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Com gritos de protesto, apitaços e alguns cartazes, dezenas de servidores estiveram na tarde desta segunda-feira (16), na porta da Prefeitura de Poços de Caldas. A manifestação faz parte da assembleia geral extraordinária, convocada pelo Sindicato dos Servidores Públicos Municipais ( Sindserv) para tratar da negociação com a administração municipal sobre acordo coletivo.

Enquanto servidores se concentravam do lado de fora, representantes do Sindserv buscavam negociar com o prefeito no gabinete algumas reivindicações. Entre as cláusulas do Acordo negociadas estavam o reajuste salarial, o vale-alimentação e o fim da jornada in itínere.

Servidores estão descontentes com algumas cláusulas do acordo coletivo (foto: Tatiana Espósito/Poços Já)

De acordo com a presidente do Sindserv, Marieta Carneiro, algumas das contrapropostas solicitadas em assembleia anterior não foram atendidas. Com relação ao reajuste salarial, Marieta explica que o pedido é que o valor fosse dos 3,5% propostos pela administração, para 10%. O pedido não foi atendido sob a alegação de que a prefeitura não teria condições de atender o percentual solicitado. Já com relação ao vale-alimentação, o Sindicato apresentou a proposta para que o valor passasse de R$465 para R$500, o que também  não foi atendido. “Tentamos que aumentasse o valor proposto pela administração, mas ela não concordou, alegando que esse é o limite máximo que ela pode oferecer aos servidores. A administração também alegou  que já está fazendo o repasse acima do índice de inflação e que nesse momento a prefeitura não tem condições de dar nenhum tipo de ganho real também no vale-alimentação”, comenta.

A tentativa de se manter o benefício da jornada in itínere aos servidores que atuam em locais de difícil acesso também não entrou no acordo, mas, segundo o Sindserv,  o prefeito deve encaminhar outra proposta aos servidores que até o ano passado, antes da reforma trabalhista, eram beneficiados com a jornada. “Nós negociamos em todas as reuniões, mas  a administração não concordou com o pagamento da jornada in itínere como ela é. O prefeito fez uma proposta de gratificação de 20% para esses servidores respeitando um teto máximo de 50% do salário base do município. O sindicato tentou a todo momento manter o pagamento da jornada in itínere por entender que era a forma mais justa do trabalhador ser valorizado por fazer esse deslocamento, mas a prefeitura não entende assim”, pontua Marieta.

O prefeito Sérgio Azevedo afirma que a administração chegou ao limite da possibilidade de atender aos servidores. Ele lembra que no ano passado o reajuste salarial foi de quase 3% de aumento real e que este ano  o aumento também será acima da inflação. “É um esforço até além das possibilidades da prefeitura nesse momento, um ano extremamente difícil com o Governo do Estado devendo milhões para a saúde, atrasando repasse de ICMS, quase metade do IPVA preso. A gente precisa ter responsabilidade, mas nenhuma reivindicação  a gente negou de forma definitiva, algumas podem ser novamente conversadas em 2019.  Eu acho que já foi um grande ganho, não ter perda nenhuma, conseguir fazer o repasse integral da inflação com o ganho real, isso é o que era possível fazer”, argumenta.

Após a conversa entre os representantes do Sindicato e a administração, os servidores seguiram para a Urca, para finalizar a assembleia e votar pela aprovação ou não do acordo coletivo 2018/2019.