domingo , 31 Maio 2020

“Senti preconceito por ser mulher”, afirma empresária

Depois de passar por multinacional e enfrentar doença autoimune, Valeska Figueiredo faz sucesso no ramo de autoescolas.


O ramo dos negócios pode ser extremamente conservador, já que a presença das mulheres em setores dominados por homens ainda incomoda. Esse é o caso da empresária Valeska Figueiredo, proprietária da autoescola Unitran.

Formada em análise de sistemas, ela trabalhou por dez anos em uma multinacional e aproveitou para se especializar em gestão de negócios. Mas foi a descoberta de uma doença que a fez reorganizar sua vida. “Em 2006 eu descobri que tenho lúpus, uma doença autoimune, e tive que começar a repensar meus planos. Eu já sabia que aquela vida agitada que eu tinha trabalhando numa multinacional, uma hora ia ter que passar. Nessa época eu casei e tinha planos de engravidar, só que devido à doença não era tão simples assim. O que eu fiz foi tocar aquilo ali, fiz o meu pé de meia, me organizei financeiramente para ter algumas coisas e poder abrir mão da minha profissão, estabilizar a doença e engravidar”, relembra.

Seis meses depois de ter o filho, Gabriel, e já sentindo o peso por ter abandonado a vida profissional, Valeska começou a pensar numa maneira de voltar aos negócios. Foi quando surgiu a proposta de comprar uma autoescola e montar sua própria equipe.

Valeska comemora um ano da autoescola, fundada em agosto do ano passado (foto: Juliano Borges/Poços Já).

Os desafios

A empresária conta que um dos principais obstáculos encontrados foi o preconceito. “Eu ainda sofro muito preconceito. Primeiro isso aconteceu pela idade, porque comecei nesse ramo com 31 anos, ou seja, não era nem muito nova, nem muito velha.  Lembro que fui obrigada a ouvir coisas como ‘uma jovem aventureira’. Depois, naturalmente, senti preconceito por ser mulher. As pessoas desacreditam ou se incomodam com esse fato. Mas isso só me engrandece mais ainda”, conta.

A paixão pela profissão também a levou a querer tirar suas próprias habilitações. Depois de adquirir a de moto e carro, estudou para conseguir a carteira D, para dirigir micro-ônibus. “Tirei essa carteira mais com a intenção de me satisfazer. Eu pensei que, já que sou empresária do ramo, não custa nada tentar”, comenta.

“Ainda falta a habilitação para dirigir carreta, eu chego lá! Acho que vai ser legal apresentar a CNH E e poder dizer ‘todas as categorias eliminadas com sucesso”, acrescenta aos risos.

Autoescola fica no Centro de Poços de Caldas (foto: Juliano Borges/Poços Já).

Sucesso

Segundo Valeska, estar à frente da Unitran foi uma de suas maiores conquistas até então. Não é à toa que, menos de um mês depois da inauguração, o faturamento aumentou 120%. “Isso me assustou um pouco, mas conseguimos administrar bem e hoje minha equipe é o dobro do que quando comecei”.

O processo foi árduo, mas a conclusão é positiva. “Me encontrei nisso, porque eu já tinha esse espírito de gestão de empreender. Passei por uma fase difícil, de ter que abrir mão da minha vida profissional. Deus foi eternamente grato e colocou na minha mão uma empresa para eu colocar em ação tudo que sempre sonhei”, finaliza.

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