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Olá queridos(as)! Nesse mês acontece a campanha Setembro Amarelo, que se refere à prevenção ao suicídio no Brasil e tem como objetivo a discussão e divulgação desse tema para podermos entender, identificar e ajudar na prevenção, então vamos falar sobre suicídio? O suicídio é um problema de saúde pública e, conforme dados da OMS (Organização Mundial de Saúde), 32 brasileiros se matam por dia. Desses, são mais homens do que mulheres e o suicídio é a segunda maior causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos.

Confira alguns mitos sobre o assunto, bem como fatores para identificar e como e como é possível ajudar:

1-“A pessoa que ameaça se matar está manipulando o outro ou apenas querendo chamar a atenção. Quem quer fazer, faz e ponto”. Quem fala sobre suicídio é um possível suicida e está pedindo ajuda. Geralmente quem tenta suicídio dá sinais das suas intenções e avisa de alguma maneira, seja brincando ou falando mais sério. Qualquer ameaça verbal ou escrita deve ser levada a sério.

2-“O suicídio acontece sem aviso, é um ato impulsivo e não planejado”. A ocorrência de suicídio costuma ser antecedida por pensamentos, ideias, fantasias, planos, relatos e até publicações em redes sociais.

3 -“ Pessoas que cometem suicídio são egoístas, fracas, covardes (ou corajosas) e querem achar uma solução rápida para os seus problemas”.Tirar a própria vida indica, sobretudo, uma dor psíquica insuportável somada a sentimentos de desespero, desesperança, desamparo e impulsividade, o que não tem nada a ver com egoísmo, força, coragem, covardia ou fraqueza.

4-  “Se a pessoa planeja o suicídio é porque ela quer acabar com a vida”. A pessoa suicida tem sentimentos de ambivalência entre o desejo de viver e de morrer. Ela quer colocar um fim à sua dor e não necessariamente à vida. Se conseguir lidar com a dor, encontrando soluções, poderá desistir de se matar.

5- “Quem se suicida é porque não procurou ajuda”. Estudos mostram que 75% das pessoas que cometem suicídio procuraram ajuda, efetivamente, antes da consumação do ato. A ajuda e o apoio emocional funcionam como um elemento inibidor da ação suicida, mas nem sempre garantem que o ato não ocorra.

6-“Pessoas mentalmente saudáveis não cometem suicídio, só comete suicídio que tem problema mental ou depressão”. Apesar dos comportamentos suicidas estarem associados à depressão, doenças mentais e abuso de substâncias, nem toda pessoa que tentou ou cometeu suicídio estava nessas condições. Existem outros fatores, como doença grave ou debilitante, morte de alguém próximo, trauma, violência, rejeições recorrentes, ou abuso sexual.

7-“Quando alguém comete suicídio, necessariamente há um culpado pelo que aconteceu”. Cada caso de suicídio é único, envolve vários fatores e toda a complexidade da história de uma pessoa. Portanto, buscar um culpado pelo que aconteceu apenas trará mais sofrimento e não ajudará quem sofreu a perda.

8- “Quem tentou cometer suicídio uma vez não voltará a tentar”. A tentativa prévia de suicídio é um dos principais sinais de risco. Após uma tentativa de suicídio, aumenta-se em cem vezes a probabilidade da pessoa voltar a tentar e efetivamente se suicidar.

9-Depois de uma tentativa de suicídio, a melhora rápida significa que o perigo já passou ou quando ela começa a se tratar o risco dela se suicidar acaba”. Quando a pessoa começa o tratamento e a medicação, ela não está fora de perigo, pois ainda não houve tempo para seu humor melhorar significativamente. Ela pode até se mostrar mais calma, justamente por já ter se decidido pelo suicídio como forma de terminar seu sofrimento, aguardando apenas uma oportunidade.

10- “Suicídio é uma decisão individual e cada um tem pleno direito a exercitar o seu livre arbítrio.” Normalmente os suicidas estão passando por um adoecimento psicológico ou um sofrimento que altera de forma radical sua percepção da realidade e de si mesmo. Não há uma decisão convicta por acabar com a própria vida, e com tratamento eficaz, o desejo de retirar a própria vida pode desaparecer.

11-“Não devemos falar sobre suicídio, pois isso pode aumentar o risco”. Falar sobre suicídio e sofrimento abertamente, com cautela e atitude de acolhimento é importante, pois ajuda a aliviar a angústia e a tensão que os pensamentos suicidas trazem, além de possibilitar a identificar casos de risco. Não se deve falar sobre formas e métodos de realizar tal ato, pois isso pode influenciar quem está considerando tirar a própria vida.

12- “Se alguém pensar ou tentar cometer suicídio estará em risco de recaída para o resto da vida”. O risco de suicídio pode ser tratado de forma eficaz e o fato de alguém ter enfrentado um período de fragilidade e vulnerabilidade emocional não significa que estará sempre em risco de recaída.

