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Em 1997 assumi a Secretaria Municipal de Turismo na gestão do prefeito Geraldo Thadeu e, desde aquela época, venho dizendo que a principal atração turística da nossa  cidade se concentra no aproveitamento das nossas águas sulfurosas aquecidas naturalmente. Quase 20 anos se passaram e felizmente o prefeito Sergio Azevedo, depois de uma rápida visita à Europa, pode sentir a importância  que esse segmento representa para o soerguimento do nosso turismo.

Tive a honra e o prazer de conviver, quase que diariamente, naquela época, com Benedictus Mario Mourão, que mantive no cargo de diretor das Thermas Antonio Carlos. Todo dia,  por volta das 2 da tarde, ia ao meu gabinete para conversar. Fazia parte de importantes comissões no Ministério de Minas e Energia (Crenologia ) e, de memória fantástica, ainda me deliciava com histórias  da nossa cidade. Lembro que, já com idade avançada, dirigia seu carro importado e bem conservado para chegar às Thermas e era um sonhador permanente.

Dizia ele que as nossas águas tinham propriedades superiores àquelas existentes em Vicky, na França. Mais untuosa e transparente. E me sugeriu que um dia fosse até aquela estação termal francesa para  conhecer o que lá era feito e poder aplicar aqui na nossa cidade. Depois de  algumas semanas recebo uma carta do Maire ( prefeito) daquela cidade me convidando para passar uma semana com todas as despesas pagas por conta dos franceses. Pagaria apenas a passagem. Com seu prestigio internacional, sem que eu soubesse, Benedictus escreveu ao prefeito de Vicky sugerindo a minha visita. Levei ao conhecimento do nosso prefeito tão honroso convite e sugeri que o Secretário de Planejamento Aldo Folts Hanser também fosse para agregar conhecimento e incluir nos planos de desenvolvimento da nossa cidade. Naquela época, em função da paridade do dólar em relação à nossa moeda, não se gastaria mais do que 2.500 reais. E o município tinha bastante dinheiro em caixa. Os recursos gerados pelos serviços termais poderiam custear essa pequena despesa. Os fofoqueiros de plantão e os puxa saco do prefeito se opuseram ao convite formulado e a viagem foi desfeita. Os franceses queriam estabelecer um convenio de integração e estavam dispostos a fornecer banheiras e equipamentos semelhantes aquelas que eram usadas em Vicky e  fabricados naquele país. Os franceses tinham, também, o desejo de implantar aqui uma indústria de cosméticos tendo como matéria prima as nossas águas sulfurosas.

Perdemos 20 anos e espero que o prefeito Sergio possa ir, também, nas cidades italianas, francesas e ver, in loco, o que de bom existe por lá. Não precisamos trazer turistas internacionais (ideia de difícil execução) mas aproveitar o potencial do turismo interno já que só nós, aqui em Poços, temos essa água tão especialíssima e única em todo o Brasil (mesmo que alguns poucos digam que não!).

Entretanto é preciso ter cautela com algumas artimanhas que estão sendo desenvolvidas e tramadas nos bastidores políticos. Fontes seguras dizem que o governo de Minas pretende vender esse fantástico patrimônio. Não só as Thermas mas, também, o Palace Hotel  e o Palace Casino. São os “amigos do rei” que de forma sorrateira pretendem, por preço vil, ter um patrimônio que nos pertence e que o ilustre crenólogo Benedictus Mario Mourão deve estar se revirando no seu mausoléu de tanta indignação.

O tempo vai mostrar quem tem razão…

*Léo Bougeard nasceu no Rio de Janeiro e estudou Ciências Políticas na Europa em 1965. Formado em Direito, foi conselheiro para o comércio exterior da Bélgica por mais de dez anos, cidadão honorário de Poços de Caldas e ex-Secretário de Turismo. Escritor e editorialista (lbougeard@yahoo.com.br).