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Davison Advogado

Para quem está vivenciando uma gestação, um dos assuntos que gera mais ansiedade é o trabalho de parto. Muitas mulheres têm dúvidas sobre os sinais que indicam o início desse momento e até mesmo, sentem medo de não serem capazes de identificá-lo e do “bebê passar da hora”. 

Um bebê saudável, geralmente nasce entre as 38 e as 42 semanas. As 40 semanas, calculadas como “DPP” (data provável do parto), não são uma “data limite”, mas sim, uma data aproximada de quando o evento vai acontecer, para que possamos ter uma vaga noção. São portanto, uma estimativa, mas muitos bebês vão nascer antes ou depois das 40 semanas. A verdade é que não temos como prever quando o trabalho de parto vai começar. Então, para podermos vivenciar um trabalho de parto, com início natural, temos que aguardar com paciência, pois não temos como controlar esse momento. E na realidade, esse já é um preparo para o exercício da maternagem como um todo, porque a partir do momento em que o bebê nasce, percebemos que realmente não podemos controlar tudo.  

É importante saber que cada mulher vai vivenciar o parto de uma maneira e cada corpo vai reagir de uma forma. Algumas gestações podem se prolongar e, para a maior segurança da mãe e do bebê, a equipe responsável pelo pré-natal pode sugerir uma indução do parto normal, entre as 41 e 42 semanas, para reduzir os riscos associados a uma gestação pós-termo. Mas estando tudo bem com a mãe e com o bebê, não há necessidade alguma de se agendar uma cirurgia cesariana por essa razão. Assim como os frutos que nascem em árvores e amadurecem, cada qual a seu tempo, até cair do pé, cada bebê leva um tempo para amadurecer e estar pronto para nascer. A monitoração da mãe e do bebê, garantem a segurança nesse processo de espera. Não é preciso desespero. Aguardar o início do trabalho de parto, gera inúmeros benefícios para a saúde da mãe e principalmente, do bebê. 

Durante essa espera, alguns corpos emitem sinais antecipados de que a hora está se aproximando, mas há corpos que não emitem sinal algum. Muitas gestantes, inclusive, se desesperam porque não notam alterações ou sinais de que o momento está se aproximando. Mas é preciso baixar a ansiedade e entender que grande parte das mulheres só vai conseguir perceber alterações, quando o trabalho de parto efetivamente começar. Então, como saber se o trabalho de parto já começou?   

As fases do trabalho de parto 

Apesar de toda a evolução da ciência, ainda não temos comprovações do que desencadeia o trabalho de parto.  O que precisamos saber é que quanto mais relaxada a gestante estiver em cada fase, mais chance do trabalho de parto evoluir com tranquilidade, devido à produção natural de ocitocina, que é o hormônio responsável pela dilatação. Quando uma mulher está tensa, ela produz adrenalina, hormônio que pode dificultar o trabalho de parto. Portanto, durante cada fase do trabalho de parto, devemos procurar tranquilizar a gestante e amenizar suas sensações de dor, para diminuir a produção de adrenalina e estimular o aumento da produção do hormônio que vai auxiliar o trabalho de parto a evoluir. Então, a partir do momento em que temos consciência de que podemos influenciar positivamente na evolução do trabalho de parto, é válido ter uma noção de cada estágio desse processo, que uma hora ou outra, vai se iniciar. Assim, diminuímos as chances de desespero, medo e ansiedade. Há algumas características que auxiliam a identificar cada fase estágio do trabalho de parto.  

Pródromos 

Esse estágio pode ser comparado a um outro evento que as mulheres conhecem bem…a “TPM”. Nem todas sentem e mesmo as que sentem, podem ter variações a cada ciclo. É um estágio que pode causar alguns incômodos, mas ele é um estágio anterior ao processo. 

Os pródromos, da mesma forma que a “TPM”, não são sentidos por todas as gestantes. Algumas ficam ansiosas, esperando por esses primeiros sinais de que a hora se aproxima, mas nem sempre eles vão acontecer. 