13- “O suicídio só acontece com os outros, é coisa de rico, pobre não tem tempo para isso”. O suicídio pode ocorrer com qualquer pessoa que esteja num alto grau de sofrimento, independente de dinheiro, classe social, sexo, idade, etc. Pessoas em situações extremas financeiramente (pobreza ou riqueza) têm mais propensão de cometer suicídio, seja pela escassez extrema ou porque sentem que têm muito a perder.

14- “O suicídio é hereditário”. Não se pode associar todos os atos suicidas à hereditariedade, porém deve-se ter um olhar sistêmico, analisando o histórico familiar de suicídio e depressão, uma vez que isso é um importante fator de risco.

15- “As crianças não cometem suicídio, pois não entendem a consequência do ato e são incapazes de fazer algo contra a própria vida”. Mesmo sendo poucos casos, as crianças podem cometer suicídio, então qualquer gesto, seja na infância, adolescência ou vida adulta, deve ser levado a sério.

16-“Não é possível prevenir o suicídio; quem quiser se matar, vai se matar”. O suicídio pode e deve ser prevenido, pois a pessoa não deseja convictamente a morte, e sim uma vida diferente, uma saída para seu sofrimento.

Para identificar situações de risco, podemos destacar alguns fatores que devem ser observados, conforme sua frequência e intensidade:

  • Visão distorcida da realidade, como se não houvesse alternativa, sem saída;
  • Desesperança e falta de sentido, sentimento de que não há resposta, que não há razão de viver;
  • Constante dor emocional e sofrimento, o corpo e a noção da própria vida são considerados insuportáveis;
  • Uso de substâncias que trazem alívio, visando aliviar a sensação de apatia emocional;
  • A perda de interesse em relação às coisas e pessoas das quais ela gostava muito;
  • Sensação de isolamento social, fechamento em si mesmo, mantendo poucas interações e trocas;
  • Descaso com a aparência e com o autocuidado;
  • Alteração de humor, fases de apatia, desinteresse e picos de euforia;
  • Apatia generalizada, sem reação às situações, sejam estas boas ou ruins;
  • Envolvimento em situação de perigo (acidentes domésticos ou na rua), senso de proteção reduzido;
  • Preparo financeiro para um fim, como se estivesse se despedindo;
  • Estado emocional de ódio raiva e às vezes até sentimento de vingança;
  • Sentimentos de vergonha, culpa ou raiva de si por algum comportamento que julgue inadequado, ruim ou prejudicial;
  • Medo constante de perder o controle do próprio comportamento, das emoções e da vida;
  • Bem-estar da decisão do suicídio, que traz alívio pois há a resolução do conflito/angústia de morrer ou não;
  • Tentativa anterior de suicídio;
  • Transtornos mentais, seja de humor ou de personalidade;
  • Abuso de substâncias químicas (álcool, drogas, medicamentos);
  • Histórico familiar de suicídio;
  • Falta de vínculos sociais e/ou familiares;
  • Doenças em estágio terminal ou incapacitantes;
  • Situação de desemprego ou contexto de declínio social;

Caso identifique esses fatores, o que pode ser feito para ajudar?

  • Conversar abertamente sobre pensamentos suicidas e dar abertura para que a pessoa se abra, adotando uma postura acolhedora, respeitosa e compreensiva, sem cobrança, indignação ou julgamento;
  • Diante de uma resposta positiva (“sim, pensei em me matar”), comunicar às pessoas próximas, familiares e amigos. Se possível, fazer um pacto, um compromisso com essa pessoa de que, se alguma situação ou problema acontecer, que venha a conversar com você;
  • Esclarecer sobre as consequências do ato, danos físicos e mentais permanentes (tentativa não consumada) e o impacto na vida dos familiares e amigos. Contar histórias de pessoas que tiveram ajuda e conseguiram lidar com isso, desenvolvendo uma boa qualidade de vida;
  • Encorajar a pessoa a buscar ajuda profissional para se tratar e dar suporte emocional até que a vontade suicida passe. Apoiar e se manter próximo durante o processo;
  • Procurar auxílio de profissionais capacitados, como psicólogos e psiquiatras, e construir uma rede de apoio. Nesse sentido, pode-se contar com alguma figura religiosa, que faça sentido para a pessoa;
  • Tentar evitar o isolamento e incentivar interações sociais;
  • Retirar do alcance da pessoa objetos, substâncias e outros elementos que podem ser meios para o suicídio.

Se você estiver passando por situações descritas acima ou conhece alguém que esteja assim, fale sobre isso e procure ajuda. Eu estou à inteira disposição, entre em contato comigo ou ligue 188 para o CVV (Centro de valorização da Vida). Você pode fazer a diferença na vida de alguém, a vida é nosso bem mais valioso!

* Daphne Rajab Cardia é psicóloga, formada na Universidade Vila Velha, MBA em Gestão de Pessoas pela FGV, Coach certificada pelo Instituto Brasileiro de Coaching, Consteladora Familiar Sistêmica formada pela Hellinger Schule Brasil, especialista em desenvolvimento pessoal e profissional. Tem como missão de vida ajudar as pessoas a tomar consciência de si mesmas e alcançar a vida plena.