Rafael Santos durante a Ultramaratona Caminhos de Santa Rita de Caldas (foto: fotoxtreme/ Renato Tavares)

Seguindo a preparação para a Meia Maratona das Águas, o professor Fernando Nascimento colocou entre meus treinamentos um grande desafio: participar do revezamento da 4ª edição da Ultramaratona Caminhos de Santa Rita de Caldas, prova de 52 km que liga Poços de Caldas a Santa Rita de Caldas e aconteceu no último sábado (13).

A participação foi uma surpresa do professor Fernando Nascimento, já que em um primeiro momento eu não iria participar. O problema é que faltando uma semana, durante um treinamento, machuquei meu pé esquerdo por não seguir corretamente as orientações do professor e por estar com um tênis desapropriado para a corrida.

Tive muitas dores durante a semana que antecedeu a Ultra, no começo não conseguia nem colocar o pé no chão. Fui fazer meu primeiro treino dois dias antes do evento e ainda com muita dor. Pensei que não poderia participar. Mas, com sua experiência, o professor Fernando me manteve na prova, me colocando em um trio juntamente com ele próprio e com outro grande corredor, Gilberto Araújo. Fiquei assustado no começo, pela qualidade dos outros atletas do trio, mas o professor me acalmou, dizendo que me colocou com eles porque, caso eu não conseguisse correr, eles completariam a prova sozinhos. Mas, não só consegui completar, como chegamos na 5ª colocação entre os 10 trios participantes. E poderia ser melhor.

Gilberto Araújo, Rafael Santos e Fernando Nascimento. Trio ficou em 5º lugar na Ultramaratona (foto: divulgação)

A prova

A largada da Ultramaratona Caminhos de Santa Rita de Caldas aconteceu às 7h do último sábado (13), no Hotel Fazenda Poços de Caldas. Nos reunimos pouco depois das 6h, ainda escuro e com aquele frio que quem mora em Poços de Caldas conhece bem. Foram quatro trios da equipe Nafar, também participaram da prova os trios com Carol Cagnani, Valeska Figueiredo e Sidney Reis; Carmen, Gustavo Bonafé e Danilo e Fabrício, Zanatta e Roberto Bertholdo.

Os atletas da Nafar que participaram da prova (foto: Fotoxtreme/Renato Tavares)

Pouco antes da largada, fizemos um pequeno briefing sobre o circuito com o Zanatta, um dos corredores mais experientes e vencedores da equipe Nafar. Somente alguns minutos antes do início foi que o professor Fernando me avisou que eu faria o primeiro trecho, segundo ele para perder o medo por causa da lesão. Naquele momento eu era uma pilha de nervos.

Larguei junto com o restante dos atletas, que vieram de várias cidades participar da prova, como:  Pouso Alegre, Santa Rita do Sapucaí, Caxambu, Andradas, Poços de Caldas, São João da Boa Vista, Matão,  Indaiatuba, São Paulo e Campinas. Seguimos a Rodovia do Contorno por alguns quilômetros até o trevo da Sanitex, onde pegamos estrada de terra rumo a Pocinhos do Rio Verde. Ainda receoso, fiz um ritmo confortável até o quilômetro 3.5, onde estava combinada a primeira troca. Foi uma distância curta, mas de superação, onde eu percebi que era possível completar a prova. Muito feliz, fiz o primeiro revezamento com o Gilberto, como pode ser visto neste vídeo gravado pelo Professor Fernando.

A partir desse momento, entrei de vez na prova. Tivemos o apoio total da dupla Patrícia Kelly e Patrícia Freitas, que ficou na direção do carro de apoio, que proporcionou a alimentação necessária para uma prova tão difícil, com água, frutas, alimentos com açúcar e isotônicos, entre outros. Elas foram fundamentais para o bom andamento do trio.

Fomos fazendo as trocas uma atrás da outra, eu para o Gilberto e o Gilberto para o professor Fernando e assim sucessivamente. Uma das dificuldades foi a poeira levantada pela grande quantidade de carros de apoio. Seguimos a estrada por quase 30 km, em direção a Pocinhos do Rio Verde. Com o desenrolar da prova, percebemos que o ritmo era muito melhor se diminuíssemos a distância para cada troca e, o que começou com cada atleta fazendo 3.5 km por trecho, terminou conosco revezando a cada 2 km. A cada troca a passagem de energia no aperto de mão.

