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Muitas pessoas se solidarizam com as mães que não conseguem amamentar. Eu sou uma dessas pessoas.

Porém, o entendimento e esclarecimento dos motivos que estão ligados às dificuldades enfrentadas por esse grande número de mães que não consegue amamentar é o que faz a diferença!

Atualmente, há pessoas que se solidarizam não apenas com as mães, mas também com os seus discursos de insucesso, na maioria das vezes, baseados em mitos, como: “meu leite secou”, “meu leite não sustentava meu bebê”, “eu tinha pouco leite”, “meu leite não desceu”, etc…e antes que alguém comente dizendo que passou por tais situações, já deixo claro que esse texto não tem caráter de julgamento, mas de alerta. Infelizmente, na esmagadora maioria dos casos, todas as situações acima seriam resolvidas com boas informações e, principalmente, com o “MANEJO” adequado.

O “MANEJO” do aleitamento pode ser caracterizado pelo conjunto de explicações e ações que deveriam ser ensinadas para as mães, para que elas aprendessem sobre a descida do leite, a importância do colostro, as fases do leite, o tamanho do estômago do bebê nos primeiros dias de vida e tivessem condições de amamentar sabendo verificar e corrigir a pega de seus bebês, sabendo alternativas para posicionar o bebê em determinados casos, sentindo-se seguras e informadas sobre a livre demanda, qual peito dar primeiro, confusão de bicos, entre outros…mas para o manejo funcionar, ele precisa estar ATUALIZADO ao ser ensinado e praticado. E é aqui que temos o grande problema.

Quando um bebezinho nasce, diante das dificuldades para amamentar, as mães procuram orientação profissional e muitas vezes recebem informações equivocadas e desatualizadas acerca da amamentação.

Infelizmente, são poucos os profissionais que entendem de manejo e são capazes de solucionar as dificuldades das mães, sem receitar o uso de fórmulas (leites artificiais/complementos infantis).

A falta de tempo para as consultas também é um fator que interfere negativamente, visto que uma mãe com dificuldades para amamentar, precisa de ajuda para aprender a pega correta, para aprender a colocar seu bebê nas posições possíveis para amamentar, para entender sobre o funcionamento da amamentação em livre demanda em bebês que mamam exclusivamente no peito…e as consultas não dispõem desse tempo.

Sendo assim, ao se depararem com as dificuldades iniciais, muitas mães acabam desistindo de amamentar, pois não conseguem sanar seus problemas a ponto de se sentirem confiantes e encorajadas para atravessar a fase de adaptação do processo de aleitamento.

A média de aleitamento no Brasil é de míseros 54 dias. Se pensarmos que o aleitamento é um ato fisiológico e que a maioria das mães poderia fazê-lo, fica difícil compreender essa conta. A OMS (Organização Mundial de Saúde) recomenda que os bebês sejam amamentados exclusivamente por leite materno até os seis meses de idade e, continuadamente, de maneira complementar à alimentação sólida, até os dois anos ou mais..

Porém, há bebês que saem com prescrição de fórmula até mesmo da maternidade, muitas vezes sem real necessidade, e ainda, fazendo uso de bicos artificiais, como chupetas e mamadeiras, que podem ser prejudiciais ao estabelecimento da amamentação.

As mães e seus bebês, por enquanto, são vítimas de um sistema que, na maioria das vezes, repassa informações desatualizadas e mitos sobre amamentação. E enquanto isso continuar acontecendo, haverá mães e bebês fracassando em relação a amamentação, por pura incompetência do sistema, em capacitar e atualizar os responsáveis por auxiliar as mães com dificuldades.

É claro que podemos e devemos nos solidarizar com as mães e seus bebês que não conseguem amamentar. Mas o sistema acerca do aleitamento precisa mudar. E precisamos COBRAR essas mudanças. Porque a saúde dos nossos filhos está em jogo.

Os benefícios do aleitamento materno são indiscutíveis, mas infelizmente, ainda não há uma força tarefa organizada para que se aumente o índice de sucesso do aleitamento no país. Seriam necessários investimentos em atualizações dos profissionais. Mas esses investimentos seriam facilmente recuperados, visto que o índice de sucesso de aleitamento subiria consideravelmente e por consequência, haveria menos bebês, crianças e futuros adultos, doentes.

O Brasil possui a maior rede de bancos de leite do mundo. Mas eles ainda são insuficientes e há profissionais desatualizados até mesmo nesses locais.

Portanto, é extremamente importante que haja uma maior conscientização dos profissionais da área da saúde acerca da importância das atualizações sobre o processo de aleitamento e do poder da disseminação dessas informações para as mães. INVESTIR NA AMAMENTAÇÃO É INVESTIR EM SAÚDE.

*Bia Câmara é atriz, relações públicas, criadora do canal Minha Opinião Materna, uma das coordenadoras do Círculo Materno, diretora da Cia. BrinCanto, professora e diretora do curso de teatro musical da Vivace e mãe do Bento e do Antônio. 

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