quarta-feira , 20 setembro 2017
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Após dano ambiental na represa Saturnino de Brito, Câmara quer informações sobre INB

Empresa foi processada pelo Ministério Público por se envolver em dano ambiental, no ano de 2010, que afetou águas do Ribeirão das Antas.


As 25 toneladas de uma mistura de água com argila, acidentalmente despejadas na represa Saturnino de Brito no último dia 24 de agosto, ainda não foram totalmente retiradas do local. A empresa Lorenzetti, que espontaneamente assumiu autoria pelo desastre ambiental, ainda está realizando contratação de uma empresa adequada para fazer a limpeza da represa. O acidente chamou atenção de vereadores da Câmara Municipal de Poços de Caldas, que relembraram outros desastres ambientais ocorridos na cidade.

Durante a última sessão ordinária, realizada na terça-feira (29), a vereadora Maria Cecília Opípari (PT) apresentou um pedido de informações sobre medidas de segurança ambiental referentes às atividades da empresa Indústrias Nucleares do Brasil S/A (INB), em 2010. “Quando acontece um dano ambiental, isso nos remete diretamente à INB, que é localizada em Caldas, mas causa muita preocupação aos moradores de Poços de Caldas, porque pode afetar nossa vertente de águas. Estou solicitando ao Executivo informações do Conselho Municipal de Defesa e Conservação do Meio Ambiente (Codema) para que eles possam nos informar se estão fazendo acompanhamento, assim como no caso da Lorenzetti”, declarou.

No documento, que foi encaminhado à Secretaria de Governo, a parlamentar enfatiza que “Há muito a sociedade poços-caldense e da região sofre com falta de informações precisas, desencontros, omissões, descasos, negligências e falta de transparência por parte dos gestores da INB, que desde os anos 70 implantaram na região uma empresa de mineração e processamento de urânio, hoje denominada UTM – Unidade de Tratamento de Minério, que teve suas atividades operacionais paralisadas no início dos anos 90”.

De acordo com Ciça, desde a suspensão dos serviços o local tornou-se depósito de rejeitos radioativos trazidos de outros estados brasileiros. Ela ainda ressalta um estudo realizado em 2010 pela Comissão Águas, presidida pela então vereadora Regina Cioffi, com apoio da própria INB e CNEN, onde foram constatados alguns pontos de contaminação de rejeitos radioativos na Bacia de Águas Claras, entre mais de 20 locais analisados (até a Represa Bortolan).

No mesmo ano, a empresa teria sido responsável por um desastre ambiental que afetou o Ribeirão das Antas, em Poços de Caldas. Desde então, o Ministério Público Federal entrou com uma Ação Civil Pública na Vara da Justiça Federal a fim de que a INB seguisse as normas do Codema e do  Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (IBAMA).

A vereadora ainda relembrou a importância de acompanhar tais ações. “No ano retrasado tivemos um desastre em Mariana (MG), e a cidade foi totalmente destruída. Depois, a população que fica à mercê da justiça e a gente não quer que aconteça isso. Precisamos cobrar o Codema para ver se estão acompanhando essa situação e punir os responsáveis”, finalizou.

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