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Marcos Eduardo é pré-candidato a deputado estadual pelo Podemos (fotos: João Araújo/Poços Já)

O pré-candidato a deputado estadual pelo Podemos, Marcos Eduardo de Andrade, é oncologista, já foi vereador em Poços e candidato a deputado estadual, federal e a prefeito de Alfenas. Tendo como principal bandeira a saúde, ele considera que em seus 12 anos envolvido na política pôde perceber os principais problemas e as necessidades da região.

Segundo Marcos Eduardo, a escolha do partido aconteceu após muito estudo e o Podemos se encaixou em sua visão. Surgido dentro do movimento que existe na Europa, o pré-candidato afirma que “eles não se incluem nem de esquerda, nem direita, muito menos de centro, eles se incluem como um muro que separa honestos de desonestos”.

Confira na íntegra a quarta entrevista da série com os pré-candidatos realizada pelo Poços Já Política:

Poços Já Política: Por que se candidatar a deputado?

Marcos Eduardo: Não é a primeira vez que eu me candidato. Talvez essa pergunta fosse interessante relacionada à primeira vez que eu fui candidato. Eu era, inclusive, vereador de Poços e justamente como vereador eu percebia a quantidade de problemas que tinham, não só dentro da cidade, pela minha profissão, como oncologista, incluindo as impressões de muitas outras cidades, achei que eu podia estender um pouco mais a minha ação parlamentar. Porém, tinha também uma dificuldade danada como vereador de poder resolver com as verbas, muito com as mãos atadas. Se você é da oposição você fala mal do prefeito, se você é da situação você é o papagaio do prefeito, certo ou errado você tem que ir a favor dele.  Então, isso aí foi muito ruim, eu não me senti bem como vereador e achei melhor pleitear a deputado, mas, principalmente, por querer representar um pouco mais, a abrangência de representação ser um pouco maior.

PJP: Você se considera de direita, de esquerda ou centro?

ME: Então, o sistema partidário no Brasil se coloca assim: partidos de direita, de esquerda e de centro. Nós somos obrigados a  estar dentro de um partido para poder concorrer. Eu deixei essa minha filiação dentro do Podemos exatamente para o fim, eu só me filiei no dia seis, bem no finalzinho, porque eu queria estar muito bem no partido e o Podemos foi o que entrou com uma melhor proposta, em virtude dele surgir dentro de um movimento. É um movimento que até surgiu na Europa, chama Partido Movimento na Europa. Lá eles não se incluem nem de esquerda, nem direita, muito menos de centro, eles se incluem como um muro que separa honestos de desonestos. Hoje, dentro da conjuntura brasileira, a gente tem que definir de que lado a gente está em relação à honestidade e o Podemos foi o que caiu como uma luva pra gente poder fechar isso.

PJP: Quais as suas principais bandeiras?

ME: A principal é a saúde. Eu fui obrigado a conhecer tudo, estudei, são 12 anos na politica e eu acabei conhecendo problemas gerais relacionados à educação, desenvolvimento, segurança, trabalho, mas a bandeira principal é a saúde. Você não tenha dúvida que é o que eu sei fazer naturalmente, é o que eu sei que está acontecendo de errado de forma natural, eu sei tudo que está acontecendo que eu não concordo em relação ao Sistema Único de Saúde, a forma que é gerida essa nossa saúde e que prejudica a nossa região. Então, a principal bandeira é a saúde mesmo.

PJP: Como conciliar os interesses do partido e dos seus eleitores?

ME: Os meus eleitores estão em primeiro lugar, acho que isso responde. Como eu disse, eu entrei em um partido em que nós nos colocamos, isso não é minha opinião, se você entrevistar toda a diretoria do nosso partido, os interesses estão voltados para: você é ou não é corrupto? Se você é corrupto, nós estamos longe. Você é ou não é honesto? Se você é desonesto, nós estamos longe. Você presta ou não presta? Se você não presta, nós estamos longe. Então é uma decisão muito fácil dentro do partido. Isso, como eu te disse, é um movimento e vou citar rapidamente e depois, se vocês quiserem pesquisar, o partido Cinco Estrelas na Itália, o La République en Marche, que é o do Macron que foi eleito. O Macron saiu da esquerda e se colocou nesse partido contra os nossos sistemas políticos de hoje.

