quinta-feira , 23 novembro 2017
Cantina do Araújo

Cabelo, cabeleira

* Karol Dias


“Cabelo raspadinho, estilo Ronaldinho, cabelo pintado ou V-O, cabelo embaraçado, encaracolado, rastafári e Rock’n Roll”.

Como devem ter percebido, hoje vou falar de cabelos, da linda diversidade atual dos cabelos. Até bem pouco tempo atrás havia um certo padrão capilar em voga no Brasil, liso no caso da mulherada e curto ou raspado na ‘homarada’. As chapinhas vieram e com elas trouxeram a escravidão do liso. Era todo mundo alisando o cabelo, até as que já tinham o cabelo liso. Então surgiu a escova progressiva que fizeram com que as alisadas não corressem da chuva como diabo foge da cruz. Claro que as chapinhas e as progressivas tem seu lado positivo, a da praticidade, mas que deixou tudo mais tedioso, isso deixou.

Há alguns dias, vi uma matéria na Folha dizendo que, pela primeira no Brasil, a busca por cabelos cacheados superou a de lisos. Segundo a pesquisa, o crescimento foi de 232% na busca de cabelos cacheados no último ano, e de 309% na procura por cabelos afro. Achei isso sensacional. A aceitação capilar passa também pela aceitação pessoal, e saber que cada vez mais as cacheadas estão felizes com seus cachos é maravilhoso.

Eu sou super adepta a mudanças. Já fui loira, morena e agora ruiva. Já alisei cabelos, cortei e encaracolei. E não é minha intenção, de modo algum, julgar quem ainda prefere usar a progressiva. Se você acha que fica melhor de progressiva, faça! Mas não a faça porque todo mundo tem cabelo liso, faça porque você gosta. Assim como deve assumir seus cachos se assim preferir, sem ligar para comentários muitas vezes maldosos, como o do “cabelo ruim”.  Não existe cabelo ruim, existe o cabelo que você gosta e o cabelo que não. Por exemplo, certa vez resolvi, com minha destreza toda, cortar minha própria franja e o resultado, como era de se esperar, foi péssimo, aquilo sim era um cabelo ruim.

Os homens também estão nesse barco da aceitação. Veja só o Ronaldinho Fenômeno, que inspirou a letra da música que coloquei no começo do texto. Não tem mais o cabelo raspadinho, ele assumiu seu cabelo crespo e, assim como ele, vários homens tem assumido seus cachos e fazendo seus coques estilo samurai.

E cá entre nós, é muito mais legal sair nas ruas e ver essa diversidade de cabelos, lisos, cacheados, crespos, compridos, curtos, raspados, moicanos, coloridos… Né não?!

E termino esse texto com um trecho da célebre música interpretada pela Gal Costa

“Cabelo, cabeleira, cabeluda, descabelada (…)

Cabelo pode ser cortado

Cabelo pode ser comprido

Cabelo pode ser trançado

Cabelo pode ser tingido

Aparado ou escovado

Descolorido, descabelado

Cabelo pode ser bonito

Cruzado, seco ou molhado”

*Karol Dias é formada em jornalismo pela PUC-Campinas e fez curso de moda com Maria Prata.

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