Nessa fase, algumas gestantes sentem contrações, porém elas são irregulares e geralmente, não são muito dolorosas. Algumas também podem sentir cólicas, parecidas com as menstruais, o intestino pode soltar e às vezes, o tampão mucoso pode sair nesse estágio. Em alguns casos, as contrações até chegam a ganhar ritmo, mas depois de algum tempo, elas cessam. A recomendação para esse momento é a de que a gestante procure manter a calma, e não saia correndo para o hospital, pois muitas vezes, “o alarme é falso” e após um banho ou alguns minutos de descanso, as contrações param. A internação nesse momento pode ser prejudicial, justamente porque são apenas os “primeiros sinais” de que a hora pode estar se aproximando. Uma mulher que é internada nesse momento, fica mais suscetível a ter o trabalho de parto acelerado, uma vez que essa fase pode demorar dias, ou até semanas. 

Há mulheres que se dirigem ao consultório quando sentem essas primeiras contrações e se frustram quando descobrem que ainda não estão dilatando, acreditando que não irão conseguir parir. Mas nessa fase, é muito comum a mulher não dilatar nada e muitas gestantes acabam optando pela cesárea por conta dessa frustração. Por isso, é importante saber que, apesar de ainda não estar dilatando, o corpo está trabalhando e muitas vezes, o colo do útero está começando a amolecer, o que vai ser fundamental para que a dilatação aconteça, quando o trabalho de parto efetivamente começar. Tudo tem seu tempo. A palavra perfeita para definir e atravessar essa fase é: PACIÊNCIA.

Fase latente 

Essa é a fase que define o início do trabalho de parto de verdade. Ela pode ser parecida com a descrição dos pródromos (acima), com a diferença que, depois que as contrações se iniciam, elas vão progredindo e não param mais. O trabalho de parto começa a acontecer e a evoluir. Como explicado acima, algumas mulheres não passam pelos pródromos e entram diretamente nessa fase. Essas gestantes, portanto, não apresentarão os “primeiros sinais” de que a hora estava se aproximando, mas entrarão direto em trabalho de parto, de uma hora pra outra. 

As contrações nesse estágio, também podem ser um pouco irregulares e de intensidade fraca ou moderada. Geralmente, são contrações bastante suportáveis. Elas costumam durar, em média, de 30 a 50 segundos e conforme o tempo vai passando, elas vão aumentando a intensidade e diminuindo o intervalo. As contrações podem ocorrer, em média, a cada 15, 10 ou 5 minutos. A gestante pode relatar cólicas e o intestino pode soltar. Nesse estágio, a dilatação começa a acontecer, para as mulheres que ainda não tinham nenhuma dilatação, chegando até os 4 centímetros (em alguns casos, há gestantes que já apresentam alguns centímetros de dilatação antes mesmo de entrar em trabalho de parto, devido ao peso do bebê sobre a região pélvica. Tratam-se de exceções. Essa dilatação que acontece para algumas gestantes, antes do trabalho de parto começar, não interfere no tempo de duração do parto.). 

A duração dessa fase é extremamente variável para cada gestante. Para algumas, pode durar poucas horas e para outras, pode se estender. Por isso, nesse estágio, apesar da ansiedade, se a gestante estiver se sentindo bem e o bebê estiver mexendo, o ideal é avisar a equipe, mas aguardar em casa, procurando poupar energia para o processo. A gestante pode tentar descansar, tomar um banho, usar uma bolsa de água quente e comer alimentos leves, para ter energia para as próximas fases. 

A cada contração, o bebê é empurrado contra a região pélvica, para que a dilatação aconteça. O tampão mucoso pode sair e um pouquinho de sangue vermelho ou amarronzado, pode sair junto.   

Caso o rompimento da bolsa aconteça nessa fase, é importante observar a cor do líquido amniótico. Se ele estiver clarinho e o bebê continuar se mexendo, não é necessário correr para o hospital. Porém, se o líquido estiver estiver esverdeado, é importante dirigir-se ao hospital, mas com calma e tranquilidade.
Com o passar do tempo, as contrações irão se intensificar, diminuir o espaço de tempo e se tornarão mais difíceis de ignorar. A próxima fase, então, se inicia. 

Fase ativa 

Esse é o momento ideal para se dirigir à maternidade. A dilatação chegou aos 5 centímetros (ou mais) e a frequência das contrações se torna mais definida. O ritmo, geralmente, pode ser cronometrado, apresentando intervalos regulares. As contrações acontecem, em média, a cada três minutos, sendo possível contar 3 contrações a cada 10 minutos. As gestantes também podem sentir uma intensificação a cada contração e pode ser difícil ignorá-las. Nesse momento, pode ser difícil ficar deitada, então, é importante que a gestante tenha liberdade para procurar uma posição mais confortável. Nessa fase, a maior parte das gestantes já não tem mais dúvidas de que está em trabalho de parto, então, a gestante pode estar mais concentrada e começar a vocalizar (emitir sons) para externar suas sensações. 