Oncologista quer priorizar a área da saúde

PJP: O que é mais importante para você: legislar ou captar emendas parlamentares?

ME: Eu acho que uma coisa completa a outra. Captar emendas, a gente vê o que acontece hoje nos nossos municípios com a falta de recursos, é um direito dos municípios todos essa captação de recursos. Nós devíamos ter uma divisão melhor, uma revisão no pacto federativo e os municípios receberem dinheiro suficiente para não precisarem pedir para ninguém. Legislar é muito importante, visto o que nós estamos passando hoje. Hoje estamos passando um problema danado em relação às reformas, nós temos a maior tributação do Brasil aqui no estado, temos uma reforma tributária para ser instalada, nós temos uma reforma previdenciária para ser revista. Então, uma coisa completa a outra, não só legislar, como fiscalizar e também ajudar os municípios através de recursos.

PJP: Considerando as mudanças recentes, como a diminuição no tempo de campanha, qual sua estratégia para alcançar o maior número de eleitores e municípios?

ME: Eu já sou muito bem conhecido nos nossos municípios, visto a eleição passada eu acabei subindo, eu tive em uma primeira eleição 15 mil votos, depois 30 mil votos e depois 53 mil votos nessa última. E os votos não foram conseguidos na base do recurso financeiro, por eu não ter, ter muito pouco recurso, acabamos fazendo uma campanha com as pessoas que me conhecem no que eu atuei 25 anos aqui na região, em todas as cidades. Eu não atuo só aqui, eu trabalho diretamente com todas as cidades. Então eu tenho muitos amigos e conhecidos, para mim ficou muito mais fácil, esses votos que eu acabei adquirindo são votos naturais, não são votos que são vereadores pedindo para um desconhecido, não são votos de um prefeito pedindo para um desconhecido. É um trabalho que a gente está fazendo de forma natural e está indo muito bem.

PJP: Poços passou os últimos anos sem representantes, inclusive devido ao número de candidatos nas últimas eleições. Você estaria disposto a se unir a algum candidato, ou abdicar de sua candidatura, pelo bem da cidade?

ME: Não, porque eu acho que pelo bem da cidade eu sou o melhor. Me unir a outros até posso, algum deputado federal, desde que ele entre naquele perfil, não é ser ficha suja, porque ficha suja tem que ter tido as votações do colegiado, mas eu tenho que ver se essa pessoa não tem histórico de corrupção, histórico de coisa errada. Não tem problema nenhum a gente estar caminhando junto com outros deputados, desde que eles sejam corretos, não tem problema nenhum, eu não vejo problema. Agora, eu não quero ficar perto de quem não presta.

PJP: Enquanto deputado estadual, como você poderia contribuir para o repasse de verbas da saúde, o pagamento dos servidores e outras questões referentes ao Executivo?

ME: Bom, em relação a toda região, justamente pelo que você falou, na captação de recursos, só que tem uma coisa que é muito melhor, a gente tem observado em cada município ações erradas de prefeitos que acabam prejudicando naquela ação executiva, eles tomam atitudes completamente erradas. Na saúde aqui houve atitudes completamente erradas, nossa Secretaria de Saúde, agora e em mandatos anteriores, nunca se fez presente em reuniões importantíssimas fora, na regional de saúde lá em Pouso Alegre, em Belo Horizonte. A quantidade de recursos que foram sendo perdidos, de teto que nós tínhamos aqui e foram sendo perdidos, por ausência, por omissão, é uma coisa enorme. E isso tem que puxar a orelha de alguém porque está errado.

