Publicidade
Palestra é destaque da programação da Flipoços 2017 (foto: Gabriela Bandeira/Poços Já).

Sem dar boa noite ou cumprimentar o público, o palestrante se dirige ao púlpito, toma um gole d’água e inicia um falatório sem fim. Quem o acompanha por alguns minutos, logo percebe que a falta de apresentação nada tem a ver com desprezo ou má educação, mas sim com o fato dele demonstrar ter uma mente acelerada.

A fala, ora pausada e mais calma, ora exaltada e quase que sem respirar, já é característica para quem o viu pela TV, rádio, assiste ou assistiu suas aulas nas universidades e até mesmo para aqueles procuraram seu nome no Youtube. Assim como a certeza absoluta de dar boas risadas e, claro, refletir bastante sobre assuntos que não costumam ser o centro das nossas atenções. Essa é uma boa descrição para entender um pouco da experiência de assistir uma palestra do professor Clóvis de Barros Filho.

Casarão

Publicidade
Casarão

Publicidade
Casarão

Publicidade
Casarão

Publicidade

Usando exemplos do cotidiano, o jornalista e advogado, em sua segunda participação no Festival Literário de Poços de Caldas (Flipoços), fala sobre a busca incessante pela felicidade. Passando por Platão, Sócrates e pensadores modernos, além de contar experiências vividas em seu cotidiano e citar nomes de famosos como Robin Williams, Michael Jackson e Amy Winehouse, Clóvis busca uma definição para aquilo que acreditamos que seja ser realmente feliz, relacionando o termo com o amor, chamado por Platão de Éros. “Se você pensar, nesse momento, aquilo que você deseja é também aquilo que você ama. Então, você aprende que a intensidade do amor é a intensidade do desejo, a duração do amor é a duração do desejo. […] O desejo é a falta, o desejo é por aquilo que faz falta, por aquilo que não temos e gostaríamos de ter, aquilo que não somos e gostaríamos de ser, é por aquilo que não fazemos e gostaríamos de fazer […]. Você ama o que deseja e deseja o que não tem”, declara.

O livro Felicidade ou Morte, escrito em parceria com o também filósofo Leandro Karnal, traz reflexões e pensamentos sobre o tema. Para Clóvis, a troca de experiências e pensamentos com outros profissionais enriquece a narrativa. “Na verdade, esses livros são diálogos e, é claro, em torno de temas, você tem algumas coisas que pensamos parecido, outras que pensamos diferente. Eu acho que isso só enriquece o livro e, como ninguém tem a pretensão de ser o detentor de alguma verdade, fica mais fácil, no espirito de tolerância e de amizade, produzir alguma coisa junto”, explica.

No palco, Clóvis não deixa por menos. Por diversas vezes provoca o público sobre o que seria o real sentido da felicidade, além de fazer com que todos reflitam sobre o tema com uso de humor e exemplos extremamente simples. Aplaudido inúmeras vezes durante a palestra, o professor se deixa descontrair junto ao público, onde é difícil encontrar cadeiras vazias. “A felicidade não tem a ver com isso, não? Gostar de estar aonde você está. Ou será que a felicidade tem a ver com querer estar em outro lugar que não aquele que você está?”, questiona quase no final.

Ovacionado por toda platéia, que aplaudiu de pé, o professor agradece inúmeras vezes e confessa esperar que, durante aquela hora e meia que esteve ali, alguém tenha desejado voltar a ouvi-lo, ler o livro que escreveu em parceria com Karnal ou qualquer outro, e até mesmo levar um conhecido da próxima vez. Em suma, que tenha proporcionado, de alguma forma, um momento da incessante felicidade pela qual buscam. Uma palestra para ver e rever. Boa para aqueles que conhecem e não conhecem Clóvis de Barros.

Publicidade