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A Polícia Civil prendeu em Poços de Caldas, na quinta-feira (27), Antônio Carlos Santos. Ele é acusado de vender comprimidos abortivos pela internet, o que caracteriza tráfico de drogas. Com a prisão, a polícia descobriu ainda que ele fornecia o medicamento e ainda acompanhava todo o processo. Caso houvesse falha na morte do feto, se comprometia a devolver o dinheiro.
A operação foi desencadeada pela Agência de Inteligência. As mulheres encontravam Antônio pelas redes sociais e ele repassava o medicamento, conhecido como Cytotec, sendo entregue em mãos em Poços ou em outras cidades e estados pelo correio. “Durante as investigações conseguimos identificar o suspeito e abordá-lo no final da tarde de quinta-feira, portando quatro comprimidos do medicamento. Realizamos a prisão dele em flagrante”, explica o delegado.

O investigado levou a polícia até sua casa e explicou de que maneira realizava o envio e ainda como acompanhava os processos de aborto. Quando a abortante recebia o comprimido começavam as conversas no WhatsApp. Pelo aplicativo elas relatavam o que estavam passando e o autor as tranquilizava ou orientava. Ao acessar o aparelho do autor, a polícia encontrou fotos de sangramentos e até de fetos já expelidos. Nos casos em que o aborto dava errado, o suspeito devolvia o dinheiro.

Conseguimos com autorização judicial informações e acesso ao aparelho celular do autor e identificamos como era feita a venda. Cada comprimido saía ao custo de R$ 100. Os negócios todos eram feitos via WhatsApp e as mulheres encaminhavam fotografias do resultado do abortamento para comprovar se o remédio era eficaz”.

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Ele cumprimentava as pessoas e recebia elogios pela ‘honestidade’. Antônio não tem nenhuma formação em meio médico e não esclareceu como sabia a maneira certa de se fazer o procedimento. Quanto aos medicamentos, ele alega que comprava no Paraguai e a última carga foi de aproximadamente 350 comprimidos.
A polícia acredita que Antônio trabalha com os medicamentos há um ano e meio e que cerca de 20 mulheres de várias cidades abortaram com os compostos vendidos por ele.

A reportagem do Poços Já Cidade encontrou na internet um dos anúncios divulgados por Antônio. O cadastro é de 2015 e pode indicar que ele atue na venda de abortivos há mais tempo.

Clientes

As clientes de Antônio também poderão responder pelo crime de aborto. Segundo o delegado regional, Gustavo Manzolli, as mulheres e locais devem ser identificados e os casos encaminhados para investigação nas unidades policiais de competência.

Já Antônio também poderá responder por aborto. As investigações buscam por mulheres que tenham adquirido o medicamento em Poços para configurar a materialidade do crime.

 

Cytotec

O Cytotec é um composto de Misoprostol, produto sintético, usado para aborto. Sua comercialização é ilegal, assim como o aborto, que só é autorizado no Brasil em casos específicos. O medicamento foi aprovado pela FDA (Food and Drug Administration) nos anos 1980 para o tratamento de uma série de desordens estomacais (como gastrites e úlceras).

No entanto, por provocar contração uterina, passou a ser utilizado indiscriminadamente em tentativas de aborto. Por conta disso, seu uso foi restrito somente a ambientes hospitalares qualificados. Os riscos de usá-lo para fazer um aborto são muitos, como hemorragia e má formação do feto.