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Delma Maiochi é militante da causa animal (foto: arquivo pessoal)

“A maneira como tratamos os animais reflete o ser humano que somos”. Em cinco anos muita coisa pode ser feita na causa animal em Poços de Caldas. As leis podem começar a ser cumpridas, saindo do papel e finalmente sendo aplicadas com toda força da prática e da justiça. Um programa realmente producente de castração pode ser implementado, quem sabe até com a volta do castramóvel. Poderemos já ter um Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) completamente reformado e remodelado, com critérios para atender a todos os animais. E um Abrigo Municipal com espaço para cães e gatos, com um sistema de doação eficiente. Já não terá tantos animais por lá, pois o programa de castração vai estar a todo vapor, diminuindo a presença dos bichos na rua. Em 2024, finalmente não haverá mais cavalos sendo maltratados e explorados, pois a lei que determina o fim das charretes terá sido promulgada, assim como a que impede a criação de animais de grande porte em área urbana. Finalmente, as ruas não serão mais lugar de passeios de cavalos, vacas, e até galinhas d’angola. Os macaquinhos frequentadores da Fonte dos Amores não vão mais comer porcarias, porque poços-caldenses e turistas estarão conscientizados do mal que fazem ao oferecer qualquer alimento a eles. E pasmem! Em 2024 a população de pombos e capivaras terá diminuído. Não por matança descontrolada, mas porque alguém com sensibilidade descobriu um jeito de contê-los que não envolva assassinatos. O prefeito será uma pessoa realmente preocupada com os bichos e não apenas vai usá-los em propagandas e propostas eleitorais. Os vereadores se empenharão, independente de partidos, na fiscalização dos programas de proteção animal. Haverá um Conselho Municipal de Proteção Animal forte, atuante, com desempenho intenso e constante. As autoridades policiais, responsáveis pelas autuações, atenderão as chamadas prontamente e resolverão os casos sempre a favor dos bichos, punindo com severidade aquele que os maltrata. Em 2024 não haverá uma ninhada de filhotes tomando chuva dentro de uma caixa de papelão, jogados nos confins dos bairros, nas madrugadas. Nem haverá uma fêmea prenhe andando atrás de comida, nem cachorros aos bandos perambulando, perdidos e confusos por terem sido abandonados um pouco antes. E os telhados das casas só terão gatos gordos e preguiçosos, tomando sol e pensando no que vão comer dali a pouco. Estarão seguros, todos eles, sem a barbárie da lata amarrada no rabo, sem o chumbinho escondido no pedaço de carne, sem o atropelamento e o abandono, sem as pauladas, os estupros, os abusos, as coleiras apertadas amarradas com fios curtos, sem fome, sem frio. Não teremos também cães e gatos idosos deixados de lado, largados nas ruas doentes e desamparados. Em cinco anos, não existirão mais locais de reprodução sem controle, exploração sem medida em troca do financeiro. E nas redes sociais da cidade nenhum animal vai ser vendido. Quem sabe nos pet shops também não. Em 2024, vira-latas serão artigos de luxo, pois serão raros nas ruas. Estarão todos abrigados, em lares decentes e amorosos.

Mas, a minha visão de futuro na causa animal não é “apenas” tudo isso. Meu sonho, se é que posso chamar assim, é ver os animais deixando de ser objetos de posse para se tornarem sujeitos de direitos. Eu desejo uma cidade, um mundo, sem crueldades com eles, com acolhimento, com empatia, com quintais cheios de crianças e bichos, interagindo, sendo felizes e cuidados. Eu desejo que o artigo 2 da Declaração Universal dos Direitos dos Animais seja cumprido (todo animal tem direito à atenção, aos cuidados e à proteção do homem). Eu desejo que todos os poços-caldenses, em 2024, tenham um animal de estimação, e o ame e o proteja.

Assim, daqui cinco anos, finalmente, Poços de Caldas será uma cidade amiga dos animais.

*Delma Maiochi é militante da causa animal