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Como se sabe, o mundo ainda continua com uma mentalidade patriarcal, machista, onde a liberdade da mulher, ainda é tida como algo desafiador… E uma dessa liberdades é a de não querer ser mãe.

Você já deve ter percebido que a pressão feita pela sociedade para a mulher ter filhos é grande. Se analisarmos melhor, notamos que isso começa desde criança, quando a menina brinca de “casinha” com as bonecas, depois isso é retomado no período em que ocorre a primeira menstruação quando pais e médicos afirmam que ela já é uma “moça” e pode ser mãe.

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A ideia da maternidade está sempre circulando em torno da mulher, seja para ter filhos, seja para evitá-los.

Quando a mulher fica noiva, perguntam logo quando vai casar. E quando casa, vem a outra pergunta clássica: “Quando vai ter filhos?”

Nós temos ainda essa visão de uma receita pronta para viver em sociedade: trabalhar, casar e ter filhos. Entretanto, apesar disso, existe uma parcela da população feminina que não almeja ser mãe.

O fato é concreto: a mulher pode não estar pronta, pode não querer, é simples. Mas as cobranças nunca deixam de vir. Se você tem um casamento sólido, feliz, a pergunta (cara de espanto, estranheza, é certa): “Meu Deus, vocês ainda não tiveram filhos?”. Ué.
A cobrança sempre está ali. Até pra quem virou mãe cedo, ” Mas já???”. E, ainda existe o papo de que ser mãe muda a gente, nos faz melhor. Pode até ser, mas, cabe a mulher decidir se mudará sendo mãe, ou de outra forma.
E aquela velha história de “tenha um filho, pois quando você envelhecer, não terá ninguém pra cuidar de ti”. Mas, as pessoas não tem filhos para serem suas babás no futuro ou para não serem sozinhas… Ou tem? Por que, isso é egoísmo.
Nem todo casal deseja ter filhos, mas certamente todos, devem ter sentido a pressão de se encaixarem nesse padrão social. Onde a família e a felicidade estarão completas, com a chegada de um bebê. E não! As diversas relações se dão pela descoberta de uma felicidade individual e ao mesmo tempo companheira. Onde o casal esteja pleno de suas perspectivas, individualidades e partilhas. O amor é sentido de várias maneiras. E sim, um casal pode ser feliz sem filhos!

Sinceramente, o que acontece dentro do útero de uma mulher ou aquilo que ela escolhe fazer com suas partes íntimas deveria ser um problema dela. E, a menos que seja seu companheiro, seu médico ou alguém que ela tenha escolhido, ninguém precisa saber o motivo pelo qual decide-se não querer ter filhos. Courtney Hodell fala com clareza em seu texto sobre isso: “É impossível evitar parecer que você está na defensiva quando fala sobre não querer ter filhos, como se estivesse tentando provar a incontestável beleza de uma existência egoísta e sem problemas”.

Eu sempre senti que a única razão para ter um filho é querer ter um filho. E já que esse sentimento nunca chegou, aqui estou com 32 anos, casada há 6 e em paz com o fato de que talvez essa vontade nunca chegue.

 

*Évila dos Anjos é nortista, cabocla da cidade de Belém do Pará. A(R)tivista na vida, pedagoga, atriz, professora de teatro, diretora teatral, palhaça, contadora de histórias, performer e membro fundadora da Cia Nós de Teatro. Desenvolve trabalhos de educação/teatro em projetos sociais, tendo experiências diversas no ramo. Alia a arte à militância, pois uma não caminha sem a outra. Com o tempo e as vivências, aprendeu que a arte é uma maneira de resistência e uma das bandeiras que carrega como forma de conscientização e cura para descobertas e convicções. Mora em Poços de Caldas há seis anos, mantendo as raízes de luta e força dentro dos espaços e da arte, caminhando e seguindo graças a toda ancestralidade que a rege.

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