Publicidade

Diante de todo este processo descomunal que vem acontecendo com a grande riqueza natural do Brasil, pensei no que estamos fazendo, sentindo e emanando.

Somos seres humanos dotados de tanta inteligência, com a ancestralidade tão forte, que desprezamos toda a naturalidade que nos cerca. Por isso, a natureza clama, grita e como alguém que silencia a perda, assim fazemos… Silenciamos.

Publicidade

Quantas vezes paramos para pensar sobre isso?

Em nossa maior parte da evolução como espécie, sempre tivemos o contato direto com o solo, descalços ou com calçados, mas que não bloqueavam essa energia natural. Com o advento da industrialização se deu início a criação de sapatos feitos principalmente com solado de borracha. Esses solados são sintéticos e não condutores e passamos o dia inteiro calçados, para ir ao trabalho, andar na rua e até mesmo dentro de casa. Podemos dizer que, principalmente em áreas urbanas, a gente passa o dia inteiro sem o contato direto com o solo terrestre.

Tudo é feito de energia, inclusive o nosso pé, e ao longo do dia essa energia pode ficar desregulada devido a fatores como estresse, trabalho, ansiedade, alimentação ruim. Por isso, trazer esse contato novamente com a terra é resgatar o equilíbrio.

O ato de pisar na terra regula seu corpo com a transferência de elétrons e nos ajuda a viver uma vida mais saudável e conectada. É uma forma de nos trazer de volta à comunhão com a Mãe Terra.

Pode até parecer algo surreal, imaginário. Mas não é!

Estamos conectados com nossos celulares, notebooks, tv a cabo e as inúmeras tecnologias. No entanto, quando de fato nos conectamos conosco?

A gente se distanciou tanto da nossa realidade, do nosso eu natureza, que esquecemos de onde realmente viemos e de onde pertencemos. A natureza virou apenas um produto para exploração humana.

É visto que a ganância do agronegócio tem devastado inúmeros hectares e destruído localidades pertencentes a comunidades tradicionais que, de alguma maneira, protegem o habitat natural e são verdadeiros guardiões da mata. Pessoas são mortas todos os dias por defenderem seu espaço, sua morada, a terra… O agronegócio causa desequilíbrio e destruição, colaborando para o crescimento de empresas que buscam explorar em larga escala as riquezas ambientais.

Já dizia Daniel Munduruku: “A relação que o povo indígena tem com a natureza não é de superioridade. A natureza não é algo que vai ser transformado para gerar lucro. A natureza é um parente, que precisa ser cuidado e resgatado.”

O cenário é desesperador, mas se buscarmos nos reconectarmos com a força que habita em nós, resgatamos a conexão com a Terra. Se colocarmos os pés no chão, ainda temos a oportunidade de sentir a transformação em nós.

*Évila dos Anjos é nortista, cabocla da cidade de Belém do Pará. A(R)tivista na vida, pedagoga, atriz, professora de teatro, diretora teatral, palhaça, contadora de histórias, performer e membro fundadora da Cia Nós de Teatro. Desenvolve trabalhos de educação/teatro em projetos sociais, tendo experiências diversas no ramo. Alia a arte à militância, pois uma não caminha sem a outra. Com o tempo e as vivências, aprendeu que a arte é uma maneira de resistência e uma das bandeiras que carrega como forma de conscientização e cura para descobertas e convicções. Mora em Poços de Caldas há seis anos, mantendo as raízes de luta e força dentro dos espaços e da arte, caminhando e seguindo graças a toda ancestralidade que a rege.

Publicidade