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Cortella fez palestra cheia de humor e reflexões (fotos: Juliano Borges/Poços Já)

Filósofo pop e contemporâneo, Mario Sergio Cortella foi protagonista do momento mais aguardado do Festival Literário de Poços de Caldas (Flipoços), na noite de terça-feira (30). Com o Teatro Benigno Gaiga (Urca) lotado e transmissão para a área externa, Cortella explanou sobre o livro escrito a quatro mãos, junto da Monja Coen: “Nem anjos nem demônios – a humana escolha entre virtudes e vícios”.

Sempre em pé, ele ignorou a cadeira na qual todos os outros palestrantes do evento ficam confortavelmente posicionados. Ao percorrer os caminhos entre as escolhas humanas, Cortella foi de Adão e Eva a Mario Quintana, sempre bem humorado e arrancando altas risadas do público.

O discurso, que durou uma hora, foi cheio de frases de efeito: “Cada um de nós é capaz de coisas que são angelicais e demoníacas”, “Por que escolhemos? Porque queremos”, “Você tem um preço e eu também. Aceitar que paguem ou não, é escolha”, “A melhor maneira de ficar vulnerável é achar que é invulnerável”. Todos estes são pensamentos que permeiam o cotidiano e a realidade do livre-arbítrio. Porém, a reflexão deixou de ser, há muito tempo, rotineira. Ou seja, ouvir frases de efeito como essas até que faz bem, ao provocar questionamentos e mudanças internas.

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Filósofo escreveu livro com Monja Coen

Cortella contou o filme “O Resgate do Soldado Ryan”, de Steven Spielberg, sem se importar com os spoilers. O motivo dele ter citado a obra é o final da história, em que o grupo de militares acaba morrendo em prol de trazer o outro de volta. A frase que o personagem de Tom Hanks diz, à beira da morte, para Ryan, é: “Faça por merecer”. Foi aí que Cortella deixou o público emocionado, ao levar cada um a pensar se realmente está merecendo as bençãos da vida ou está entregue aos vícios e maledicências.

“Você não deixa de viver quando o corpo perece, mas quando morre, em vida, tua esperança, tua dignidade, tua vitalidade, tua capacidade de ser decente. Às vezes, as escolhas que fazemos nos conduzem àquilo que perece, esteriliza nossos sonhos, desertifica nossa esperança”, disse o filósofo.

Após fazer o público entender a necessidade de escolhas que sejam positivas não só para a individualidade, mas também para o coletivo, Cortella abordou a utilidade da vigilância. “Não em um estado de vigilância que impeça a liberdade. Mas prestando atenção nos meus atos, nas minhas convivências, e agora, no que é pior, naquilo que a gente se acostuma. A gente se acostuma com o podre. Na vida, na convivência, no ambiente, na política, na igreja, na escola, na cidade”.

Em resumo, o filósofo diz que os erros e acertos, assim como anjos e demônios, virtudes e vícios, são inerentes à condição humana. Nossas humanidades permitem que a gente erre, mas não nos obrigam a errar. O que não pode morrer? A decência, o merecimento, a capacidade de uma boa opção. Por isso, nem anjos nem demônios”.

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