Fomos melhorando o ritmo a cada revezamento. Meu pé doía. Mas, naquele momento,  já éramos só coração, queríamos melhorar nosso tempo e chegar o mais rápido possível. Ao passar pelo centro de Caldas, o professor Fernando imprimiu um ritmo forte, me passou o bastão imaginário colado em um trio que estava na nossa frente, segui firme e consegui fazer a ultrapassagem, momento marcante na minha vida de atleta, já que até aqui só havia competido comigo mesmo. Seguimos fortes até Santa Rita de Caldas, no final cruzamos a linha de chegada juntos, 4h29min depois da largada, com um honroso 5º lugar em meio a dez trios. Foram mais de 18 km percorridos individualmente e 52 km vencidos pelo trio. Foi, com certeza, um dos dias mais felizes da minha vida.

A ultramaratona

Com todos os problemas que uma prova desse porte pode ter, os atletas participantes adoraram a experiência. O título da categoria solo ficou com Kleber Felipe dos Santos, que terminou os 52 km com o tempo de 3h48min40seg. A dupla campeã foi  Thiago Gomes e Camilo Campos, ao cruzar alinha de chegada com o tempo de 4h9min12seg. Já por trios, os campeões foram Leandro, Neto e Ernesto, com o tempo de 3h30min18seg. Quem quiser conferir mais detalhes é só acessar o site www.fotoxtreme.com.br, que gentilmente cedeu algumas imagens, do fotógrafo Renato Tavares de Albuquerque, para essa reportagem.

Pódio da categoria solo. (foto: fotoxtreme/ Renato Tavares)

O organizador do evento, Mariano Moraes, da Associação Reveza Racing, ficou feliz com o resultado. “Nossa ultramaratona foi um sucesso graças à união das cidades de Caldas, Santa Rita de Caldas e Poços de Caldas. Os atletas saíram maravilhados com nossa região. Não tivemos nenhum comentário negativo, apenas elogios. Todos foram unânimes em afirmar que voltam ano que vem trazendo novos participantes. O Reveza Racing agradece a colaboração de todos e promete muitas emoções em 2019”, diz Mariano.

A atleta Valeska Figueiredo participou pela primeira vez da Ultramaratona e ficou muito feliz de ter superado esse grande desafio. “Essa corrida foi uma mescla de sentimentos. Veio uma ansiedade porque, por mais que a gente reveze, o peso dos 52 km existe. Foi engraçado, não dormi na noite anterior pela ansiedade, mas iniciei a prova e pouco antes da metade comecei a achar fácil. No final comecei a sentir o pé, porque esfriávamos, aí começou a bater o desespero. Mas, graças a Deus eu consegui”, relata Valeska, que teve o peso de ser a integrante do trio finalizar a prova e teve que encarar a última subida, que era muito pesada.

Valeska conta com a ajuda dos amigos da Nafar para completar a prova (foto: Rafael Santos/Poços Já)

“Quando eu cheguei e vi aquele tamanho de morro, pensei que tinha que me superar e finalizar com chave de ouro. O melhor de tudo é que a turma da Nafar desceu e me acompanhou e me ajudou a subir. Foi uma energia tão contagiante que meu emocional só me disse para finalizar com sucesso. Foi uma sensação incrível em todos os momentos, principalmente na hora do aperto de mão no revezamento, que era uma grande energia que um passava para o outro. Foi uma garra fantástica”, finaliza Valeska.

Homenagens

Um dos grandes momentos foi ao final da prova, quando Valtinho Pereira, da X Runner e Fernando Nascimento, da Nafar, duas das maiores assessorias esportivas de Poços, foram homenageados e mostraram a importância da união entre os atletas, mostrando que a amizade é mais importante que a competição.

Valtinho, da X Runner, abraço o professor Fernando, da Nafar (foto: Rafael Santos/Poços Já)

O professor Fernando Nascimento foi homenageado com uma placa pelos serviços prestados ao esporte. Ele fez um discurso emocionado. Confira:

A Ultramaratona Caminhos de Santa Rita de Caldas foi só mais uma aventura rumo à Meia Maratona das Águas. Confira muito mais nas próximas reportagens. Até lá!

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