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A compreensão do mais cético brasileiro, exala lama. Por mais que saibamos que a vida seguirá – e , de fato, seguirá – a água barrenta provocou mais uma nódoa no Brasil. Escorreu pelas entranhas da nossa vergonha e inundou, de novo, todo o espaço vago que restava de uma decência manca frente à ferida chamada Mariana.

A fúria da água nivelando a todos e a tudo no rodapé da insignificância. Muitos não serão mais achados. Já estão sepultados compulsoriamente. Não tiveram tempo sequer de entender o que ocorreu. Uma desertificação em massa em tantos corações de mães e esposas e filhos e maridos. A água, vazada da ganância, da impunidade reincidente, mais do que ir lavando e levando tudo, foi criando um cemitério onde antes pastavam vidas.

Do dicionário, brumado, diz-se de onde existe bruma, névoa. De Brumadinho, hoje, sabe-se o choro. Sabe-se que pouco ou nada será cumprido em respeito, pelo menos, à memória dos que partiram. Todos nós sabemos que o emblemático triângulo que compõe a bandeira mineira nunca esteve tão enlameado, precisando da água limpa da decência, da moralidade, para lavá-lo.

Fica nesse nosso coração mineiro um misto de dor, de indignação, de vergonha pela inoperância de nossa Justiça e de uma certeza. A de que continuaremos orgulhosos de nossas montanhas, e da cor alva de nossa bandeira. Sempre branquinha, refletindo paz em nossas retinas. Perdão, Minas Gerais.

*Pedro Bertozzi é radialista, apresentador de TV e músico

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