Publicidade

Declarações recentes do presidente eleito, antes e depois das eleições, têm suscitado sérias preocupações. Suas falas sobre demarcações de terras indígenas, que têm vários processos em andamento, mais de cem, e o fortalecimento da bancada ruralista no Congresso Nacional, embaçam ainda mais o cenário já tão conturbado da questão ambiental no país.

Não faz muito tempo, meses eu acho, vi notícias sobre um novo e extremamente potente foguete que foi lançado nos Estados Unidos, rumo ao espaço sideral. De acordo com as informações presentes na matéria, esse foguete faz parte dos ensaios para uma futura viagem ao planeta Marte.

A cada nova investida do homem rumo a outros planetas, mais convencido eu fico de que o colapso da Terra é considerado inevitável pelos governos das principais potências mundiais. Isso, na minha opinião, é evidência clara de que a vida na Terra está a caminho de dias piores. Mas…

Ando pensando muito nisso: será que nós estamos preparados para viver em um mundo pior do que o atual? Saiba você que ele vai piorar e muito! Com certeza! E, definitivamente, acho que nós não estamos organizados para viver em um mundo mais deteriorado.

Parece não haver mais dúvidas, as condições climáticas da Terra ficam mais graves a cada dia. Todas as previsões consideradas catastróficas há alguns anos estão se mostrando piores do que quando foram concebidas. Eventos climáticos extremos se mostram pelo mundo todo.

Num evento regional, nós, os habitantes da região sudeste do Brasil, enfrentamos uma seca extraordinária poucos anos atrás. Muitas nascentes que nunca haviam secado por aqui, deixaram de brotar. O rebaixamento dos lençóis freáticos levou muitos proprietários rurais, e até prefeituras, à procura de água em profundidades nunca atingidas. Em muitas localidades a água desapareceu de vez.

Em ocorrência de impacto mundial, cientistas vêm alertando há tempos que o clima no polo norte está mudando rapidamente, em virtude do aquecimento do planeta. O solo da região, chamado de “permafrost”, por se manter permanentemente congelado, está derretendo aceleradamente, trazendo consequências imprevisíveis para o planeta.

Doenças já erradicadas há muitos anos, como a gripe espanhola, podem retornar com toda força. Ao mesmo tempo em que outras, que nem mesmo conhecemos, podem se transformar em epidemias destrutivas.

São apenas alguns exemplos dos muitos que ocorrem por aí. E ainda assim, governantes e demais autoridades insistem em encobrir tais fatos, como se estivesse tudo na mais perfeita normalidade.

Mudando um pouco o rumo da conversa, embora seja apenas uma preparação para voltar ao anterior, não faz muito tempo eu vi uma reportagem mostrando imagens de um grupo de índios isolados na Amazônia. As imagens teriam sido feitas por um drone operado por uma equipe da Fundação Nacional do índio (Funai).

Em outro episódio relacionado, recentemente localizaram um indivíduo que seria o último remanescente de uma tribo dizimada por doenças dos brancos e ataques de garimpeiros. Enfim, o pouco que resta de povos isolados no Brasil não tem sossego.

Quando acontecem essas incursões eu fico a me perguntar por que não deixam que esses humanos independentes sobrevivam à sua maneira, preservando o ambiente e, principalmente, sua cultura milenar. Eles, definitivamente, não precisam de nós para viver.

Muito pelo contrário, segundo o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro. Em entrevista concedida no ano de 2014 à jornalista Eliane Brum, do jornal “El País”, ele afirmou textualmente: os índios podem nos ensinar a viver melhor num mundo pior”.

Na mesma entrevista ele declara: “Os índios podem nos ensinar a viver com pouco, a viver portátil, e a ser tecnologicamente polivalente e flexível, em vez de depender de megamáquinas de produção de energia e de consumo de energia como nós. Quando eu falo índio é índio aqui, na Austrália, o pessoal da Nova Guiné, esquimó… Para mim, índios são todas as grandes minorias que estão fora, de alguma maneira, dessa megamáquina do capitalismo, do consumo, da produção, do trabalho 24 horas por dia, sete dias por semana.”.

Porém, observando as tendências explicitadas pelos futuros governantes, recém eleitos, não é difícil constatar que estamos caminhando para tomar o rumo contrário. Somos um país privilegiado por determos em nosso território essa cultura primitiva que pode, em breve, ser a chave do futuro da humanidade.

Mas o que vai acontecer com ela? Vai sobreviver para nos ensinar seus segredos na hora em que as coisas apertarem? Os próximos anos responderão a essas perguntas. Espero que positivamente, muito embora as evidências mostrem exatamente o contrário.

*José Nário é escritor, engenheiro florestal, especialista em Informática na Educação e Gestão Ambiental e autor dos livros “Lelezinho, o pintinho que ciscava pra frente e andava pra trás”, “Lelezinho vai à escola” e “Minha janela para o nascente”.

Publicidade
Davison Advogado