terça-feira , 2 junho 2020

Ginecologista alerta para perigos das pílulas anticoncepcionais

Embolia pulmonar, trombose e AVC estão entre os riscos. Uma das alternativas é o DIU, que pode ser colocado por meio do SUS.


Apesar de eficácia contraceptiva elevada, uso da pílula pode trazer riscos (foto: Camilla Resende).

A pílula anticoncepcional está entre os contraceptivos mais utilizados pelas mulheres brasileiras. Pesquisas apontam que aproximadamente 30% optam pelo método. No entanto, apesar de sua eficácia elevada, a pílula hormonal tem efeitos colaterais e pode oferecer riscos à saúde de algumas mulheres.

A ginecologista Bárbara Paiva Quintão, de Poços de Caldas, explica que os principais perigos estão ligados às alterações da coagulação sanguínea, como trombose venosa profunda (TVP), eventos cardiovasculares (AVC e infarto) e embolia pulmonar. “Mulheres jovens e saudáveis apresentam baixo risco de trombose associado à pílula. A incidência de eventos trombóticos em mulheres que usam pílula é em torno de 10 casos para cada 10 mil mulheres. Já em grávidas é de pelo menos 30 a cada 10 mil. Logo, estar grávida acarreta um risco três vezes maior de trombose que o uso da pílula”, pontua.

Um dos casos mais surpreendentes que a reportagem do Poços Já Mulher encontrou foi o de Adriana (que não autorizou a publicação de seu nome completo). Ela utilizava pílula hormonal e sofreu sérias consequências. Em janeiro deste ano, durante o horário de trabalho, sentiu dor de cabeça muito intensa e o lado esquerdo do corpo paralisado. Depois de ir ao médico, descobriu que sofria de enxaqueca e que o contraceptivo pioraria o quadro, além de atrapalhar o tratamento. “A bula da pílula que eu tomava dizia que quem tem enxaqueca ou faz tratamento deve informar o médico, mas eu nunca me atentei, só fui ler depois do desmaio que tive”, relata. Desde o episódio, iniciou o tratamento contra enxaqueca, não tomou mais pílula e procura outro contraceptivo, mas conta que ainda não fez sua escolha por não se sentir bem informada sobre outros métodos.

A ginecologista reforça a importância de procurar um especialista antes de escolher outra opção de contraceptivo. “É importante destacar que antes de qualquer decisão é necessário consultar um médico especializado, pois ele irá dizer quais são os riscos e benefícios de abandonar um método, além de auxiliar na busca de outros métodos que sejam mais adequados de acordo com seu organismo”, explica.

A ginecologista Bárbara Quintão diz que casos de trombose ocorrem em torno de 10 a cada 10 mil mulheres que tomam pílula (foto: divulgação).

O número de mulheres interessadas em abandonar os métodos hormonais tem crescido muito, fato que Bárbara atribui aos debates nas redes sociais. “Atualmente tem se falado muito nas redes sociais sobre os efeitos colaterais e riscos dos contraceptivos hormonais, principalmente os de alta dosagem. Diante disso, mulheres têm solicitado cada vez mais aos seus médicos métodos alternativos, com efeitos colaterais praticamente nulos e, de preferência, sem hormônios”. Há ferramentas online que auxiliam na busca por informações a este respeito. Exemplo disso é o site Direito de Escolha, que compara métodos e traz informações sobre cada um.

DIU de cobre

DIU de cobre tem sido opção procurada por mulheres que querem se livrar dos contraceptivos hormonais (foto: internet).

A atriz Victória Silveira, de 18 anos, após um ano e meio tomando a pílula começou a sentir dores fortes nas pernas e a libido muito baixa. Diante dos sintomas, pesquisou a respeito do anticoncepcional e viu que os sintomas poderiam estar ligados ao uso do remédio. “Meu pai já teve trombose, então o risco de eu ter era bem grande, com o anticoncepcional a probabilidade era ainda maior. A médica sequer tocou nesse assunto comigo quando receitou a pílula”. Após interromper o uso, Victória se informou no PSF (Programa de Saúde da Família) sobre a colocação do DIU de cobre pelo SUS e agendou consulta para realizar o procedimento.

O Dispositivo Intrauterino provoca uma reação inflamatória na mucosa que recobre a face interna do útero, destruindo os espermatozoides, além da ação espermicida própria do íon cobre e da diminuição da sobrevida do óvulo no trato genital, fatores impedem que a fecundação ocorra. Apesar da boa funcionalidade, nem todas as mulheres podem optar por este método. Há contra indicações absolutas a casos de gravidez suspeita ou confirmada, infecção pós parto ou pós aborto, doença inflamatória pélvica, sangramento sem diagnóstico, alguns tipos de cânceres e alterações anatômicas uterinas que impeçam o posicionamento correto do DIU, além de outras contra indicações relativas, que variam de mulher para mulher.

Independente da escolha do método contraceptivo, é sempre necessário o uso de preservativos, como lembra Bárbara. “De qualquer maneira, não se pode esquecer da importância do preservativo. Independente de qualquer método, seja hormonal ou não, quando se trata das doenças sexualmente transmissíveis”, afirma.

1 Comentário

  1. E sobre os injetáveis? Os ativos são acetato de medroxiprogesterona e o cipionato de estradiol. Pesquisei nesse site http://cyclofemina.com.br que tem informações da bula mas não achei sobre esse assunto específico. Aguardo resposta!

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