“Eles sabiam de tudo que eu estava fazendo”, afirma Alex Joaquim

Ex-gerente de Futebol da Caldense rebate versão do clube sobre contratos dos jogadores.
Alex Joaquim estava na gerência de Futebol da Caldense desde 2011 (foto: Arquivo Poços Já).

O furacão que deixou a Caldense de pernas para o ar nos últimos dias foi embora. Após a sucessão de fatos que tirou Alex Joaquim da gerência de Futebol e paralisou as atividades do time, a diretoria da Caldense se acertou com atletas e comissão técnica e segue forte para a disputa da Série D do Campeonato Brasileiro. O único atleta a deixar o time foi Ewerton Maradona, que recebeu proposta para jogar em outro clube.

O único cargo vago na Veterana é a gerência de Futebol, já que Alex Joaquim deixou mesmo o clube, após ter prometido aos jogadores, na montagem da equipe para a Série D, que os contratos seriam estendidos até o Campeonato Mineiro do ano que vem, algo que não foi aceito pelo conselho fiscal do clube e que culminou no pedido de demissão do dirigente.

Em conversa com o Poços Já, Alex Joaquim confirmou o motivo da sua saída, mas rebateu os falas do presidente da Caldense, Antônio Bento Gonçalves, que havia dito em entrevista coletiva que não tinha conhecimento da duração dos contratos.

“Tudo que fiz na renovação dos jogadores foi de consciência do Seu Toninho (Bento Gonçalves). O Vitor Hugo vinha todo dia aqui no C.T., eu passava tudo para ele o que estava acontecendo e ele levava para o pessoal da diretoria. A matéria do Wellington Rato, que está no Facebook da Caldense, fala que ele renovou até 2018. Quando os atletas se reapresentaram,  no Facebook da Caldense fala que eles renovaram até 2018. Então, eles sabiam sim, mas, se o pessoal do Departamento Financeiro não quis assinar, é outra situação, totalmente diferente. Pode olhar no Facebook da Caldense, tem notícia falando que os jogadores renovaram até 2018. Como que não sabia?”, questiona o ex-gerente de Futebol da Caldense, que relata como foram seus últimos momentos no clube.

“Ele (Antônio Bento Gonçalves) falou que não poderia cumprir (o contrato) e eu falei também  que a minha palavra que eu tinha dado para os jogadores eu não ia voltar atrás, que então era para ele me demitir, e ele me demitiu. Foi isso que aconteceu”, conta Alex.

Legado

Na Veterana desde 2011, a era Alex Joaquim foi muito positiva para a Caldense. Desde que assumiu o comando do futebol do Clube, Alex conseguiu livrar o time do rebaixamento no primeiro ano e daí por diante realizou com a Caldense ótimas campanhas, a melhor delas a do vice-campeonato mineiro de 2015.

“Saio da Caldense de cabeça erguida, porque eu tenho certeza que o trabalho que eu fiz foi muito bom. Eu peguei a Caldense em 2011, com sete jogos no Campeonato Mineiro e apenas quatro pontos na tabela. Um time que estava arriscado a cair para a 2ª divisão. Eu trouxe o Roberto Fonseca, vários jogadores e em dois jogos nós tiramos a Caldense da zona de rebaixamento. Nós ganhamos um  jogo contra o Tupi em Juiz de Fora e do Ipatinga, por 2 a 0 aqui em Poços. Afastamos qualquer risco da Caldense cair naquele ano”, lembra o dirigente, que recorda ainda as boas campanhas do time daí por diante.

“Em 2012 eu trouxe o Ademir Fonseca, fizemos um bom campeonato. Em 2013, com o Tarcísio Pugliese, fizemos um bom campeonato.  Em 2014, na primeira passagem do Léo Condé, ficamos a dois pontos de conseguir chegar no quadrangular final. Em 2015 fomos vice-campeões mineiros. Em 2016 e 2017 dois quintos lugares. Deixo a Caldense com quatro anos de Campeonato Brasileiro consecutivo, porque ano que vem vai  ser o quarto e já está garantido. Deixo a Caldense com quatro participações na Copa do Brasil em 5 anos de trabalho. Deixo a Caldense no 68º lugar no ranking da CBF, coisa que a Caldense estava abaixo do 180º lugar. Dos anos 90 para cá deixo o futebol da Caldense em seu melhor momento. Deixo um plantel que é considerado um dos mais fortes da Série D do Campeonato Brasileiro, com uma folha salarial de apenas R$100 mil. Então, saio de cabeça erguida, com o dever cumprido e para as pessoas que duvidavam de mim, meu trabalho está aí para ser analisado, não preciso falar mais nada”, salienta Alex Joaquim, que, com sua experiência, vai buscar novos rumos dentro do futebol brasileiro.

“Agora é projetar novos ares. Acho que o que eu tinha que aprender aqui na Caldense eu aprendi, o que eu tinha que passar para me tornar mais experiente eu passei. Agora está na hora de eu seguir o rumo dos meus amigos que passaram por aqui e estão brilhando no futebol brasileiro. Está na hora de eu começar a projetar outros clubes do Brasil. Quero descansar pelo menos uns dois meses, para dar uma esfriada na cabeça, mas depois buscar outra equipe para trabalhar, conseguir bons trabalhos como eu fiz aqui na Caldense e, quem sabe, chegar em uma equipe grande do futebol brasileiro”, espera Alex.

Filho do falecido Jânio Joaquim, dirigente que marcou época no futebol da Veterana, e torcedor da Caldense desde criança, Alex diz que vai continuar torcendo muito por seu clube de coração. “Vou estar sempre acompanhando a Caldense nos jogos mesmo estando longe, se eu estiver aqui em Poços estarei no Ronaldão. Quando eu era torcedor e não era funcionário do clube eu ia no Ronaldão ver os jogos da Caldense e vou continuar indo. Torço para esse elenco, porque todos estão aqui por minha causa . Desde a montagem do Thiago Oliveira  até o último dos jogadores fui eu que trouxe, foi com meu aval. Então, eu espero que a Caldense faça um bom campeonato da Série D e que ela possa dar muitas alegrias ao torcedores, como deu nesses últimos anos que eu comandei a equipe. Quero agradecer a todos os torcedores, a toda a imprensa falada e escrita de Poços de Caldas e a toda diretoria da Caldense por ter confiado no meu trabalho”, finaliza Alex Joaquim.   

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