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“É uma situação realmente imprevisível, pode beirar o caos em alguns locais e nos preocupa demais, daí eu ter que vir dar essa noticia hoje, não é um dia bom, é final de ano, e nós tínhamos que estar aqui comemorando, mas,  infelizmente, a gente está passando por essa situação. Eu lamento, mas é o que eu tenho para informar e a população precisa estar informada do que está acontecendo”. As palavras são do prefeito Sérgio Azevedo, que anunciou, durante coletiva na manhã desta sexta-feira (28), estado de calamidade financeira no município de Poços de Caldas.

O prefeito decretou, no final do mês de outubro, que o município entraria em estado de emergência, pelo prazo de 60 dias, finalizando no dia 31 de dezembro de 2018. Mas, segundo Sérgio, a situação da divida do estado tornou-se insustentável. De acordo com o Chefe do Executivo, são cerca de R$ 6 milhões por mês que não são repassados ao município, e a dívida já chega perto dos R$ 90 milhões.

Em entrevista coletiva, prefeito falou sobre medidas referentes ao novo decreto (foto: Tatiana Espósito/Poços Já)

Sérgio explica ainda que esteve em Belo Horizonte no último dia 17, juntamente com outros prefeitos de Minas, em reunião com o governador eleito, Romeu Zema. Na oportunidade todos manifestaram a preocupação em relação aos municípios, mas Zema afirmou que existe uma impossibilidade momentânea de repassar tudo o que é devido pelo estado.

“Aqui nós estamos tendo condição de fazer tudo com muito sacrifício e eu não sei até quando. Então, a partir de janeiro, a gente entra numa situação que deixa de ser uma emergência financeira e passa a ser de calamidade financeira. As  previsões são difíceis de fazer, absolutamente imprevisível saber onde se vai parar isso e o governador está ciente dessa dificuldade. Porém, não pode assumir um compromisso de que conseguirá manter em dia esses repasses constitucionais. Face a isso, as cidades ficam de mãos atadas, não há o que fazer para manter todos os serviços funcionando, então nós vamos realmente passar pra um estado de calamidade com algumas medidas mais rigorosas”, declara.

Reforma administrativa

Na prática, algumas medidas já tomadas quando da declaração do estado de emergência serão mantidas, como o corte de horas extras, suspensão de novas contratações e novas obras de infraestrutura. O prefeito explica que será nomeada uma comissão para criar a reforma administrativa, que realizará um estudo para tomar medidas de contenção de gastos, de maneira não drástica, para evitar ao máximo que serviços à população sejam prejudicados.

“Vamos tentar fazer uma grande redução pra que a gente consiga aos poucos equilibrar, mas por mais que a gente economize e consiga uma redução grande, é pequeno ainda em relação aos repasses retidos. A prefeitura está toda funcionando, mas daqui pra frente eu não posso garantir nenhum serviço, aos poucos a gente vai vendo o que pode diminuir, de modo que possamos chegar até o fim dessa crise, sem realmente trazer o caos pra nossa cidade”, lamenta.

O prefeito não descartou a possibilidade de cortes em cargos comissionados e de confiança, mas afirma que a prioridade é não prejudicar o atendimento.

“Essa decisão vem junto com a reforma administrativa, onde eu devo fazer tudo de uma vez  pra poder adequar a prefeitura a uma melhor eficiência, mas eu não quero prejudicar o atendimento, por isso tem q ter cuidado, porque qualquer decisão precipitada nesse momento pode trazer uma perda da qualidade de atendimento e isso eu não quero. O que a gente tem tentado fazer até hoje é manter essa qualidade, mas agora chegamos em um ponto insustentável que não aguento mais, a cidade não aguenta mais e o governo tem que começar a pagar em dia”, finaliza.

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