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Eu! Eu gosto de chuchu! É verdade! Sei que é difícil acreditar, mas é verdade! Pelo menos que eu saiba, além de mim ninguém mais admite gostar desse desprezado fruto “salgado”, do grupo dos legumes. Fazem muitas brincadeiras maldosas com ele. Dizem, por exemplo, que tem três vitaminas: A, B e C. Traduzindo: água, bagaço e casca. Anos atrás até moça “falada” era comparada a ele. Diziam delas: dá mais que chuchu na cerca.

O chuchu também tem fama de “pular a cerca”, devido à sua grande capacidade de alastrar-se e expandir-se pela vizinhança. Político sem graça é chamado de “picolé de chuchu”, por ser insípido como a água. Enfim, o coitado do chuchu é desprezado publicamente por todos os lados, apesar de ter muitos admiradores secretos. Sei que tem!

Falando desse assunto, eu me lembro de um feirante muito engraçado, o “Dito da Feira”. Ao ser perguntado sobre a qualidade da abobrinha, dizia: “É só colocar um quilo de carne moída que fica delicioso!”. A receita do Dito certamente se prestaria muito bem para ser feita também com o chuchu.

E veja como a TV tem influência capital no nosso cotidiano: depois que apareceu a Xuxa e seus “xuxexos”, muita gente passou a escrever chuchu com “x”, ou seja, xuxú. Na verdade, desde aquele tempo, na opinião de muitas pessoas, Xuxa e chuchu são idênticos, apesar do gênero: ambos não têm a mínima graça. Bem aguadinhos, afirmam algumas pessoas.

Deixemos o chuchu de lado, por enquanto. Mudando um pouco o rumo da conversa, vou falar sobre um costume meu: sou madrugador. Acordo cedo e gosto de acordar cedo. Por causa desse hábito, sempre fui frequentador de feira-livre. Aos sábados, aqui na cidade, sempre que posso, vou à feira. E chego cedo. É bom chegar cedo na feira. Os produtos estão mais fresquinhos e em maior quantidade para podermos escolher.

E nessas visitas às feiras e aos mercadinhos da cidade, pensando bem, não me lembro de já ter visto alguém comprando chuchu. Acho que quase ninguém compra chuchu. Com exceção desta minha pessoa gostadora de chuchu, é claro!

Minha esposa reclama quando eu compro chuchu. Acha caro e desnecessário. Talvez seja, mas como eu faço para comer chuchu? Tenho que comprar, é óbvio! Eu não tenho um pé de chuchu em casa, coisa muito comum nas pequenas cidades.

Ao pé do ouvido, bem baixinho: creio que as pessoas têm um pé de chuchu em casa para não passar pelo constrangimento de comprar chuchu na feira. Afinal, seria difícil de explicar…

Então, repito, eu tenho que comprar chuchu. Mas não ligo, não. E tem mais: eu não preciso disfarçar o gosto dele para comer. Tem gente que coloca caldo de carne, carne moída, pimenta, pimentão, ervas finas, ervas grossas e outros ingredientes para disfarçar e fingir que é outra coisa.

Apesar de que, se tiver paciência, pode-se fazer o chuchu batidinho, como se faz com abobrinha. Fica muito parecido. Só parecido, porque não existe caldo de abobrinha para ajudar a dar sabor. Continua sendo chuchu mesmo.

Pessoas radicais afirmam que chuchu não serve pra nada. Mas eu discordo. Um tanto dessas afirmações são puro preconceito. Outro tanto é esnobismo. Aqui entre nós, chuchu bem feitinho, no capricho, é “bom pra chuchu!”. Basta usar a criatividade.

E num caso extremo, ou seja, uma eventual briga ou necessidade de se defender de uma agressão, até que ele seria uma boa munição.

Está aí e ninguém pode negar: chuchu tem mil e duas utilidades!

*José Nário é escritor, engenheiro florestal, especialista em Informática na Educação e Gestão Ambiental e autor dos livros “Lelezinho, o pintinho que ciscava pra frente e andava pra trás”, “Lelezinho vai à escola” e “Minha janela para o nascente”.

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