segunda-feira , 18 dezembro 2017
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“Sou uma pessoa boa”, diz homem que matou marido de ex-namorada

Claudinei foi apresentado pela Polícia Civil e ainda alegou que a maior culpada é a ex-namorada, que ele também tentou matar.


Claudinei diz que estava sendo ameaçado e que Joyce é a maior culpada por tudo. (Foto: Mariana Negrini)

O assassino de Wesley Antônio Reis, 35, que ainda tentou matar a ex-namorada, Joyce Cristina Santos Reis, 33, foi apresentado à imprensa na manhã desta segunda-feira (9). Claudinei Paulo dos Santos, de 40 anos, contou detalhes do crime e ainda disse que é uma boa pessoa, “mas tem coisa que você não consegue superar”. O delegado Cleyson Rodrigo Brene também apresentou os levantamentos do crime e os novos encaminhamentos a partir da prisão.

Claudinei chegou sem se esconder. Ele iniciou dizendo que estava sendo ameaçado por Wesley e que no dia do crime eles tiveram uma conversa longa, por telefone, já que a vítima atendeu a ligação que seria para Joyce. Foi nesta conversa que Wesley teria proferido mais uma ameaça e questionado sobre quem iria até o outro. O assassino alegou que chegou a dizer que não precisava disso, mas diante de mais uma ameaça pensou: “Agora não vou largar mão, nós dois vamos ter que resolver esse negócio”.

Sobre a conversa ao telefone, Claudinei explicou em que ponto as coisas saíram de controle. “A gente conversou bastante, ele começou a me maltratar, tava bom, mas aí ele começou a falar da minha mãe, que ela era puta de zona e desgraçada”, conta. “Foi mais de um mês eu fugindo desse cara e ele sempre me provocando”, acrescenta.

Arma e faca usadas no crime foram apreendidas (foto: Mariana Negrini/Poços Já).

Em seguida, Claudinei foi até a casa de Joyce, mas quem o recebeu foi Wesley. “Na hora que eu cheguei lá eu não disparei direto nele, disparei pro outro lado e ele veio pra cima. E o cara é bom, e ia me matar se eu deixasse ele me pegar, daí disparei nele, ele correu pra dentro e fui atrás, lá ela veio pra dentro de mim”, resume.

Ele conta que o que mais o deixou revoltado foi o fato de Wesley ter falado de sua mãe. No entanto, assume que o fato de que Joyce reatar com o ex-marido o incomodou bastante, ainda mais por ter acontecido uma semana após eles terem terminado o namoro de dois anos. “Ela prometeu que não ia ficar com nenhum dos dois, daí no domingo passou o dia com ele e a noite ele estava na casa dela”.

“Me senti humilhado, sou homem, fazia o máximo possível por ela e as crianças. Ai falaram que eu ia fazer mal pras crianças, capaz que faria isso, elas não têm defesa nenhuma, eu tava lá dentro e poderia ter feito qualquer coisa e num fiz, não precisa nem de arma para matar uma criança. Num sou louco”, afirma.

Claudinei também garante que não tinha intenção de ferir Joyce, que só fez isso porque ela foi pra cima dele quando ele atirava contra Wesley. “Na hora que ela veio pra cima de mim, pensei vai levar também, porque ela também tem culpa, na verdade a mais culpada de tudo é ela, que tinha que ser mulher pra resolver a situação antes disso acontecer. Ela não soube resolver, porque quando ela viu que o cara tava em cima deveria ter chamado a polícia”explica e acrescenta mostrando seu ressentimento da ex. “Pra mim sai eu, ele e ela ferrado, porque eu num to livre. Agora ela vai ficar bonitinha pra depois ficar rindo, com o caminho livre, com um na cadeia e o outro morto”.

Quando questionado se estava arrependido, ele demonstrou dúvida. “Pelo fato dela sim, às vezes, mas acho que por ele não, pelo que ele falou da minha mãe, minha mãe numa cadeira de rodas e escutar que ela é uma puta de zona, isso aí dói, só de lembrar fico constrangido porque minha mãe sempre lutou para dar o melhor pra nós”, afirma.

Ao falar de si, ele conta que tinha a intenção de se entregar, mas que fugiu porque estava com a cabeça quente. Ele ainda disse que tinha a intenção de voltar para Poços e se entregar a polícia em cerca de 15 dias. “Não é que sou uma pessoa ruim, sou uma pessoa boa, tenho um bom coração, sou trabalhador, não sou pilantra, nunca roubei, mas tem coisa que você não consegue superar. Eu não conseguia dormir e acordar sem me lembrar do que ele falou da minha mãe. Eu perdi a cabeça, entrei pra morrer ou pra matar”, finaliza.

Investigação

O delegado à frente das investigações é Cleyson Rodrigo Brene. Ele e sua equipe estavam a caminho do Espírito Santo quando o autor foi preso. O delegado terminou o percurso,que durou 13 horas, para encontrar com o autor e o conduzir de volta a Poços de Caldas.

Cleyson vai indiciar autor por homicídio e tentativa de feminicídio (foto: Mariana Negrini).

Os trabalhos começaram ainda no domingo (1°). Com a notícia do crime, o delegado representou pela prisão temporária de Claudinei, antes mesmo da conclusão do boletim de ocorrência. Na terça-feira a Polícia Civil já tinha informações sobre sua localização no norte de Minas, em uma cidade que faz fronteira com o Espírito Santo. “Nós já tínhamos todo o trajeto percorrido pelo suspeito e fizemos contato com a Polícia Civil da cidade de Ataléia, repassamos o endereço na zona rural de lá, e na quinta-feira, enquanto nos organizávamos para deslocar, a Polícia Militar de Poços de Caldas entrou em contato informando que a PM do Espírito Santo teria uma denúncia dizendo que o autor estaria próximo ao local em que tínhamos. Eu fiz contato com eles, que confirmaram as informações e foram para o local, porém me ligaram dizendo que o autor teria saído da casa e entrado no carro, tendo eles feito a abordagem e a prisão”, esclarece.

A equipe seguiu até a cidade de Barra de São Francisco (ES), onde o autor estava autuado em flagrante por parte de arma de fogo, e deu cumprimento ao mandado de prisão. A arma localizada com ele é a usada contra as vítimas. A faca, também usada para ferir Wesley, foi apreendida, ainda ensanguentada, bem como as roupas que o autor usava no momento do crime.

“Ele alega que a vontade era mesmo de matar, que estava com raiva e sob ameaças”, explica o delegado, que agora irá indiciar Claudinei por homicídio qualificado, contra Wesley, e por tentativa de feminícidio contra Joyce.

Agora será realizada a oitiva formal do autor, além de outras testemunhas. Além do delegado, trabalharam na operação os policiais Paulo Silva, Clayton, Paulo Emílio, Nicole, Filipe e Bárbara.

SuperVale

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