Além disso, nós temos recursos escassos e é óbvio que a gente vai tentar correr atrás disso. Também a omissão de não manter o que já tem é muito grave. A mesma coisa para servidores, eu não quero ser um deputado só de captação, eu quero estar vivendo muito a história do município pra poder propor e brigar contra coisas que possam estar sendo feitas  erradas. A gente tem acesso, eu tenho acesso, dentro dessa visão, a quem entrar lá, como eu sempre tive. Nós construímos um hospital do câncer em Alfenas, em quatro anos, sem nada. Foi muito simples, conversando com todos os deputados e governadores e aqui não sai, não sai porque está politizada a Santa Casa e acaba que nada funciona lá. Agora em Alfenas você vê que em quatro anos nós construímos um hospital regional com recursos vindos. Eu acho que trabalhando lá em cima, através de muita conversa com o Executivo, mas eu quero trabalhar nas cidades também.

Marcos Eduardo foi vereador em Poços de Caldas

PJP: Você é candidato pelo Podemos. Porque resolveu apostar em um partido novo?

ME: Ele, como eu te disse, é um partido novo, mas com uma ideia antiga, antiga de quatro anos. É um movimento que surgiu, acredito que até de forma natural, não aqui no Brasil, é um movimento que surgiu fora do país e foram vários países que começaram a adotar, pessoas que não acreditavam no sistema político. A esquerda, a direita, o centro, não acreditavam nisso e aí começaram a se mobilizar através do Partido Movimento, Portugal se movimentou e hoje tem França, até ganhou a presidência lá, a Itália através do Cinco estrelas, a Grécia também.

Então, eu tive que estudar para poder entrar, não em um partido novo, mas em um partido que, foi até uma satisfação, eu acabei achando uma coisa que batia um pouco com o que eu achava. Eu não quero ficar preso em um partido, um partido antigo, eu acho que está errado. Os nossos partidos antigos demonstraram, no mínimo, uma conivência com um bando de ladrões. O Brasil foi saqueado por esses partidos antigos, tem diretoria inteira de alguns partidos que está presa. Nós recebemos um saque enorme desses grandes partidos, de pessoas dentro desses grandes partidos e lá eu não estaria de jeito nenhum, nunca iria. Eu poderia ter escolhido partido com legenda menor, mas que não fosse novo, mas não, me interessava me encontrar dentro de algum partido que pensasse como eu.

PJP: Você já foi vereador em Poços e candidato a prefeito em Alfenas Se eleito, qual cidade será sua prioridade?

ME:  Eu fui vereador em Poços, fui candidato a deputado estadual, deputado federal e entre uma candidatura e outra eu saí a prefeito, não agora,  desde a última, em Alfenas.  Em Alfenas eu acabei saindo por falta completa de espaço aqui, apesar de eu ter tido metade dos votos da cidade, lá de Alfenas. Mas, por falta total de espaço no partido que eu me encontrava, que era o 55, o PSD, em reuniões na diretoria em BH, por eu não ter sido majoritário aqui, eu queria pleitear a minha vaga aqui e não foi me dada, foi dada para quem tinha a majoritariedade, e me falaram: ‘se você quiser, sai em Alfenas’.

Foi muito bom eu ter saído em Alfenas porque eu pude aprender outras coisas além da saúde, eu tive que me preparar. Eu não represento cidade específica. Eu nasci aqui, meu avô nasceu aqui, minha avó nasceu aqui, meus quatro bisavôs nasceram aqui, todos os meus quatro filhos nasceram aqui, mas eu não represento só uma cidade. A minha proposta, e quem me conhece sabe, é representar toda a região, porque eles estão aqui do lado em Caldas, em Ibitiúra, em Andradas, se dedicando à minha pré-campanha, se dedicando à minha eleição, contando com o apoio de lá. Só que eu nunca esquecerei cidade alguma, principalmente a que eu nasci. Poços está no meu coração, como Alfenas também está no meu coração, são as duas bases principais que eu tive.

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