No Dia Internacional da Mulher, o assunto é representatividade feminina na política.  Elas, que são maioria da população e também do eleitorado brasileiro, representando 53% dos eleitores segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ainda não conquistaram todo o espaço que lhes é de direito.  Os números mostram: em Poços, nas eleições municipais, dos 253 candidatos a vereador, 85 eram mulheres e 168 eram homens. Das 15 cadeiras do Legislativo local, somente duas pertencem a mulheres.

Para entender um pouco mais sobre a representatividade feminina na política e a falta de proporção entre homens e mulheres no âmbito político, a estudante de publicidade e propaganda, Letícia Militão, de 33 anos, está finalizando uma pesquisa cujo tema é “O lugar de fala das mulheres na política: uma análise comparativa entre a representação feminina e masculina na Câmara Municipal de Poços de Caldas e na mídia poços-caldense”.

Em seu trabalho Letícia aponta a Lei 9.504/97, que estabelece que os partidos devem preencher a lista de candidatos nos percentuais de no mínimo 30% e no máximo 70% para candidaturas de cada sexo. Apesar disso, a pesquisadora concluiu que após as eleições de 2016 apenas 13% das cadeiras nas câmaras municipais do Brasil são ocupadas por mulheres.

Na análise, Letícia observou, no período de março a maio de 2017, reportagens veiculadas em um telejornal local. Ela analisou as falas dos vereadores e o tempo de cada um durante as matérias exibidas. A conclusão da estudante é que, mesmo que o tempo de fala das duas vereadoras de Poços individualmente seja até maior que dos vereadores, no conjunto elas representam tempo menor.

“Depois de começar a participar mais ativamente de reuniões e tudo que é referente a eleição, eu percebi que, embora na lei seja obrigatório que tenha pelo menos 30% das vagas destinadas ao outro sexo, no caso feminino, não se atinge 30% de mulheres. Essas candidatas não se elegem. Então o que está acontecendo? Foi aí que comecei a minha pesquisa, para ver como essas mulheres aparecem na mídia local”, relata.

Vereadoras

Lígia Podestá e Maria Cecília representam as mulheres na Câmara de Poços

Na Câmara de Poços, as vereadoras Lígia Podestá (DEM) e Maria Cecília Figueiredo Opípari (PT) são as únicas representantes femininas.  Pela primeira vez exercendo a função de legisladora, Lígia entende que a representatividade feminina na política tem avançado de forma gradativa, mas acredita que ainda assim as mulheres têm se envolvido mais. “As mulheres ainda têm um receio, um medo de entrar nesse ramo, mas eu já vejo mais interesse delas nessa área, mesmo que existam entraves. Acredito que a mulher que já está na política possa abrir caminho para outras, porque é um caminho que a gente pode e deve trilhar”, comenta.

Já Maria Cecília aponta que as mulheres só não participam mais da política por causada tripla jornada de trabalho, além da sociedade que ainda é muito machista e não incentiva a participação, não só na política, mas em qualquer função de destaque, que possa ser considerada acima do homem. Mesmo assim, ela acredita que é preciso uma busca por debates mais aprofundados, espaço para que as mulheres entendam seu papel na sociedade e mudanças de um modo geral, especialmente dentro dos próprios partidos. “A gente precisa de um trabalho mais sério dentro dos partidos, porque muitos acabam colocando mulheres apenas para cumprir tabela, para que sirvam para a candidatura dos homens, como um trampolim político. Então acho que são vários fatores e a gente precisa começar a construção e buscar mecanismos para que essas mulheres possam entrar na política e ter voz. Não é fácil, mas um dia a gente vence”, conclui.

No Brasil*

Senado: De 81 senadores, apenas 12 são mulheres

Câmara dos Deputados: 51 mulheres de 513 cadeiras

Assembleia Legislativa de Minas Gerais: de 77 deputados, apenas seis são mulheres

Governadores: De 27 estados, apenas um é governado por mulher (Roraima)

Prefeitos em Minas Gerais: 63 mulheres e 788 homens

Vereadores em Minas Gerais: 920 mulheres e 7561 homens

* Dados de TSE e TRE