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Um beijo, seja ele dado em pessoas do mesmo sexo, ainda sim, é um beijo.

Não gosto de me referir a “beijo gay”, “beijo lésbico” ou qualquer outro tipo de menção que ouse desfavorecer o real sentimento que há entre um beijo na boca dado por pessoas que se amam. É como distingui-lo dos demais beijos. É separá-lo do todo. De um lado, “beijo hétero”; de outro, “beijo gay”. Essa distinção é algo perigoso e, no fim das contas, só leva a mais preconceito.

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É um beijo e pronto!

Ultimamente temos vivenciado tantas situações de ódio e hipocrisia, onde a homossexualidade tem sido deturpada.

Amar alguém do mesmo sexo não é pecado. E não adianta usar os fundamentos religiosos para pregar e afirmar o preconceito que está espalhado em uma sociedade doentia e fragilizada, que procura “cura” para o que não é doença.

Ao contrário disso deveríamos, enquanto seres sociais, implantar o amor entre todos, mantendo o equilíbrio de bonança nesta terra.

Ousar amar é um ato político, alguém do mesmo sexo, é resistência. Do verbo resistir, onde diariamente casais homoafetivos ainda sentem medo do “puritanismo” dessa história mal contada que fere os direitos de uma população que luta por dignidade, respeito e direito à vida.

Mesmo com os direitos garantidos civilmente, casais homoafetivos muitas vezes enfrentam constrangimentos e inseguranças na hora de demonstrar publicamente os sentimentos, o que a Justiça já resguardou. Embora já se tenha um reconhecimento civil, formal e burocrático, existe preconceito muito forte que inviabiliza que essas pessoas tenham tranquilidade para manifestar seu afeto e falar disso abertamente.

Um beijo, um carinho, às vezes, são vistos como falta de respeito por quem está em torno. Eles [homossexuais] não reproduzem o preconceito contra si mesmos e, sim, respondem a um preconceito ao qual são submetidos. Se você está em uma situação em que se considera vulnerável, não vai se expor.

Isto é muito triste, são pessoas, sentimentos e relações. Elas têm direito a livre manifestação do afeto e esse é um reconhecimento que infelizmente, ainda, não foi introjetado por toda a sociedade.

Meu desejo é que a sociedade avance para um estágio em que se possa viver livremente, em uma realidade na qual ser heterossexual, homossexual ou qualquer “orientação sexual” não seja tão importante para definir as nossas identidades.

E que reine o sentimento de mudança.

“Assim, permanecem agora estes três: a fé, a esperança e o amor. O maior deles, porém, é o amor. [1Coríntios13:13]

*Évila dos Anjos é nortista, cabocla da cidade de Belém do Pará. A(R)tivista na vida, pedagoga, atriz, professora de teatro, diretora teatral, palhaça, contadora de histórias, performer e membro fundadora da Cia Nós de Teatro. Desenvolve trabalhos de educação/teatro em projetos sociais, tendo experiências diversas no ramo. Alia a arte à militância, pois uma não caminha sem a outra. Com o tempo e as vivências, aprendeu que a arte é uma maneira de resistência e uma das bandeiras que carrega como forma de conscientização e cura para descobertas e convicções. Mora em Poços de Caldas há seis anos, mantendo as raízes de luta e força dentro dos espaços e da arte, caminhando e seguindo graças a toda ancestralidade que a rege.

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