sexta-feira , 28 julho 2017
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Nem lá, nem cá: uma análise sóbria da condenação de Luiz Inácio, sem politizar o evento

*Mariana Ponce


Antes de mais nada: você ao menos correu os olhos sobre a sentença que condenou Lula? Não é uma leitura fácil, são mais de 200 páginas em juridiquês contemporâneo, mas eu aconselho.

Aconselho por acreditar que é preciso o mínimo de atenção e propriedade sobre qualquer coisa antes de falar sobre ela; e quanto se fala sem saber, não?!

Um lado convoca aplauso em massa ao heroico magistrado e o outro teme pelo impedimento à disputa presidencial e messiânica do ano que vem. E quando é que deixaremos de lado o ingênuo emocionalismo político para demonstrar nosso amadurecimento civil?

Com um pouco de sensibilidade, ao passar os olhos na íntegra da sentença, a mim ficou claro o afastamento das disputas ideológicas e politizadas. A compreensão que tive é que Sérgio Moro teve uma franqueza serena ao trazer à superfície da sentença uma série de práticas que dão corpo aos esquemas de corrupção que desde sempre segue incrustado aos nossos representantes, todos eles.

Uns queriam “sangue”, outros contavam com a intimidação e desencorajamento. Eu, considerando o desdobramento processual em segunda instância, achei que a sentença trouxe sensatez à ordem comum, sem euforia e sem sacrificar liberdades civis. Achei um bom começo.

*Mariana Ponce é advogada, especialista em direito do consumidor e resoluções sustentáveis de conflitos, consultora jurídica da ADEFIP (Associação dos Deficientes Físicos de Poços de Caldas) e graduanda em relações internacionais na Puc Minas.

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