sábado , 19 agosto 2017
Cantina do Araújo

O passado no presente e no futuro


Se tem algo que podemos afirmar é que a tal da moda é cíclica, ela vai e volta e vai e volta e vai e volta mais uma vez. Às vezes você entra na moda por livre e espontânea vontade e às vezes a vontade não é nadinha espontânea. Não, não tem nada a ver com a ditadura da moda, e sim a ditadura da irmã mais velha. Eu já entrei nesse círculo da moda das duas maneiras, porque quis e porque minha mãe mandou.

Se você tem uma irmã mais velha, as roupas dela vão diretamente para você. Até aí tudo bem, normal passar a roupa de uma irmã para outra, a sustentabilidade agradece. Porém, contudo, entretanto, a coisa não é tão normal assim quando a diferença entre as irmãs é de nada mais nada menos que 15 anos, sim, 15 ANOS, uma década e cinco anos e minha mãe ainda achava que eu poderia usar as mesmas roupas que a minha irmã tinha usado.

Eu tinha 13 anos e a moda (que hoje acho horrorosa) da época eram calças jeans de cós super, ultra, mega baixo, eu lá dizendo pra minha mãe que todas as minhas amigas tinham e eu queria e adivinhem o que ela respondia? Sim, isso mesmo que pensou, “Mas você não é todo mundo”. E lá ia eu com uma calça jeans de cós super, ultra, mega alto e com umas penses gigantes de cada lado da perna, já que além de bem mais nova era também bem menor. Mas eu nem reclamava muito, porque aos 13 anos ainda não ligava tanto assim pras roupas que usava, eu ainda era bem criançona e preferia gastar a energia brincando de queimada na rua do que brigando com a minha mãe pra ter uma calça de cós baixo.

Mas chegou o dia em que a adolescente em mim surgiu e aí não teve jeito, consegui a calça de cós baixo, e também a gargantilha que imitava tatuagem, e o all star vermelho e o batom marajoara. “Nunca mais vou usar calça de cós alto”, eu dizia com sorriso largo.

Eis que os anos passam e 15 anos depois você só quer usar calça de cós alto e não acredita que um dia chegou a usar uma calça feia e desconfortável com o cós super baixo. O pessoal da década de 80 é que sabia das coisas.

Mas aí, eu que achava que aquela gargantilha que imitava tatuagem e que usei nos anos 2000 era o ó do borogodó de feia, fui surpreendida quando vi essa mesma gargantilha no pescoço da minha afilhada de 13 anos. Sim, ela voltou e só mudou de nome, não é mais gargantilha, é choker. Será então que era eu e o pessoal dos anos 90 e começo de 2000 que sabíamos das coisas?

Dias desses estava numa loja com minha irmã e vimos uma blusinha que tinha um nozinho na frente, ela disse: “Não acredito que isso voltou, que feio, e pensar que usei muito nos anos 80. Olhei pra ela e não respondi nada, porque na verdade achei a blusinha bem bacana (tanto que voltei no dia seguinte e comprei 😊). Então será que o pessoal dos anos 80 é que sabiam das coisas, porém não sabem que sabiam e quem sabe somos nós que voltamos a usar o que eles usavam? Ou será que éramos nós dos anos 90/2000 que sabíamos e não sabemos que sabíamos e quem sabem são as jovens que usam o choker hoje em dia?

A verdade é que ninguém sabe de nada nesse mundo louco da moda, o que era bonito pode ficar feio e anos depois voltar a ser tendência. O passado está no presente e o presente que amanhã já será passado vai voltar no futuro. Por isso não tenha vergonha das suas fotos usando conjuntos de moletom de soft, ou o tênis de salto, ou tererê no cabelo. Eles poderão voltar, e então você vai dizer que não acredita que aquilo voltou, que não acredita que usou e vai entregar sua idade e acabar usando novamente (admito que comprei um choker, mas em minha defesa, hoje em dia tem um monte de modelo e não foi o modelo que imita tatuagem). E não jogue nada fora, o croped de hoje pode ser brega amanhã, mas com certeza será tendência na década que vem.

Não é lindo como as gerações se encontram por meio da moda? Hoje em dia eu uso o que minha irmã usou por livre e espontânea vontade, e minha afilhada usa o que eu usei e acha lindo!

E que a moda vá e que volte infinitamente! – Menos as ombreiras e as calças de cós baixo. ;P

*Karol Dias é formada em jornalismo pela PUC-Campinas e fez curso de moda com Maria Prata.

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