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Às margens do rio, antes havia areia. Hoje, só lama.
Às margens do rio, antes havia areia. Hoje, só lama.

Sebastião, Damião, Antônio, Moisés, Neivaldo, Amantino. Esses são alguns dos 18 areieiros que fazem parte de uma associação em Resplendor (MG). Esses são alguns dos prejudicados pela lama que hoje toma conta do Rio Doce.

Conhecemos Damião e Moisés quando chegamos à prefeitura da cidade em busca de informações. Eles estavam reunidos com representantes da Samarco. A expectativa por enquanto é que recebam salário mínimo e cesta básica da empresa.

Falam do passado com nostalgia e do presente com certo desespero. Sentimentos comuns em todos os locais que passamos até agora. O desespero surge na nova realidade enfrentada pelos areieiros. São homens que desde adolescentes fazem a mesma coisa, tiram areia do Rio Doce todos os dias. Ou melhor, tiravam. Hoje o que era areia limpa se transformou em lama. É impossível trabalhar, já que os equipamentos não conseguem retirar o material. Eles falam que a areia está colorida. “Parece que tem corante, mercúrio, sangue”.

Areia agora está vermelha e pesada, misturada à lama.
Areia agora está marrom e pesada, misturada à lama.

Moisés Carroceiro, conhecido por transportar a areia, também está sem rumo na vida. Desde jovem ele trabalha para garantir o sustento da família. Agora, sente-se mal por ter que pedir doações. “Eu tenho vergonha. Isso é uma tristeza para quem conhece nós, há muitos anos, desde quando eu comecei. Todo final de semana nós tinha recurso. Agora você tem uma feira e não pode fazer, não tem dinheiro pra comprar pão. Está acontecendo isso com nós. É triste. Antes disso, brilhava”, lembra.

Damião, presidente da associação, conta um caso com os olhos marejados. No último fim de semana, recebeu a visita da sogra. Mas não teve coragem de encontrá-la, com vergonha de não ter o que oferecer. Passou os dias dentro do quarto. Quando ele fala, o discurso é desolador. “Eu fiquei com vergonha de olhar para a minha sogra, porque nunca deixei faltar nada para a minha família. Tem 18 homens que não têm opção de trabalho. Não tem pedreiro, não tem carpinteiro, não tem armador. Para qualquer outro projeto, não tem estudo. Não sabemos fazer outra coisa. Eu acho que esse negócio da Samarco foi o último golpe”.