sábado , 24 junho 2017
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Espelho meu

*Wiliam de Oliveira


Não sei você, mas espelhos sempre me incomodaram. Já deixei de entrar em muitos locais em razão de ver minha imagem refletida. Certa feita, parei de frequentar um restaurante, pois espelhos se espalhavam pelo local. Como tem gente que consegue comer e ao mesmo tempo ficar admirando os maxilares triturando alimentos?

Há claro algo de fundo psicológico nisto. Somente os fortes olham-se no espelho e aceitam de maneira tranquila e serena a barriguinha avantajada, orelhas de abano, o imenso nariz ou a calvície precoce.

Verdadeiramente, espelhos foram feitos para as mulheres, assim como salões de beleza. Existem “salões de feiura” para homens? Acredito, sinceramente, que o sexo feminino, já ao nascer, busca a existência do espelho no próprio berçário. Remexa a bolsa de uma mulher e certamente irá encontrar um pequeno espelho, acessório indispensável no dia-a-dia. Já viu a construção de um banheiro feminino (ou seria toalete?)? Primeiro colocam o espelho. Depois, outros equipamentos não tão necessários assim.

Sim, de quando em vez, corto o cabelo. Como faço? Dou uma olhada rapidamente no espelho, falo rapidamente o que quero e procuro sair rapidamente do local. O barbeiro geralmente me pergunta- E aí gostou? E, eu lá fora, respondo: ficou muito booom!!!

Claro, tenho diversos espelhos em casa. Eles quase nunca me veem. E como todo mundo também (não estou bem certo disso), tenho aquele que desgosto menos, até porque, espelhos são diferentes. Tem sempre um em que a nossa imagem fica, digamos assim, mais aceitável. Você se olha em um e não gostou? Procure aquele que reflete melhor o seu rosto, o seu corpo.

Espelhando o que penso, diria- como professor emérito da disciplina “espelhogia”- os espelhos são importantes elementos de análise de nossa autoestima que definem a nossa aceitação (ou não) perante a inexorável presença das rugas no rosto, das manchas na pele, dos cabelos brancos e de tantas outras degenerações humanas.

Assim, amar a si mesmo é olhar-se no espelho, logo no início da manhã e narcisicamente afirmar, em alto e bom som: – “Espelho, espelho meu, existe alguém mais bonito que eu?”

Mas, tome muito cuidado. Não vá me quebrar o espelho.

Pois, pior que achar-se feio, é ter sete anos de azar pela frente.

*Wiliam de Oliveira é jornalista, professor universitário, escritor, palestrante e consultor de marketing empresarial.

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