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As cantadas e assédios são cotidianos na vida de uma mulher. Pesquisas mostram que 99,6% das mulheres já foram assediadas, principalmente em locais públicos. O assédio sexual parte do princípio que o corpo da mulher é algo público e que se pode opinar. Existe uma linha tênue entre o que é elogio e o que é assédio.

Há tanta coisa para se elogiar em uma mulher: inteligência, humor, competência ou sensibilidade. Neste sentido, um elogio é muito diferente de chamar de “gostosa” na rua. Existe a ideia enganosa de que a mulher diz não, querendo dizer sim. Outra situação constrangedora é a falta de credibilidade quanto aos relatos dessas mulheres. Denunciar é um ato de coragem e não cabe a ninguém julgar a atitude e o momento escolhido para isso. No trabalho, as mulheres sempre precisam estar atentas.

Segundo a legislação, assédio é: “constranger alguém com intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual, prevalecendo-se o agente da sua condição de superior hierárquico ou ascendência inerentes ao exercício de emprego, cargo ou função.”

A pena é detenção de um a dois anos para quem praticar o ato. Denuncie, não tenha vergonha. Passar por esse transtorno todos os dias é estressante e uma falta de respeito. É uma invasão de privacidade tamanha e vai contra todos os direitos constitucionais adquiridos legalmente por qualquer indivíduo. A postura feminina do dia a dia tem mudado, isso força, consequentemente, os homens a mudarem também.

*Aline Ambrogi é médica veterinária e fundadora da ONG Carol Sanches.

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