hoje não tem telefone, não tem Estação de Tratamento de Esgoto, que é o TAC que precisa ser cumprido, e precisa de uma subestação elétrica, para ficar tranquilo quanto a energia quando tiverem outras empresas lá. É um investimento longo, de três anos e caro. Quando fizer esses investimentos e acabar o asfalto, completou.  Mas ele fez um investimento bom, tirou realmente do papel e fez funcionar. Graças também ao governo estadual anterior, do Anastasia, que primeiro conseguiu a Thyssenkrup e deu também quatro milhões para o asfalto. Todo o asfalto que está lá foi o governo do estado que deu.

Poços Já: Houve avanços nas políticas culturais, como a criação da Secretaria de Cultura. Isso será mantido?

Sérgio Azevedo: Sim, isso era uma preocupação de alguns membros da cultura. Me procuraram até antes da eleição, porque soltaram alguns boatos de que eu iria acabar com a Secretaria de Cultura. Eu falei que não, de jeito nenhum. Está funcionando bem, vamos procurar melhorar. Foi um dos acertos, a Secretaria de Cultura funcionou bem. Mas tudo pode melhorar.

Poços Já: Outro problema é a questão do asfalto. É um problema antigo, que fica no tapa-buracos e não no recapeamento das ruas porque sempre dizem que não tem verba para isso. É possível resolver?

Sérgio Azevedo: É possível. Esse asfalto feito agora foi todo terceirizado, a um preço mais caro para a prefeitura. Nós temos uma usina de asfalto moderna, que está subutilizada e hoje usa 10% da capacidade dela. Nós temos que ter dois equipamentos: um acabador e um rolo. Na hora que tivermos esses dois equipamentos vamos fazer com equipe própria nos quatro anos. A usina já está lá, que é o mais caro, mão-de-obra a gente tem. Falta só comprar os equipamentos. Você compra e parcela em cinco anos, a um custo mínimo para a prefeitura, e durante quatro anos vamos planejar certinho e fazendo aos poucos. E não fazer obra eleitoral em período de eleição. A cidade vai ver a diferença, um prefeito trabalhando os quatro anos.

Poços Já: Já há alguma informação sobre a situação financeira da prefeitura?

Sérgio Azevedo: A gente não tem a noção exata, a gente tem o que a gente vê: os atrasos absurdos que tem na prefeitura. A equipe de transição vai estar trabalhando a partir de quinta-feira. Mas o que a gente imagina é uma situação bem complicada, com déficit mensal acima de cinco milhões.

Conhecido como "Sérgio da Coopoços", prefeito eleito é presidente da cooperativa há 14 anos.
Conhecido como “Sérgio da Coopoços”, prefeito eleito é presidente da cooperativa há 14 anos.

Poços Já: O município também tem dificuldade de conseguir financiamentos por conta da falta de CND (Certidão Negativa de Débito). Como resolver isso?

Sérgio Azevedo: Andar em dia com os pagamentos. O INSS não é pago, por isso não tem CND. O INSS da prefeitura é de três milhões e meio por mês, e não é recolhido. Se não recolhe, não vem CND. Os que foram pagos na verdade foram parcelados, tanto é que a dívida fundada do município aumentou de 53 milhões para 110 e provavelmente vai chegar a 140 no final do ano. É uma situação muito ruim, além de outras coisas que está devendo e de ter retirado 160 milhões do DME. Então imagina se nós não tivéssemos o DME, em que situação estaríamos.

Poços Já: Além disso, há o problema da crise econômica e o corte nos investimentos dos governos federal e estadual. Como fazer para investir na cidade nesta situação?

Sérgio Azevedo: Primeira coisa é cortar em toda parte que pode cortar. Hoje a prefeitura está com o ralo todo aberto, ela não tem nenhum controle de despesas que poderiam ser evitadas. Gasta-se demais. A primeira coisa é colocar um ralinho na pia, para a água não ir embora mais, e aí você vai vendo onde pode liberar. No início, vou segurar tudo na minha mão. Vou liberando conforme eu ver que precisa mesmo. Aumentar imposto não dá, então a gente tem que segurar no custo. Não tem um planejamento, a gente não tem uma obra na secretaria que é planejada. É coisa que vai assim, a Deus dará.

Poços Já: Então você corre o risco de não ter nenhuma grande obra no seu governo.

Sérgio Azevedo: Pode acontecer, mas eu não estou preocupado com isso. Meu mandato não é para me projetar para nada, não é para me fazer deputado, porque eu nem quero. Meu mandato é para consertar essa parte da prefeitura, botar a prefeitura viável novamente, permitir investimentos e para atender a população. Eu acho que tem tudo para dar certo, a esperança da população está muito grande. Eu ando nas ruas e a receptividade é assustadora, o pessoal com aquela esperança de que vai dar certo. Aumenta a nossa responsabilidade, de realmente tentar atender a essa expectativa.

Poços Já: Qual você acredita que será a sua marca como prefeito?

Sérgio Azevedo: Não sei, às vezes a gente pensa de um lado e vai do outro. Acho que a grande marca é um prefeito que a cidade vai ver que administra. A cidade vai ver andando na rua, nos bairros, nas secretarias, participando da vida da cidade. Não vai ser um prefeito de terno e gravata, vai ser assim, como eu sou. Vou continuar sendo igual e a cidade vai perceber essa diferença.

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