sábado , 28 Março 2020

DE MÃE PARA FILHA | Restaurante e buffet criado há 40 anos se renova sem perder a tradição

Maria José e Ana Cristina contam ao Poços Já Mulher os desafios de empreender.


Família é responsável pelo L’Itália, que hoje tem loja gourmet (foto: Mariana Negrini/Poços Já).

Duas mulheres, uma mesma paixão: empreender. Essas são Maria José Geraldi Rezende e Ana Cristina Geraldi Rezende, mãe e filha. Donas da marca L’Itália, tradicional em Poços de Caldas, elas lembram dessa história e revelam ao Poços Já Mulher os segredos para ter um empreendimento de sucesso.

Tudo começou há 40 anos, quando Maria José decidiu fornecer doces, salgados e bolos para festas infantis. O que era ocasional foi caindo no gosto dos clientes e ela abriu um comércio voltado para lanches, bolos e porções. “Fomos aumentando nossa atuação no mercado. Foi muito difícil, todo comércio é muito difícil, requer muitos anos de trabalho, de dedicação, e conquistar a confiança dos clientes. Tem que estar presente todos os dias”, analisa.

Ela conta que se dedicou muito, priorizou um bom atendimento, conheceu o paladar de seus clientes e se aprimorou com isso. A partir daí surgiram novos produtos e a empresária se reinventou, com a abertura do primeiro restaurante self service da cidade. Foi neste período que os filhos, inclusive Ana Cristina, começaram a se envolver mais com o negócio. “Trouxe filho, trouxe filha, e hoje eles estão atuando no comércio com aquele propósito do começo, mas agregando coisas melhores. Cada um escolheu um segmento, cada um faz aquilo que acha que é o melhor pro atendimento do seu público”, relata.

Inovação

Ana Cristina tomou a frente do empreendimento nos últimos dois anos, mas ela já via o desenvolvimento da empresa quando pequena. Ela se recorda das inúmeras vezes que ficava esperando a mãe terminar as encomendas de uma festa para poder ir embora. “Aprendi com minha mãe o que é bom, o que é ruim, o que as pessoas gostam, o que a gente precisa fazer pra manter no comércio, em termos de padrão de qualidade, e com o desafio de estar inovando, sem perder a essência do L’Itália. Então eu tenho ainda hoje a responsabilidade de manter as gordices, que são padrão do L’Itália, e agora com uma loja gourmet, que trabalha com alimentos mais saudáveis, mais naturais, com várias opções para dietas”.

Juntas, elas acreditam que as mulheres podem ir além. “Tem que ter força, coragem e seguir em frente, fazendo bons produtos, com qualidade e com muita garra. Porque elas podem enfrentar muitas situações que podem vir a desanimá-las, mas não podem desanimar. Tem que passar por todos os obstáculos e seguir em frente no seu ideal, no seu objetivo”, ressalta Maria José.

“Tem muita coisa contra, te puxando contra, mas a gente consegue superar tudo isso, porque também existe o que está a favor da gente. E essa coragem, essa determinação, é o mais importante hoje”, acrescenta Ana Cristina.

Maria José e Ana Cristina contam que qualidade é primordial no negócio (foto: Mariana Negrini/Poços Já).

Família

Como mulheres e mães, nessa jornada elas tiveram que abdicar de alguns momentos na companhia dos filhos e maridos.  “Eu sentia muito essa separação com meus filhos, mas encontrei no caminho pessoas que me ajudaram a diminuir esse sentimento. Até hoje me cobro muito, acredito que eles também tenham essa cobrança com relação a mim, porque era muito difícil conciliar comércio, casa, escola, reuniões de pais, muita coisa que criança exige. Isso daí foi muito difícil. É uma luta, uma batalha.Graças a Deus eu consegui, talvez nem tudo, mas grande parte”, comenta Maria José.

Ana Cristina concorda que  sentiu falta da mãe, mas compreende os sacrifícios e continua essa história. “Meus filhos também cresceram nesse ritmo, porque mesmo trabalhando em família eu sempre cumpri minhas obrigações com horários. Eu também tive que abrir mão de estar com os meus filhos para poder estar trabalhando. Não foi fácil pra mim também. Minha mãe teve essa dificuldade e eu também tive, então a gente sente uma dor no coração de ver que os filhos estão crescendo e a gente não está tão por perto deles. Mas hoje a minha filha também me ajuda, da forma como eu também ajudei os meus pais quando eu era menor. E ela também toma a frente de algumas situações, então já está no sangue. A gente percebe que a sequência está aí, a nova geração já está chegando junto”.

Há 40 anos, quando Maria José decidiu ter o próprio negócio, era mais difícil e ousado ser uma mulher empreendedoras. Ela precisou trabalhar dobrado para conquistar a confiança dos clientes. “A credibilidade era diferente. Então você tem que trabalhar muito, fazer produtos, que é o que eu sempre fiz, com qualidade, com muita higiene, e trabalhar com matéria prima de primeira. Isso é o segredo”, conta.

A responsabilidade de Ana Cristina é grande. Além de manter o próprio negócio, ela herdou a marca que a mãe criou. Com consciência disso, ela busca sempre preservar o nome. “Foram 40 anos de dedicação para construir tudo, foi muita luta e batalha. Minha mãe sempre foi muito exigente, aprendi com ela e hoje eu mantenho isso. Não é fácil manter isso sozinha, digamos assim. Eu preciso mesmo estar ali, muito atenta, porque ela sempre teve esse olhar muito atento a tudo. De longe, sem precisar comer, muitas vezes ela já sabia se estava bom, se não estava. Eu tenho esse know-how dela, mas não posso deixar a peteca cair”.

 

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