sexta-feira , 22 setembro 2017
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Um URBANO MAIS HUMANO: “E debaixo dos TERMINAIS URBANOS, nossos RIOS, até quando?

*Adriane Matthes


Rios urbanos, onde estão? Atrás das casas, debaixo das ruas, entre muros, escondidos. Nem os percebemos. Passamos diariamente por eles, buscamos águas por onde andamos, e onde estão, para onde vão?

Hoje, gostaria de convidar todos a refletir sobre eles, os rios, nossos rios. Ainda espero o dia em que as crianças olharão para as águas dos rios, sem que percebam primeiro o mau cheiro, mas que possam colocar seus pés na água limpa, corrente, sentindo o frescor dos barulhos pelas pedras.

A proximidade com a natureza, daquela que nos distanciamos a tempos. Passamos por dias sem perceber o brilhos das gotas da água corrente. Dos reflexos do céu no leito do rio. Como podemos fazê-lo? Estão cobertos, encobertos pela pressa do dia a dia.

Encobertos por decisões tomadas em detrimento do que nos originou, ou que originou nossa cidade, nosso lugar: águas.

Águas em abundância, aflorando da serra e descendo por entre o vale, buscando os Rios principais para seguir seu curso. Sim, muitas nascentes estão entre ruas que ocupamos diariamente, como Rua Paraíba, Mato Grosso, Ceara, Pará, Maranhão, Piauí, Pernambuco, Rio Grande do sul, Rio Grande do Norte… cabe quase um país de RIOS na Serra de São Domingos!

Imagens da ‘Revista Vita’, em que se vê a retificação do Ribeirão da Serra no período da administração do prefeito Francisco Escobar – 1909 a 1918.

Área central. Em destaque, o círculo com o terminal Urbano construído em cima de parte do RIBEIRÃO DA SERRA…  até quando?

E na Zona Leste, próximo à Escola Dom Bosco, do saudoso Padre Carlos, temos uma construção mais recente do que o terminal urbano da área central, indicando uma PRÁTICA constante do poder público em CONSTRUIR EM CIMA DOS RIOS. Terminal da Zona Leste novamente tampando parte do RIBEIRÃO DA SERRA.

 

Vista a partir da avenida José Remígio Prézia, olhando em direção ao TERMINAL DA ZONA LESTE. Em destaque em vermelho, o PAREDÃO que tampa o RIBEIRÃO da SERRA.

Gostaria de propor a reflexão. Poderíamos ter os rios mais próximos? Poderíamos colocar os pés na água? Poderíamos ter um, ou vários parques, com adequados pontos de ônibus invés de terminais obsoletos?

Tragam de volta nossos rios, claros, limpos e com espaços adequados à natureza. Nos devolvam nossa água.

*Adriane Matthes é arquiteta e urbanista – mestre e doutoranda em urbanismo  pela PUC Campinas; professora do curso de Arquitetura e Urbanismo da PUC Minas campus Poços de Caldas.

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