quinta-feira , 23 novembro 2017
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Os urubus estão voltando

*Léo Bougeard


Faltando pouco mais de um ano para as próximas eleições, os urubus da política já começam a sobrevoar em seus redutos  eleitorais na busca de pousos mais tranquilos, observando as carniças que poderão ser devoradas com toda a avidez possível. Voam em círculo observando os prováveis alvos. Nunca fazem um voo solitário. A negritude dos bandos se contrasta com o azul radiante dos céus. Nunca vi um urubu branco e, por isso, prefiro ficar com as pombas da paz.

Somos hoje, e já faz algum tempo, um aglomerado de carniças indefesas. Vejo as últimas notícias sobre o rombo no FIES, criado para permitir que jovens pudessem chegar às universidades, através de financiamentos que seriam ressarcidos após a conclusão do curso superior. Balela. Mais um engodo lançado para atrair os jovens na doce esperança de dias melhores. A grande maioria direcionada para os cursos de Direito, Licenciatura e Administração. A inadimplência atinge mais de 50% em razão da falta de oportunidades. O país tem, hoje, mais de 24% da população desempregada ou sub-empregada e certamente fazem parte desse enorme contingente os milhares de formandos que buscaram na esperança de cursar uma faculdade uma nova oportunidade de crescimento e progresso. Ilusão.

Sou do tempo em que existia uma grande concorrência entre as boas faculdades e as escolas técnicas (que foram extintas no governo do FHC). Um bom técnico era tão valorizado e requisitado quanto um bacharel em direito ou administrador de empresa. Hoje disputam vagas por emprego nos grandes magazines por míseros salários de vendedor de eletrodomésticos e parcas comissões de venda.

Esse quadro caótico se desnuda de forma mais vergonhosa no interior do país obrigando essa juventude esperançosa a buscar novas opções em grandes centros inflando, ainda mais, os problemas nas metrópoles desse nosso triste país.

Enquanto esse quadro se agrava os urubus continuam voando em círculo, esperançosos nos votos para que possam desfrutar de 4 anos de benesses e regalias indecorosas movidos pela soberba, vaidade e em muitos casos por interesses escusos.

Na atual conjuntura os brasileiros são obrigados a trabalhar cinco meses por ano apenas para pagar tributos. Que são aplicados, em muitos casos, de forma incorreta e até criminosa. Penalizam o povo, mas deixam que os lucros das grandes instituições financeiras se avolumem de forma descarada. Vale relembrar que os cinco maiores bancos tiveram um lucro líquido, no ano passado, em mais de 65 bilhões de reais. Enquanto isso o país está literalmente quebrado e sem condições de fazer investimentos necessários para oferecer uma mínima condição de dignidade aos cidadãos.

Mas os urubus não estão preocupados com isso. Sabem fazer apenas barganhas em troca de votos. Muita coisa ainda vai acontecer até outubro do ano que vem.

Que os céus possam estar repletos de pombas brancas lançando a paz duradoura e criando esperanças a esse povo que não aguenta mais de tantos urubus pairando pelos ares.

* Léo Bougeard nasceu no Rio de Janeiro e estudou Ciências Políticas na Europa em 1965. Formado em Direito, foi conselheiro para o comércio exterior da Bélgica por mais de dez anos, é cidadão honorário de Poços de Caldas e ex-Secretário de Turismo. Escritor e editorialista.

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