Durante essa fase, os métodos naturais de alívio das dores podem ser excelentes aliados. Usar o chuveiro, banheira, bola suíça, etc., pode ser extremamente positivo para a gestante. 

Fase de transição 

Essa fase acontece dentro da FASE ATIVA, simultaneamente a ela. Popularmente, ela é chamada de “fase da hora da covardia”, pois a gestante geralmente tem um pico de dor e sente contrações fortes, o que faz com que ela acredite que não vai conseguir. Quase todas as gestantes, nesse momento, pensam em “desistir” e pedem analgesia, cesárea, etc… É o momento em que a gestante mais precisa de palavras de incentivo e força, porque o bebê está perto de nascer. A dilatação já está avançada, geralmente entre 8 e 10 centímetros e as contrações podem durar mais de um minuto. Apesar de desconfortável, essa fase costuma durar pouco tempo, diferente das fases anteriores.  

Expulsivo 

Chegou a hora do bebê nascer! A dilatação chegou aos 10 centímetros. Nessa fase, a cabeça do bebê está bem baixa e a gestante começa a sentir uma forte pressão e vontade de fazer força, os chamados “puxos naturais”. Quando essa vontade natural de fazer força surgir, a gestante pode começar a empurrar. É importante que a gestante tenha liberdade para procurar posições verticalizadas nesse momento, o que facilita a saída do bebê. Ficar de cócoras, sentada na banqueta de parto ou ajoelhada com as mãos apoiadas no chão ou na cama, pode auxiliar na saída do bebê. Algumas mulheres relatam não sentir dores nesse momento.  

Círculo de fogo 

Nesse estágio, a cabeça do bebê está passando pela vagina da mãe e o estiramento provocado por essa passagem, pode gerar uma sensação de ardência e queimação. Por conta disso, é importante que a gestante procure respirar, para que a musculatura tenha tempo de se acostumar com o volume que está passando. Vale ressaltar que a episiotomia (corte feito na vagina da mulher/ “pique”) não é mais recomendada de rotina. Portanto, se a gestante é incentivada a respirar e manter a calma, ela diminui bastante a chance de sofrer uma laceração natural. 

Dequitação da placenta – o “segundo parto” 

Após o nascimento do bebê, a  placenta também vai “nascer”. Responsável por nutrir e oxigenar o bebê durante toda a gestação, a  placenta é conhecida como “a árvore da vida” (porque visualmente, ela se parece com uma árvore). Por conta disso, algumas gestantes gostam de guardar a placenta para, posteriormente, fazer um quadro com o “carimbo da placenta” de lembrança para o bebê (para fazer o “carimbo”, basta colocar a placenta sobre uma folha branca, deixando que as suas marcas fiquem registradas). Caso esse seja o seu desejo, peça para a equipe não descartá-la e leve um pote para poder armazená-la. Durante a expulsão da placenta, a gestante novamente vai sentir algumas contrações, porém, de intensidade menor, se comparadas ao trabalho de parto. 

Esse processo costuma acontecer poucos minutos após o nascimento do bebê e durante esse acontecimento, se estiver tudo bem com a mãe e com o bebê, ele pode estar normalmente no colo da mãe, em contato pele a pele, durante a sua primeira hora de vida. Colocar o bebê para mamar, inclusive, pode facilitar e auxiliar na saída da placenta.  

A experiência do parto pode ser transformadora para muitas mulheres. Se informar sobre esse processo, antecipadamente, pode ajudar a gestante (e seu acompanhante) a estar mais relaxada e preparada para esse momento. Redigir um PLANO DE PARTO e levar para a maternidade, entregando para a equipe que vai acompanhar o parto, na hora da internação, também pode contribuir para que a gestante se sinta mais segura, diante do processo pelo qual vai passar.

*Bia Câmara é atriz, relações públicas, criadora do canal Minha Opinião Materna, uma das coordenadoras do Círculo Materno, diretora da Cia. BrinCanto, professora e diretora do curso de teatro musical da Vivace e mãe do Bento e do Antônio.