terça-feira , 17 outubro 2017
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Crianças com necessidades especiais sofrem por insuficiência no atendimento da Prefeitura

Assistência escolar precisa ser individual, mas não há profissionais suficientes, segundo vereador.


Desde o início deste ano, a agente de crédito bancário Verônica Rodrigues Silva iniciou uma verdadeira batalha com a Secretaria Municipal de Educação de Poços de Caldas para conseguir uma auxiliar de educação inclusiva para o filho Enzo, de quatro anos, com Transtorno do Espectro Autista. A ideia inicial era que o menino fosse matriculado no Colégio Municipal Doutor José Vargas de Souza, o que não foi possível devido à falta de profissionais da área. “Acabei optando não mandá-lo, porque é um colégio muito grande. Lá hoje, uma cuidadora cuida de duas, três crianças ao mesmo tempo. Se ele escapa, se joga lá de cima”, explica.

A Secretaria de Educação só conseguiu disponibilizar um profissional em abril, quando Enzo começou a estudar, em período integral, na Creche Santa Terezinha, Zona Sul da cidade. No entanto, a auxiliar de educação inclusiva só permanece no local durante a manhã. “À tarde uma pessoa fica com ele, mas ela não é educadora inclusiva e vai embora às 17h. Eu saio às 18h do serviço e preciso que alguém o busque todos os dias”, pontua. Verônica também comenta sobre o preparo da profissional. “Ela não é uma pessoa treinada. Vejo que tem um pouco de dificuldade. Ela está lá mais para cuidar da parte de higiene e para que a criança não se acidente. Mas fico mais tranquila de saber que ele não está sozinho”, acrescenta.

Assim como Enzo, outras 392 crianças e adolescentes matriculadas na rede pública de ensino necessitam do apoio de um auxiliar de educação inclusiva. Destas, 272 já têm laudo médico e 120 aguardam resultados de exames. Em contrapartida, apenas 119 auxiliares atuam no município no momento, de acordo com dados da Secretaria de Educação. Ou seja, um profissional para cada três crianças com deficiência.

O assunto foi motivo de questionamento na Câmara Municipal de Poços de Caldas durante a sessão da última terça-feira (8). O vereador Marcelo Heitor da Silva (PSC) apresentou ao Executivo um pedido de informações complementar sobre o assunto. Um requerimento sobre o mesmo tema já havia sido enviado à secretária, Flávia Vivaldi, em maio deste ano. “Observei que, em 2014, tínhamos cerca de 154 auxiliares de educação inclusiva no município. Hoje, um estudo da secretaria de Educação afirma que são apenas 119. Ou seja, houve um decréscimo neste número. Alguns destes profissionais estão muito sobrecarregados, porque o aconselhado é que tenha um profissional para cada criança que necessite destes cuidados especiais, mas existem casos de até seis crianças para um auxiliar”, pontua.

De acordo com o parlamentar, a ideia é saber quais medidas o Executivo pretende tomar para adequar a situação ou minimizar os efeitos negativos, como a realização de um concurso público que vise mais contratações na área. “Esse déficit precisa ser sanado. Quero saber também se existe uma espécie de cronograma de projetos e cursos que serão ofertados a esses profissionais”, finaliza.

O pedido de informações foi aprovado por 13 votos e será encaminhado a secretaria.

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