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Carlos Parisi formou-se geólogo em 1963, na USP (fotos: arquivo pessoal)

Quando se fala de Carlos Augusto Parisi, os relatos são cheios de adjetivos, palavras com virtudes embutidas, lembranças que o definem como grande. Nesta homenagem, vamos contar um pouco da história admirável e do impecável caráter que são inerentes a ele. Assim, buscamos entender o legado que deixa enquanto pai, geólogo, cervejeiro, golfista, apicultor, pizzaiolo, empresário. Enfim, enquanto o homem que foi.

Nascido em Poços de Caldas, Carlos formou-se em geologia pela Universidade de São Paulo (USP), em 1963. Desde então destacou-se cada vez mais, sempre demonstrando talento e visão à frente de seu tempo.

Parisi foi contratado pela Companhia Brasileira de Alumínio (CBA) na década de 1960, para atuar na mina de Poços. O geólogo seguiu na empresa até 2009, quando ocupava o cargo de diretor de Minerações. Ainda foi gerente geral de Minerações, de 1995 a 2002, ano em que foi promovido a diretor.

Carlos trabalhou diretamente com Antônio Ermírio de Moraes, na diretoria da CBA

A confiança da empresa no trabalho dele é evidente nestes 44 anos de dedicação. Além de comandar setores importantes e descobrir inúmeras minas de bauxita na cidade e no Brasil, Parisi teve a carreira marcada por fazer questão de implantar a ISO 14.001, que estabelece parâmetros de gestão ambiental, com manutenção da fauna e flora nativos de cada região.

Foi neste período, quando trabalhava na CBA, que Carlos dedicou-se também à apicultura. A área de produção de mel ficava em uma área recuperada, da própria empresa. Havia cerca de 150 colmeias, repassadas para a Associação de Apicultores de Poços de Caldas após a Votorantim proibir a atividade dentro da mineradora. Parisi também plantava aspargos e foi pioneiro na produção local de shitake.

Parisi foi pioneiro na produção local de shitake

Após o falecimento, dia 7 de maio, a CBA divulgou uma nota oficial. O texto cita as conquistas profissionais deste que foi um dos maiores gestores e geólogos da história da empresa. Porém, o que fica é maior do que isso: “Ao longo de mais de quatro décadas, ele desempenhou papel significativo na CBA, deixando um exemplo de simplicidade, respeito às pessoas e visão de longo prazo”, diz o texto.

Golfista

Golfe era uma das paixões dele

Durante toda a vida, o geólogo foi incentivador e praticante do golfe, esporte que começou em Poços de Caldas no ano de 1932. Na época, o campo recebeu o nome de Pedro Parisi, pai de Carlos. O local seria transformado pela prefeitura, em 1983, no Parque Municipal Antônio Molinari.

Em seguida, o campo de golfe locou passou para a Zona Sul, onde Carlos continuava treinando. Era sagrado: todas as quartas-feiras e sábados, sempre com a mesma disposição. Além de praticante, importava-se em colaborar no incentivo ao esporte.

Empresário e pizzaiolo

Engana-se quem pensa que o geólogo deixaria de trabalhar após a aposentadoria. Ele é um dos sócios-fundadores da Bones Cervejaria, de Poços de Caldas. Localizada no Jardim Country Club, completou o primeiro ano recentemente, dia 13 de julho de 2019. Porém, a história da cervejaria começou muitos anos antes da inauguração.

Junto dos filhos Carlos Parisi Filho e Luiz Parisi, além de Luis Paulo Innarelli, amigo próximo à família, o hobby passou a ser profissão. O geólogo passou a ser mestre cervejeiro e um dos maiores incentivadores da nova empreitada, sempre com espírito otimista, curioso e proativo.

Parisi participou de todos os cursos e experimentações feitas por pelo menos quatro anos antes de abrir as portas da cervejaria. Mas ele ia além dos tanques de fermentação, também trabalhava na cozinha: as pizzas feitas por ele eram famosas e fizeram sucesso desde o primeiro dia da Bones. A massa, desenvolvida pelo próprio Carlos, foi desenvolvida após muita pesquisa em grandes pizzarias brasileiras. Os sócios contam, inclusive, que no início a casa era confundida com uma pizzaria, tamanho o êxito de sua receita.

Empresário era responsável pelas pizzas servidas na Bones

A figura dele também chamava atenção. Alto, porém sem qualquer intenção imponente, circulava pelo local sempre vestindo o avental branco e o chamativo chapéu de cozinheiro. Era na cozinha que ele se sentia em casa. Além de colocar a mão na massa, literalmente, também era uma referência no campo da dignidade e honradez. “Era uma pessoa muito correta, tratava todo mundo muito bem. Então, a gente tenta usar esse exemplo na nossa equipe e para o nosso público. Não reclamava de trabalhar, tinha amor e foco no que estava fazendo. Poder trabalhar com o sobrenome Parisi e com as pizzas dele é uma honra para nós”, comenta o filho Luiz Parisi.

Carlos Parisi Filho, que formou-se engenheiro geólogo, trabalhou com o pai não só na Bones, como na Votorantim. De lá vem outra experiência especial, que só ele teve: ver de perto o impacto que o pai causava não apenas como gestor e geólogo, mas principalmente como líder. “Tive o prazer de trabalhar junto com ele na Votorantim e todos o elogiavam muito, dizendo que era o chefe mais positivo que tinha, mais humano. As pessoas tinham prazer em fazer as coisas que ele pedia. Esse é o maior exemplo que ele deixa pra gente”, resume.

Para Innarelli, nosso homenageado foi um verdadeiro guia. “Sempre que tínhamos alguma dúvida ou precisássemos de uma orientação embasada, ele estava presente com um olhar pontual”, lembra.

Carlos Parisi tinha 83 anos e deixa esposa e quatro filhos. A família é grande e hoje continua firme na proposta de semear tudo que aprendeu com Parisi, além de levar adiante a cervejaria que carrega em si os valores que ele disseminava. Os filhos e filhas, as netas, os primos sócios, todos se unem diariamente nesse negócio. Em cada brassagem, em todos copos da cerveja artesanal, nas pizzas que saem do forno, nos atendimentos que começam com um sorriso. É em tudo isso que vive a memória de Carlos Parisi.

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