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Acho que a maioria das pessoas já teve um apelido na infância. Eu, é claro, também tive alguns. “Zé Pão” foi um deles. Fácil de explicar, né? Simplesmente porque eu adorava pão. E era muito comum que as pessoas me vissem comendo essa antiga e maravilhosa iguaria, tão consumida no país.

Meu pão predileto sempre foi o francês ou pão de sal. Recheado com manteiga, requeijão, maionese, mortadela, carne moída, queijo, ovo, mel, tomate, feijão, banana ou outro recheio qualquer, ao gosto de cada um. E olha que tem cada recheio… Manteiga com açúcar é bem estranho, né, não?

Embora tivesse uma grande predileção pelo pão de sal, também fazia experiências degustativas com o pão doce ou rosca. Achava muito bom o pão doce com maionese ou com mortadela. Tinha um gosto exótico, diferente. Pão doce com paçoquinha era divino. Com doce de banana era sensacional. Com carne moída, então, nem se fala!

Pão de forma torradinho, com presunto e mozzarella no meio, é divino, muito apreciado por mim até os dias de hoje. Pão italiano, bem típico, grandão e redondo, era ótimo com manteiga ou requeijão. Sem falar naqueles muitos outros pãezinhos como brioche, croissant, ciabatta e outros. Além do pão doce com açúcar “na cacunda”.Todos muito saborosos mas, infelizmente, carregados de glúten.

Porém, de uns tempos pra cá, eu e minha esposa decidimos diminuir ou, no caso dela, até extinguir o consumo de glúten na dieta diária. Segundo especialistas, essa substância, presente em algumas farinhas, especialmente na farinha de trigo, não traz nenhum benefício ao organismo humano. Ao contrário, ele dificultaria a absorção de outras substâncias.

É uma pena que seja assim, porque pão é algo muito bom de comer. Só de pensar minha boca se enche de água. Lembro daquela casquinha crocante e daquele miolo macio do pãozinho francês e penso que a felicidade tem muitas nuances. Uma delas seria comer pão sem causar danos ao organismo.

Mas nem sempre a felicidade é o caminho mais fácil. Assim, na medida em que aumenta a nossa consciência sobre a alimentação diária, também aumentam as restrições a certos tipos de alimentos. E as restrições também aumentam em decorrência do envelhecimento natural do corpo humano. Muitas substâncias passam a ser naturalmente rejeitadas pelo nosso organismo. O glúten é uma delas. E ainda bem que é assim.

Poucas pessoas atentam pra isso e demoram a perceber os problemas, debitando-os a ocorrências passageiras. Com o tempo vão perceber que serão perenes e restritivos. Até que essa consciência aconteça, geralmente trava-se uma batalha com a informação.

Ainda assim, com todas essas restrições, de vez em quando faço valer aquele apelido lá do começo e abuso com os pães. Avanço sobre eles no café da manhã e destruo pelo menos uns três ou quatro (ou cinco), devidamente recheados com queijo, ou manteiga, ou mortadela ou qualquer outra bobagem.

Afinal, ninguém é de ferro…

*José Nário é escritor, engenheiro florestal, especialista em Informática na Educação e Gestão Ambiental e autor dos livros “Lelezinho, o pintinho que ciscava pra frente e andava pra trás”, “Lelezinho vai à escola” e “Minha janela para o nascente”.

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